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sssspray is in the book – keith haring

Ontem dei uma voltinha na Livraria Cultura – eu pessoalmente prefiro comprar e consultar livros pela internet do que na confusão da livraria real, mas enfim… Lá pelas tantas o Atum me mostrou um livro do Keith Haring: “Ah, Se a Gente Não Precisasse Dormir!” (Cosac Naify). Estávamos na seção infanto-juvenil da livraria. O livro tem aqueles desenhos impressionantemente simples de Haring; e de imediato associei que há pouco tempo muitos deles estavam expostos ali pertinho da Livraria, na Galeria da Caixa no mesmo Conjunto Nacional. Lembro que na mostra “Selected Works”, que você leu aqui, havia uma sequência de gravuras em serigrafia que formam um livro que Haring desenhou a pedido de um colecionador alemão para seus filhos. A série intitulada “The Story of Red and Blue” foi pintada em 1989 e é uma das últimas séries de serigrafias aprovadas pelo artista. Aprovadas mas não assinadas porque ele já estava bastante debilitado pelos sintomas da AIDS e não conseguiu nem assinar os desenhos.

E pra completar a minha nova fase spray-and-books cheia de coincidências, hoje recebi chamada da exposição de painéis com intervenções de artistas brasileiros em reproduções gigantes de páginas de “O Livro de Nina” (Cosac Naify), outra incursão de Haring na literatura.  “O livro da Nina para guardar pequenas coisas” foi feito artesanalmente por Haring para presentear Nina Clemente, filha do pintor italiano Francesco Clemente, em seu aniversário de 7 anos.

MZK, Presto e SHN são os responsáveis pelas intervenções que estarão expostos na vitrine da Livraria Cultura (no Conjunto Nacional) entre hoje e dia 24 de outubro. A iniciativa-homemangem é da própria Cultura, da editora Cosac Naify e da galeria Choque Cultural. Em breve outros artistas da galeria – Carla Barth, Carlos Dias, Jotape, Mariana Martins, Pjota e Speto – vão interagir com os desenhos de Haring em exemplares do livro, que também serão expostos na vitrine da Cultura.

Para abrir a exposição, hoje (segunda 4/10) às 19h, haverá um debate aberto ao público e gratuito sobre arte urbana e o legado de Keith Haring com os artistas MZK, Presto e SHN. É bom retirar senhas a partir das 18h30 na bilheteria do teatro, na Livraria Cultura.

O mais legal é que a edição brasileira de “O livor de Nina”, publicado em fac-símile, conta ainda com um depoimento exclusivo da própria Nina Clemente, 22 anos após ter ganhado o presente. E que presente, hein???

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feriado com arte; transfer + nosaj thing …

Capa do LP de bandas punk feita por Billy Argel

Vamos ver se com a cidade mais vazia consigo ir ao Ibirapuera conferir a exposição Transfer – arte urbana e contemporânea, transferências e transformações. Quando visitei a mostra Destroy and Create, dei uma olhada numa oficina de fanzines, tudo lá na Matilha Cultural, e me convidaram para conhecer uma pequena gráfica de zines lá na Transfer. Fiquei curioso com essa exposição que apresenta várias modalidades de street art no Pavilhão das Culturas Brasileiras (onde ficava a empresa de processamento de dados do Estado). O destaque é a coleção de shapes de skates desenhados por Billy Argel nos anos 80. E isso tem tudo a ver com o post anterior sobre as mostras Destroy and Create e Keith Haring Selected Works, que terminam nesse fim de semana.

Skates com desenhos clássicos de Billy Argel

A imagem que abre esse post, e que logo me lembrou o feriadão de 7 de Setembro que vem pela frente, é do paulista Billy Argel, um misto de skatista, artista plástico e músico punk. É, o cara é guitarrista da já lendária banda Lobotomia. Nos anos 80, Billy surfava e andava de skate, como muitos jovens ao redor do mundo, e foi nessa época que ganhou fama desenhando shapes de pranchas e skates. Estava lendo que ele também desenhou para grifes de street wear como Lifestyle, Mad Rats e Stanley.

E é claro que dá pra contemplar trabalhos de gente famosa do graffiti como osgêmeos, Titi Freak, Carlos Dias, Nunca e Speto entre muitos outros. Também estão expostas fotografias, fanzines e tudo mais que circunda o mundo da street art, sempre muito bem cotada em São Paulo.

A exposição Transfer vai até dia 12 de setembro, e está aberta entre 9h e 17h. Grátis!

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No sábado 4/9 – amanhã! – rola mais um delicioso sarau eletrônico nos jardins do MIS e MuBE. Dessa vez o produtor Marcos Guzman traz o DJ-VJ norte-americano Nosaj Thing para tocar no entardecer. Durante a última Virada Cultural a festa ao ar livre no jardim dos museus foi um dos melhores eventos, e tem tudo para repetir o sucesso amanhã. Além do gringo, tocam os DJs Tahira e Akin a partir das 16h até 21h. No domingo Nosaj Thing volta ao MIS e fará uma apresentação audiovisual no auditório, que promete ser beeem interessante. Às 19h de domingo, entrada R$10, com direito a meia-entrada.

“Nosaj Thing é um beatmaker e modulador, trabalha os ritmos com precisão para criar uma música futurista, emocional e experimental. Suas principais influências são os compositores clássicos Chopin e Erik Satie, produtores como Boards of Canada e a cena de hip hop da costa oeste norte-americana.” De quebra ele virou um remixador de sucesso, fazendo trabalhos para Radiohead, The xx, Beck, Charlotte Gainsbough e outros. Abaixo vídeo mostra como Nosaj Thing, ou Jason Chung, toca sua música experimental. Ou ouça os remixes e outras faixas no myspace dele.

A seguir, curta-metragem do diretor Dugan O’Neil com trilha de Nosaj Thing.

De quebra dá pra ver a exposição do fotógrafo Miguel Rio Branco, um dos artistas multimídia brasileiros mais destacados no mundo. A mostra inédita Maldicidade — Marco Zero é composta por fotografias, vídeos e uma instalação que formam uma construção poética de sua visão das metrópoles. São mais de 40 fotos, muitas inéditas, clicadas entre 1970 e 2010, com cenas urbanas dos quatro cantos do planeta. As obras expostas focam nos marginalizados, desfavorecidos, os abandonados das cidades modernas, numa estética trash e violenta.

A exposição fica até 31/10 e pode ser vista de terça a sábado das 12h às 19h e nos domingos das 11h às 18h. Entrada gratuita nos domingos e R$4 nos outros dias, com direito a meia-entrada.

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a arte e o skate

Esta é a última semana para conferir duas belas exposições de street art em São Paulo – a do artista pop norte-americano Keith Haring (na Caixa Cultural Paulista, no Conjunto Nacional, Avenida Paulista) e a coletiva Destroy and Create  com artistas nacionais (na Matilha Cultural, rua Rego Freitas quase rua da Consolação, Centro). Estive nas duas mostras e estou com vontade de voltar para apreciar mais uma vez as belas imagens. Essas duas exposições tem algo em comum – a junção da street art com o skate.

Destroy and Create apresenta shapes de skates pintados por 11 artistas urbanos, além de vídeos, fotografias, objetos e a escultura skatável “Vênus” no meio da galeria pro povo treinar algumas manobras indoor enquanto aprecia as obras de arte. Os shapes foram pintados e depois usados por skatistas, o que dá um outro sentido aos trabalhos muito bem apresentados na montagem da exposição. Dá pra ver o shape usado e detonado e a pintura sem os arranhões do uso lado a lado. (Abaixo imagens antes-e-depois de obras de Barnero e Sésper.)

Na super exposição de obras de Keith Haring, um dos grandes nomes da arte pop dos anos 80, notei que há dois shapes pintados por ele em exibição. Esse é o link com Destroy and Create, a street art e apropria do shape de madeira dos skates. O skate como obra de arte ou como suporte para a pintura. Haring foi grafiteiro e andava pelas ruas de Nova York pintando seus reconhecíveis bonequinhos (como o da foto que abre este texto) inclusive em rampas de skate. Pintou vários shapes também e aqui em São Paulo tem dois belos exemplares em exibição, no segundo andar da galeria. Hoje em dia é impossível pensar num skate sem pensar na ilustração que ele carrega.

Um dos skates pintados por K. Haring que está na mostra paulistana até o final de semana

Acima, pista pintada por Keith Haring; abaixo, shapes da mostra Destroy and Create antes de serem detonados nas ruas da cidade.

Skate nas telas – Na Matilha Cultural rolam vídeos sobre skate numa boa sala de cinema, que complementam a explosição. Grátis! Sessões às 15h e 20h. São dois filmes estrangeiros bancados pela Adidas Skateboarding – “Rolling London” e “Diagonal”, e um nacional sobre a exposição – “Destroy and Create”.

Deixo como dica televisiva pros apreciadores da arte de andar de skate o programa Skate Paradise, dirigido pela Helga Simões. O programa vai ao ar no canal ESPN nas terças às 14h, com reprise à 1h da madruga. Ou clicando aqui pra assistir no Vimeo.

Visita guiada na Destroy and Create – No sábado às 15h rola uma visita guiada pelo curador Lucas Pexão. Estão confirmadas as presenças de skatistas do time da Adidas, artistas e fotógrafos participantes da mostra. A visita guiada vai até às 17h.

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o sabor dos anos 80

Você nem imagina – Pra começar bem a sexta-feira, aqui vai a música “Teu Inglês” que fechou o show da banda Fellini ontem. Não resisti e acabei comprando, no final do show, o vinil do segundo álbum da banda, “Fellini só vive 2 vezes”, que eu cultuava aos 19 anos lá pelos meados dos anos 80. Aliás, Fellini acabou de gravar novo disco, que se chamará “Você nem imagina”, a ser lançado entre final de agosto e começo de setembro com capa do truta Fábio Spavieri. A banda está ensaiando há algum tempinho e Thomas Pappon largou Londres e está direto em São Paulo com esse novo projeto da banda.

E tenho dito – Antes do show foi jantar no delicioso Dalva e Dito. Como sempre, comida e atendimento de primeiríssima qualidade, tudo regido pelo chef Alex Atala. Na outra vez que estive lá comi um delicioso pirarucu e ontem fui de camarões com creme de mandioquinha. Esse foi o prato principal, antes provei uma salada de tomates com cebola e cavaquinha (peixe) num molho delicioso, e de sobremesa foram três bolas de sorvetes bem brasileiros – tapioca, umbu e papaya com pitanga!!! Tudo divino, maravilhoso! Aliás, o cardápio do Dalva e Dito faz a linha feijão-com-arroz, ingredientes brasileiríssimos de todas as regiões do país muito bem combinados e apresentados. Tem desde frango assado de televisão até moqueca de camarão, de polvo pururuca a salada de palmito com camarão. Com toques regionalistas, Atala criou um cardápio que inclui alimentos triviais nacionais com sabor de feito-lá-em-casa. O site ainda não está pronto, então segue o endereço do restaurante Dalva e Dito: Rua Padre João Manuel, 1115 – Jardins – São Paulo; telefone 3062-0238. E é bom frisar que os preços são honestos para o bom serviço que o restaurante presta.

As gostosas e brasileiríssimas pimentas do Dalva e Dito

Minha sobremesa: sorbets de sabores nacionais

Street pop art – Inaugura amanhã a super exposição “Selected Works” do artista norteamericano Keith Haring na Caixa Cultural, na Avenida Paulista. Haring é um dos ícones da pop art dos anos 80, frequentador da Factory de Andy Warhol, amigo de Basquiat e ativista da causa da Aids (como pode-se ver na imagem acima), que vitimou sua morte em 1990. Haring esteve no Brasil algumas vezes e pintou por aqui também, como dois painéis em Salvador.

Basquiat e Haring, em 1987

A mostra terá 94 obras nunca vistas no país e diversos itens pessoais do artista. O período expositivo em São Paulo é de 31 de julho a 5 de setembro na Caixa Cultural Paulista (no Conjunto Nacional). Depois, a exposição segue para a Caixa Cultural do Rio de Janeiro, entre 28 de setembro a 14 de novembro. Há chance da exposição chegar a Salvador, onde existem dois raros painéis de Haring, um deles necessita de restauro, plano que consta do programa da exposição.

Haring elaborou muitos murais públicos em prol dos direitos civis, caridade, hospitais, creches e orfanatos. Em 1989, foi diagnosticado com HIV e fundou a Keith Haring Foundation no ano seguinte para apoiar campanhas de prevenção do HIV e programas infantis. No Brasil, a Fundação está organizando programas educacionais sobre prevenção do HIV em parceria com a ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e APTA (Associação para Prevenção e Tratamento da Aids).

Warhol e Haring

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