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my essencial clubbing weekend in berlin (2007)

Esse texto foi publicado originalmente na revista DJ Mag brasileira em janeiro 2008, e foi escrito em dezembro de 2007. Estou republicando agora porque o número de acessos a outro texto sobre o club Berghain está com muitos acessos aqui, então aqui vai mais um pouco sobre clubbing em Berlim.

A contracultura da Berlim ocidental, cultuada por David Bowie e Wim Wenders, mudou-se para o leste. Lá onde o comunismo era encoberto pela cortina de ferro política e pelo muro físico que dividiu a capital alemã, instalam-se modelos da cultura globalizada. Galerias de arte, produtoras musicais, bares, cafés, ateliês, estúdios, selos fonográficos, brechós e a imaterialidade da internet; estão todos lá entre os distritos de Mitte, Friedrichshain e Kreuzberg. A parada obrigatória do metrô agora é Alexanderplatz com sua imponente torre de comunicação, e não mais a ocidental Zoologischer Garten (ou apenas Zoo) onde Christiane F se drogava e se prostituía nos anos 1970. Desde que os 47 quilômetros do muro que separavam capitalistas e comunistas desabaram em 1989, a cidade vem experimentando uma reviravolta cultural que culmina nos primeiros anos do novo milênio e que deve durar até o começo dos anos 10 do século 21. Centenas e centenas de artistas – principalmente DJs e produtores – migraram para a cidade, que hoje é conhecida como capital mundial da música eletrônica.

Numa quinta-feira à noite cheguei a Berlim. Zero grau com certeza. Vinha de Bremen com DJ Atum que havia se apresentado em Amsterdã dias antes. Fomos direto para Friedrischshain encontrar Ferri Borbás, produtor e manager do selo digital Autist e nosso anfitrião. Conheci Ferri via Skype, coisas da aldeia global. Poucas horas depois da nossa apresentação presencial já estávamos fervendo no moderno bar Sanatorium, um dos preferidos do povo da região oriental e atual trendy da capital alemã. O primeiro convite nessa essential clubbing trip foi para conferir Anja Schneider no club Weekend no sábado. Seria o início da residência mensal do selo Mobilee, da própria Anja, no Weekend. Antes de dormir recebo mensagem de Holger Zilske, o homem por trás do projeto Smash TV que tocou no Brasil duas vezes. O convite era para ir ao club Watergate conferir a performance de Ellen Allien no dia seguinte. Dormi com os anjos.

Ir a Berlim para ouvir, dançar e entender o techno criado lá não é só ficar na jogação. Na sexta-feira pela manhã já estava na mítica Alexanderplatz, ponto nevrálgico da cidade que fica no antigo lado oriental. Na saída do metrô, ergue-se a fantástica torre de comunicação de mais de 300 metros de altura e com um imenso globo espelhado espetado no centro. Alexanderplatz é uma imensa pista de dança! Daí vale um passeio em direção ao Portão de Brandemburgo, passando antes por uma série de museus, avenidas e palácios até o Tiergarten. A grandeza urbanística equipara-se ao poder econômico-científico-artístico germânico. Entendi ali um pouco mais sobre o povo alemão. O néon com a frase “All art has been contemporary”, que está atualmente na fachada do Altes Museum (Museu Velho), polemiza com o conteúdo da casa, um valioso tesouro de peças egípcias da antiguidade. Novo e velho são um só em Berlim, neon-art e arte egípcia, igrejas góticas e prédios modernos, jovens dançando ao som de minimal techno em antigos redutos comunistas.

Party people – Sexta-feira à noite. Em Friedrischshain começa a agitação atrás das festas mais badaladas. Cada um fala uma coisa, mas o convite já tinha sido feito: Ellen Allien @ Watergate. Dentro do club encontramos Holger Zilske já contando novidades sobre o novo álbum de Ellen, que estão produzindo em parceria e deve sair em abril. Pouca coisa tinha sido feita e Holger já estava participando de outros projetos e (tentando) compor suas próprias tracks. O club Watergate fica na beira do Rio Spree, a pista inferior está na altura da água e uma imensa ponte medieval se ergue bem em frente. No andar de cima, a iluminação movimenta milhares de leds e os ansiosos pela chegada da musa do minimal e dona do selo BPitch Control. Ellen não demorou a aparecer com dois roadies carregando pesados cases, pediu licença ao DJ Daniel Bell (que fez um set correto para aquecer o povo) e começou a esmerilhar pérolas do tão elogiado estilo minimalista do BPitch Control. A DJ se divertia em sua terra natal, homenageada por ela nos álbuns Berlinette e Stadtkind. O que ela tocou? Não sei dizer títulos de músicas ou rótulos de gêneros, mas meu corpo e meu espírito agradeceram por estarmos lá.

A jaca berlinense rola mesmo é de sábado para domingo. O vento frio cortava a noite e a gente ía se aquecendo pelos bares esfumaçados do Mitte até chegar ao Weekend, no topo de um edifício de 15 andares em Alexanderplatz. Era a primeira festa mensal do selo Mobilee no Weekend e a convidada não poderia ser ninguém menos que Anja Schneider, dona do Mobilee e de um sorriso simpaticíssimo. Ela fez um set animado, o povo gritou, a DJ acelerava no minimal indo cada vez mais para o techno sem perder o rebolado e o charme, e inserindo pitadas housy. Noutro dia, Anja me confessaria – “acho que meu som passou de algo housy para um lado mais techno, mas não gosto dessas definições de estilos, afinal é tudo house”. Mas nem todos concordam ou concordariam com ela, como o produtor Paul Brtschitsch que tocou ao vivo, logo depois dela, um techno mais pesado e energético, porém não menos minimalista. Guarde bem esse nome estranho, Paul Brtschitsch. Em Berlim ele é considerado um novo prodígio da eletrônica. Depois de parcerias com André Galluzzi e alguns EPs elogiados, Paul está atualmente compondo com Holger Zilske para um novo live p.a. e produzindo o álbum de Anja Schneider.

Mobilee / Autist – “Não gosto de decidir tudo sozinha. É ótimo que o Paul esteja comigo produzindo meu primeiro álbum”, confessa Anja Scheneider. “Sempre preciso de alguém ao lado quando estou produzindo, primeiro porque não tenho tempo para saber os segredos e truques da parte técnica, e também porque preciso de alguém para dizer se devo continuar ou parar tudo. Preciso de opiniões diferentes para decidir em conjunto”, explica. A grande jogada de Anja nesse empreendimento é o retorno pessoal. “A melhor coisa em trabalhar com jovens talentos é poder vê-los crescer e então receber de volta uma energia fundamental”, filosofa a DJ.

Uma das crias mais queridas do Mobilee é a dupla Pan-Pot que lançou em outubro o álbum “Pan-o-rama”, primeiro álbum da dupla e do selo. Tassilo Ippenberger e Thomas Benedix são muito bem-tratados por Anja na nova sede do Mobilee, no meio do moderno e descolado distrito Mitte. No estúdio, a dupla tem tudo o que precisa para criar climas pesados e dançantes, como para o remix do primeiro single do primeiro álbum da patroa, que tive o privilégio de ouvir em primeira mão. O single deve sair entre janeiro e fevereiro, e o álbum chega ao público em maio. Outros nomes que lançam no Mobilee e no subselo Leena são Jennifer Cardini, Sebo K, Exercise One, GummiHz, Holger Zilske e Marco Ressman.

Enquanto o Mobilee tem sede com estúdio e lança vinis (e alguns CDs e mp3) todos os meses, o selo Autist existe apenas na rede lançando faixas digitais. “Os arquivos digitais são o suporte mais apropriado para o século 21, e no mundo do techno é tudo muito rápido e não dá pra ficar esperando meses pela prensagem de um disco”, argumenta Ferri Borbás, manager do Autist. O selo se sustenta linkado a comunidades virtuais para divulgar os EPs virtuais que são vendidos em vários sites. Colaborações com videoartistas e cineastas também é boa moeda de troca. “Gastasse pouquíssimo e o resultado é garantido”, afirma.

O destaque do Autist é o produtor Boris Brejcha de apenas 22 anos e que vive isolado em uma pequena cidade no sudoeste da Alemanha. Sem contato direto com a eletricidade clubbing de Berlim, Boris cria o seu “freak modern electro techno” em casa e faz dancinhas malucas (procure no MySpace!) para testar se a música é boa para a pista. Em janeiro ele vem ao Brasil para algumas apresentações! Uma boa maneira de fugir do inverno europeu.

A neve – Lá do alto do Weekend a vista é incrível e para meu deleite a neve começou a cair pouco antes de Anja terminar seu set. Estupefato pela neve, pelo drink de vodca com pepino e pelo som, não podia ainda imaginar o que seria o Berghain / Panorama Bar. A neve caía silenciosamente sobre Alexanderplatz quando pegamos um táxi para o Berghain, templo do techno e da loucurama berlinense. Na neve, o povo gritava para entrar enquanto enfrentava uma longa fila às 5h matina. Todos migram para o Berghain nessa hora, quando os outros clubs fecham. Lá dentro a principal regra, estampada bem na entrada, é: “cameras are not allowed”. Melhor assim!

O Berghain e o Panorama Bar ficam em uma velha usina de energia elétrica, em Friedrischshain. Berghain é a pista principal, o techno é o som, Ben Klock é o DJ residente, o pé direito é imenso e em várias darkrooms se faz exatamente tudo em termos de sexo. O Panorama Bar fica na parte superior do prédio e o clima é mais relaxado, em termos musicais é claro. Batidas mais minimalistas e mesmo houseadas movimentam uma turba em constante jogação. Ferveção pouca é bobagem! O mix de estilos e comportamentos é absurdo, parece que todos os grupos sexuais, raciais, musicais, fashionistas estão ali representados. Ecletismo democrático, liberdade desenfreada, hardcore sexmachine, fucking techno.

Naquela noite/manhã os franceses Joakim (dono do selo Tigersushi) e Chateau Flight mais o canadense radicado em Berlim Konrad Black se revezaram na cabine de som do Panorama. Como parar de dançar? Todos corriam entre um techno minimalista e dançante, grooves tímidos e trechos mais experimentais. Uma levada mais house à francesa complementava o ambiente. O Berghain / Panorama é onde o povo que estava em outros clubs se encontra, é onde se comenta das festas, bebe-se pencas e dança-se até domingo à tarde. O Berghain fervia ao meio-dia quando da pista brindamos com Ben Klock suas últimas tracks. Logo estávamos conversando e ele me olhava serenamente enquanto eu confessava que aquele era afinal o club mais incrível do mundo no qual já estive.

P.S.: Só pra lembrar, o bafo é tão forte no Berghain / Panorama que nem o club tem fotos de divulgação. Só mesmo na minha memória…

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mamma mia! i love we love

O selo alemão BPitch Control mandou ontem newsletter sobre seu novo lançamento. A dupla italiana We Love é bem mais que um “projeto” de ótima música dançante. Giorgia Angiuli e Piero Fragola gostam mesmo é de uma boa performance na cabine de som. Vestem roupas ‘performáticas’, projetam vídeos e ainda sobra tempo pra tocarem instrumentos absurdinhos e máquinas analógicas e digitais. As batidas combinam disco 80’s e eletrônica (electro, minimal e tech house), o mesmo tom minimalista dos artistas do BPitch Control (de Ellen Allien), mas os dois italianos vestem o techno berlinense com adornos musicais – lances de ítalo e disco – de sua terra natal. A fusão é tão saborosa quanto uma macarronada da mamma.

O primeiro álbum, que também se chamará ‘We Love’, sairá na segunda semana de outubro – daqui quase quatro meses! Vou dar uma procurada se já rola algum link pirata pro álbum, mas a gravadora mandou um medley – faz tempo que não vejo essa palavra! – com trechos das dez faixas do disco que dá pra ouvir nesse link aqui. ‘We Love’ tem como tema visões e viagens – “when the window of a train takes you somewhere”, explica o duo italiano. O start da produção do disco aconteceu quando encontraram por acaso o produtor musical e remixer Marco Palazzo (aka Keith) numa estação ferroviária e logo fizeram a primeira faixa, ‘Escape Destination’. As outras nove faixas seguiram os trilhos dessa inspiração.

We Love nasceu no meio do ano passado, quando Georgia e Piero gravaram um CD para ouvir durante uma viagem. Ela escreveu no disco ‘WE’ com caneta de tinta branca; logo depois ele rabiscou ‘LOVE’ com tinta preta. A dupla nascia aí, em preto e branco, e tendo o amor como guia para suas incursões musicais. Bem antes disso tudo, Giorgia andava envolvida com moda, no projeto Metúo com a francesa Amelie Labarthe. Mas bem antes disso, na adolescência, Giorgia tocava guitarra clássica até ganhar uma elétrica e passar a tocar hardocre e black metal. Piero é designer, VJ e professor universitário, trabalhou com músicos, grupos teatrais e diretores de cinema. Ele descobriu a música eletrônica através da cult band inglesa pós-industrial Coil. E diz que a Giogia deu como presente de aniversário o disco ‘Berlinette’, da Ellen Allien, para uns amigos faz algum tempo. “Senti um lance revolucionário nele, e então comprei meu primeiro sound card e um laptop novo. Descobri e ainda estou descobrindo o charme incrível da música eletrônica”, conta a ragazza inspirada em sua atual chefinha Ellen Allien. Aliás, o último disco de Ellen, ‘Dust’, que você leu e ouviu aqui, tem tudo a ver com o som de We Love.

Nos shows, a dupla We Love veste roupas e máscaras boladas por eles mesmos e usa uma velha guitarra em forma de coração, uma drum machine, dois teclados e um controlador midi (cujo design foi elaborado por eles mesmos e patrocinado pela marca italiana de roupas e mobiliários I&S). Piero e Giorgia também projetam imagens em preto e branco num telão e cantam. O objetivo é explorar as relações entre as diversas formas de expressão estética, como som, arte visual, moda e design.

No link a seguir tem vídeo do We Love tocando ao vivo em Barcelona > We Love live

capa we love

ARTIST: WE LOVE
TITLE: WE LOVE
RELEASE GER: 10.09.2010
RELEASE WORLD: 13.09.2010
FORMAT: CD / Digital
CAT NR.: BPC225CD
EAN CD: 880319480522
LC: 11753

01. Ice Lips
02. Don’t Cross
03. Cruise Control
04. Hide Me
05. Even If
06. Underwater
07. No Train No Plane
08. Our Shapes
09. Escape Destination
10. White March

P.S.: Assim que acabar o upload de um mini set do We Love eu coloco aqui!!!

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shows de rock e livros portugueses; 2plus?

Segundona de noite e tô aqui vendo o que vai rolar na semana. A programação geral dos clubs não tem nada de muito instigante; aliás, faz um tempinho que sair de casa pra ver DJ gringo ou pra exibicinismo fashionista tá bem sem graça. Sábado toquei no Astronete e a casa não estava tão bombada como de costume, e me disseram que sexta e sábado foi meio fraco no D-Edge. Claro que noutros lugares bombou, como sexta no Alberta#3 com fila gigante. Bom, mas vamos falar dessa nova semana, e a gente tem de garimpar pra descobrir algumas pérolas na noite, e tudo depende do gosto de cada um, claro. Tô dando uma viajada aqui numas festas, exposições, filmes, livros e tals que pretendo dar uma conferida nessa semana, se estiver afim pode me seguir… 😉

Faz poucos dias que abriu o club/casa de show/restaurante/bar Comitê, bem ao lado do Studio SP, no baixo Augusta. Nessa quarta tem  o festival Popload – na versão Gig Cult – do Lúcio Ribeiro por lá, com o compositor Mark Lanegan, que vem da cena grunge de Seatle. Lanegan começou no grupo Screaming Trees, foi amigo de Kurt Cobain e se insere naquela lista de guitarristas indie cult norteamericanos, algo pós-Dylan. Estou conhecendo o trabalho do cara agora – vejam o vídeo abaixo. Fiquei com vontade de ir no show porque o cara parece interessante e também curioso pela nova casa noturna, irmã do Studio SP – é dos mesmos sócios Ale Youssef e Maurizio Longobardi. O show é na quarta-feira 24 às 22h, por R$ 90.

Lanegan com Isobel Campbell, da banda escocesa Belle & Sebastian.

Mais uma da dupla, dessa vez no Café do Sundance Film Festival. E, tá bom! Eu acho que às vezes esse som é meio chato… mas quem sabe ao vivo.

Mais uma de rock’nroll – Hugh Cornwell, ninguém menos que um dos homens por trás da banda punk inglesa Stranglers, toca sábado no bar CB, na Barra Funda. Vai rolar aniversário de 24 anos da loja London Calling, um dos musts das galerias de rock do centrão de São Paulo. A dica foi do Sérgio Barbo, enquanto ele discotecava no Astronete no sábado passado, e como ele saca tudo de rock, e porque ando numas de rock mesmo, já tô achando uma das melhores no final dessa semana. Faz tempo que não vou ao CB, e lá é legal, aquele galpão grande e o palco… É a primeira, e será a única, apresentação de Cornwell no Brasil!!! Se liga! Sábado 23h30, no CB por R$ 35. No site dele dá pra baixar seu último álbum, Hooverdam, lançado em 2008. Tô baixando, vamos ver se gosto…

Aqui tem uma gravação ao vivo não tá muito boa,tá meio Dogma 95, mas o registro vale!

Livros

Fiquei passado com a morte do José Saramago na semana passada. Adoro os textos dele, e sei que tem um monte de gente que não consegue entrar na onda dele, mas acho normal porque não é um texto muito fácil. No começo resisti, mas consegui ir em frente e passei a adorar a forma como ele pontua as frases e parágrafos, a metalinguagem, o poema na prosa, os versos brancos na prosa… mil coisas! Daí saí caçando nos sebos e lojas virtuais alguns títulos que não tenho na estante. Hoje chegaram “Caim” – último romance de Saramago e que gerou mais disse-me-disses com Portugal e Vaticano – e “A Maior Flor do Mundo” – única incursão do autor na literatura infantil. As ilustrações de “A Maior Flor…” são de João Caetano, pintor moçambicano que também ilustra livros e faz histórias em quadrinhos, e por aí dá sentir as experimentações com colagens que ele criou pro livro. E realmente, o narrador – o próprio Saramago – não tem muito jeito com o mundo dos miúdos. A história é uma justificativa do autor por não saber escrever pras crianças.

Aqui vai o filme de animação espanhol “A Flor Máis Grande do Mundo” dirigido por Juan Pablo Etcheverry. O narrador é José Saramago – que lê o texto do livro em espanhol com forte sotaque português. “Um relato para niños (y adultos) escrito y narrado por José Saramago. Un corto colmado de símbolos y enigmas, destinado a una infancia que crece en un mundo quebrado por el individualismo, la desesperanza y la falta de ideales. Cortometraje de animación intervalométrica combinada con dos dimensiones.”

Em “Caim”, Saramago reporta-se ao Velho Testamento para “reler” a história do filho mal de Adão e Eva, Caim. A narrativa deve ir nos moldes de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, best seller que narrava uma história do Novo Testamento. Ambos geraram muita polêmica com a Igraja Católica. Achei uma resenha legal desse título no site Verbo 21.

Amanhã eu volto e dou mais umas dicas, ok? Tem DJ novo na praça, tem umas exposições bacanas rolando…

Logo cedo tenho um brunch da inauguração da loja Sample Central – um lance de loja onde não se paga pelas mercadorias, mas é preciso responder pesquisas. Enfim, uma forma nova, e me parece, mais barata, fácil e espontânea de fazer pesquisa de consumo. Depois conto mais sobre essa novidade em terra brasilis.

2Plus?

E-mail enviado no começo da noite da segunda-feira anunciou a saída de Paulinho Silveira da agência 3Plus, que reunia ainda Edo van Duyn e Luiz Eurico Klotz. A 3Plus continua tocada por estes dois últimos e mantém o nome, segundo o jornalista Camilo Rocha via twitter. Não se sabe (ainda) o motivo da separação do trio que fez entre outras a fama de Djs como Marky, Renato Cohen, Gui Boratto, Patife etc. e comandou o festival SkolBeats.

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moradores de rua de são paulo

Moradores de rua embaixo do minhocão, no bairro Santa Cecília

O caderno Cotidiano, da Folha de S.Paulo dessa terça-feira 1/6, traz como manchete a polêmica entre dar ou não dar comida e esmola pra moradores de rua. Os moradores do bairro Santa Cecília (centro da capital) decidiram que vão multar os comerciantes, ONGs e moradores que derem comida aos muitos moradores de rua que se acumulam debaixo do Minhocão, muitos deles vindo ultimamente da cracolândia, que fica ali por perto. Os subtítulos da matéria dizem: “Campanha para expulsar pedintes da Santa Cecília pressiona restaurantes”e “Estratégia do conselho de segurança do bairro é ameaçar quem doa alimento com visita da Vigilância Sanitária”.

O texto segue: “A maioria dos moradores de rua de São Paulo trabalha, ganha em média R$ 19,30 por dia e gasta com comida, bebida, cigarro ou droga. A pesquisa foi feita pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) encomendada pela prefeitura. (…) 66,9% dos moradores de rua ganham seu dinheiro trabalhando. As principais atividades: coleta de recicláveis, carga e descarga, além das funções de flanelinha e guardador de carros.”

Flanelinha não é profissão, mas uma forma de pedir esmola, que aliás me irrita muito, e a muitas outras pessoas que pagam impostos pra poder andar de carro e ainda tem de pagar esse imposto-esmola pra não ter o carro detonado. Fora os vendedores clandestino de bilhetes Zona Azul que loteiam as ruas e a prefeitura, polícia e CET não fazem nada.

Aqui onde moro, na quebrada entre Sé, Liberdade e Glicério, as ruas estão loteadas por vários “flanelinhas que vendem zona azul” e os mendigos são muitos. Esses últimos costumam destroçar os sacos de lixo espalhando muita sujeira, consomem crack na rua abertamente, defecam nas calçadas e às vezes imtimidam transeuntes. A prefeitura não faz nada, e isso que a Liberdade é um bairro turístico… Bom, até os donos de restaurantes jogam lixo nas calçadas do bairro. Uma miséria só!

A jornalista Beth Ferreira, que mora no Rio, diz: “esse imposto de renda desgraçado que a gente paga (eu pago uma barbaridade de IR), fora todos os outros impostos que estão embutidos em tudo que circula na nossa economia, deveria servir pra criar abrigos, promover controle de natalidade, educação e saúde pra todo mundo, aproveitando pra retirar esse povo das ruas. Não é promovendo a maldade que se vai resolver o problema da população sem teto.”
Concordo com a Beth que fazer o que a PM faz, como vejo regularmente da janela aqui de casa – spray de pimenta na cara dos mendigos quando não encontra nada de suspeito ou entrar na boca de crack e não achar nada, nem prender traficante algum -, não resolve nada e os nossos impostos vão parar nos bolsos e contas no exterior de muitos políticos que elegemos. É por essas faltas de políticas sociais que os moradores se revoltam e agem como o tal Conselho de Segurança da Santa Cecília, que vai anotar quais os restaurantes e lanchonetes que dão comida aos pobres coitados das ruas do bairro e depois vai convencer os comerciantes e não darem mais comida. E se o Conselho ver alguém dando comida vai chamar a Vigilância Sanitária, paliativo que na prática não vai impedir as doações de comida. Isso porque a Vigilância Sanitária diz que “não há problema nenhum em doar comida, desde que a refeição seja servida com higiene. O órgão costuma orientar restaurantes sobre como fazer a doação.”
O que importa afinal é que a prefeitura tenha políticas sociais definidas e que polícia, moradores, ONGs e órgãos do município trabalhem em conjunto e bem aparelhados para diminuir a população sem teto. Uma tarefa que parece bem difícil para essa prefeitura que hoje comanda a cidade.
Na semana passada li que a coleta seletiva em São Paulo está no gargalo, as empresas contratadas pela prefeitura para recolher o lixo reciclável têm de jogá-lo no lixão comum porque as cooperativas credenciadas que separam os dejetos não conseguem mais separar o enorme volume. Por que a prefeitura não licencia logo mais cooperativas? Isso poderia tirar mais gente das ruas. Mas como dizem alguns pesquisadores, nem sempre os moradores de rua querem sair daquela situação e cada um tem uma história diferente pra contar que o fez e faz viver nas ruas, desde droga até problemas familiares.
Informação no portal G1: “A prefeitura colocou números de telefone à disposição da população para solicitar acolhimento para moradores de rua nestes dias mais frios. Os contatos poderão ser feitos pela Central de Atendimento Telefônico Ininterrupto ao Munícipe Cape/Cati – 3228-5554, 3228-5668, 3397-8874 e 3397-8859; através do Coordenador Municipal de Defesa Civil (Comdec) – 199; pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SaMU) – 192 ou através do Serviço de Atendimento ao Cidadão – 156.”

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ygor marotta aka vj suave @ volta! kiridjinha @ bar volt

Grafite de Ygor Marotta

A reunião das festas Volta! – do DJ Spavieri, e kiriDJinha – do DJ Atum e minha, vai levar ao bar Volt o VJ Ygor Marotta. É a primeira vez que o bar de neons tem projeção. Ygor circula com seus vídeos, pinturas e desenhos entre São Paulo e Buenos Aires. Na capital portenha, ele costuma mostrar seus vídeos nos clubs Crobar e Cocoliche. Ygor é o autor da frase “mais amor por favor”, estampada em diversos lugares de São Paulo e que ganhou espaço em seus vídeos.

Os vídeos e performances do projeto VJ Suave estão aqui no Vimeo e no site oficial dele. [Alguém sabe como carregar vídeos do Vimeo no WordPress???] Leia a seguir entrevista de Ygor Marotta, e apareça no bar Volt (rua Haddock Lobo, 40) a partir das 20h30 desta terça-feira (20/4) para conferir a perfromance do VJ na reunião especial das festas Volta! e kiriDJinha.

1- Quando e como nasceu essa paixão pelas imagens?
YM- Recente, comecei a me interessar por “imagens” quando iniciei em 2004 a curso de design gráfico na FAAP, e quando me formei comecei a me interessar por arte, ilustração e outras vertentes.

2- Você prefere desenhar, pintar ou criar vídeos? Por quê?
Gosto de fazer vj pra colorir e alegrar a pista. Gosto de pintar tela pelo valor emocional que  ela me passa. Peço amor usando a pixação pra passar adiante uma mensagem para a grande metrópole. Um completa o outro, o pixo entrou pra balada, animado quadro a quadro e dando vida à frase que pede “mais amor por favor”, o coelho do sketchbook agora dança e pede um up pra galera da pista, e assim vai.

3- Como VJ Suave que tipo de trabalho você faz? É mais conceitual, experimental?
VJs Suave é um projeto de 2 pessoas. Trabalho pessoal meu e da minha argentina Ceci Soloaga. Nós discutimos uma idéia, eu desenho, ela anima e tocamos juntos em live set. O projeto é sem dúvida experimental, já que nasceu em janeiro de 2010 com a intenção de ser um trabalho divertido, livre e prazeroso de ser feito.

4- Qual tipo de música você curte para tocar, para projetar em cima, para escutar em casa?
Caí de paraquedas como DJ na festa do Volt, nunca discotequei, mas gosto bastante de música e sempre busco coisas novas. Gosto de eletrônico, idm, minimal e ouço bastante Bonobo, Air, Four Tet, Apparat, Dave Brubeck, Lali Puna, Radiohead, Monotax, entre outros.

5- Quais os DJs mais bacanas que você trabalhou junto projetando imagens? Por quê?
VJs Suave é um grande parceiro do selo de música eletrônica argentino chamado Igloo Rec.  Grande parte dos artistas do selo são nossos amigos e eles compõem música por amor. Quando dividimos a cabine, a projeção se une muito à música, criando – pessoalmente falando – uma peça audiovisual momentânea em harmonia.

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don’t forget your sunglasses

Era 1994, depois de passar três meses rodando a Europa, de Portugal à Grécia, não consegui mais suportar o clima provinciano da minha querida Florianópolis. Mudei para São Paulo e muitas portas se abriram diante dos meus olhos – e ouvidos. No começo de 1995 descobri o club Latino e o bar Gourmet, lá onde a rua da Consolação fervia nos finais de semana. Logo veio o Mercado Mundo Mix e o after hours Hell’s Club. Isso tudo pra dizer que ontem comemorou-se 15 anos de Hell’s Club com lançamento de DVD assinado por Daniel Zanardi, com trilha de Pil Marques e Thiago Salvione – em breve à venda nas melhores casas do gênero.

O tempo passou e de repente (1996) me deparei com DJ Mau Mau, conheci o cara no MMM e comprei seu primeiro CD (que ainda está na minha discoteca). Ouvi aquilo e pensei: vou descobrir o telefone dele e sugerir de fazermos um videoclipe. Nesse momento me joguei de cabeça na “cena eletrônica paulistana”.

Lembro dos chill ins no Gourmet e The Cube e depois a loucurinha pra conseguir entrar no Hell’s. As meninas – Adriana Recchi e Ana (posteriormente PetDuo) – eram implacáveis pra deixar o povo adentrar no lugar mais desejado da noite em São Paulo. Com alguns amigos, conseguia me jogar no porão do Columbia e ficar por lá ouvindo techno nas manhãs de domingo. O banheiro ficava invariavelmente inundado; muita confusão na chapelaria; eu não conhecia ainda os top clubbers e era um mero frequentador. Quando a luz verde inundava tudo e a fumaça me cegava, aí sim o techno assumia o controle da minha mente e do meu corpo. Os flyers grandes do Hell’s eram muito bons e sempre tinham aquela frase perfeita pra ocasião: “don’t forget your sunglasses”.

Mas voltando ao videoclipe, consegui o telefone do Mau Mau e sugeri de fazermo o tal videoclipe. Ele adorou a ideia e sugeriu a música “Noise3”, uma das duas de sua autoria no tal primeiro CD. Seria o primeiro videoclipe de um DJ! Mau também sugeriu que a amiga Marcelona fizesse parte do vídeo, e fez! Com a amiga de muitos vídeos Cláudia Erthal, parti para a produção. Marcelona logo indicou Alexandre Herchcovitch pra nos emprestar o figurino. Fomos ao depósito do Alexandre, na antiga loja na Alameda Franca, e nos deliciamos com as criações dele – tinha os tais vestidos de látex maravilhosos. Gravamos parte no meu apartamento no Copan, parte na Paulista e na frente no Hell’s, na rua Estados Unidos. Entramos com uma câmera Beta enorme e outra pequena Hi-8 no Hell’s. Lembro da Vivi Flaksbaun reunindo um povo pra aparecer no clipe – Marcelo Otaviano, Paulinho Silveira, Grace Lesada, Ana (& David) e outros – fizeram caras e bocas em frente a um banner com o símbolo do Hell’s. O Mau mal aparece no videoclipe, por incrível que pareça. Ele está bem desfocado no fim do filme vestindo uma camiseta amarela de plush do Alexandre. Mais umas cenas pela cidade – o indefectível túnel Ayrton Senna – e estava pronto o vídeo. O resultado tosquinho – mas sincero – do nosso olhar sobre aquela nova música está aí pra quem quiser conferir.

O tempo foi passando e fui conhecendo a tal “nação Hell’s”. Já me permitia dar uma passada na cabine pra falar com Mau Mau; sempre avistava a Paula (Chalup) e seus dreadlocks; o Pil na porta salvando a gente que não tinha carteirinha; a bicha das castanholas; Alma Smith gritando “tu é gay, tu é gay que eu sei”; Ana e David eram meus vizinhos no Copan e voltávmaos juntos de ônibus cruzando a rua Augusta ao meio-dia de domingo. Vestíamos roupas de nylon da Slam, óculos cyber, tênis supercoloridos e toda aquela loucura na cabeça. São essas as imagens mais bacanas que ficaram na minha cabeça dequela balbúrdia que mudou minha cabeça pra sempre.

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Drop Kick 26/08/09




Drop Kick 26/08/09

Upload feito originalmente por Fábio Tavares

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