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my essencial clubbing weekend in berlin (2007)

Esse texto foi publicado originalmente na revista DJ Mag brasileira em janeiro 2008, e foi escrito em dezembro de 2007. Estou republicando agora porque o número de acessos a outro texto sobre o club Berghain está com muitos acessos aqui, então aqui vai mais um pouco sobre clubbing em Berlim.

A contracultura da Berlim ocidental, cultuada por David Bowie e Wim Wenders, mudou-se para o leste. Lá onde o comunismo era encoberto pela cortina de ferro política e pelo muro físico que dividiu a capital alemã, instalam-se modelos da cultura globalizada. Galerias de arte, produtoras musicais, bares, cafés, ateliês, estúdios, selos fonográficos, brechós e a imaterialidade da internet; estão todos lá entre os distritos de Mitte, Friedrichshain e Kreuzberg. A parada obrigatória do metrô agora é Alexanderplatz com sua imponente torre de comunicação, e não mais a ocidental Zoologischer Garten (ou apenas Zoo) onde Christiane F se drogava e se prostituía nos anos 1970. Desde que os 47 quilômetros do muro que separavam capitalistas e comunistas desabaram em 1989, a cidade vem experimentando uma reviravolta cultural que culmina nos primeiros anos do novo milênio e que deve durar até o começo dos anos 10 do século 21. Centenas e centenas de artistas – principalmente DJs e produtores – migraram para a cidade, que hoje é conhecida como capital mundial da música eletrônica.

Numa quinta-feira à noite cheguei a Berlim. Zero grau com certeza. Vinha de Bremen com DJ Atum que havia se apresentado em Amsterdã dias antes. Fomos direto para Friedrischshain encontrar Ferri Borbás, produtor e manager do selo digital Autist e nosso anfitrião. Conheci Ferri via Skype, coisas da aldeia global. Poucas horas depois da nossa apresentação presencial já estávamos fervendo no moderno bar Sanatorium, um dos preferidos do povo da região oriental e atual trendy da capital alemã. O primeiro convite nessa essential clubbing trip foi para conferir Anja Schneider no club Weekend no sábado. Seria o início da residência mensal do selo Mobilee, da própria Anja, no Weekend. Antes de dormir recebo mensagem de Holger Zilske, o homem por trás do projeto Smash TV que tocou no Brasil duas vezes. O convite era para ir ao club Watergate conferir a performance de Ellen Allien no dia seguinte. Dormi com os anjos.

Ir a Berlim para ouvir, dançar e entender o techno criado lá não é só ficar na jogação. Na sexta-feira pela manhã já estava na mítica Alexanderplatz, ponto nevrálgico da cidade que fica no antigo lado oriental. Na saída do metrô, ergue-se a fantástica torre de comunicação de mais de 300 metros de altura e com um imenso globo espelhado espetado no centro. Alexanderplatz é uma imensa pista de dança! Daí vale um passeio em direção ao Portão de Brandemburgo, passando antes por uma série de museus, avenidas e palácios até o Tiergarten. A grandeza urbanística equipara-se ao poder econômico-científico-artístico germânico. Entendi ali um pouco mais sobre o povo alemão. O néon com a frase “All art has been contemporary”, que está atualmente na fachada do Altes Museum (Museu Velho), polemiza com o conteúdo da casa, um valioso tesouro de peças egípcias da antiguidade. Novo e velho são um só em Berlim, neon-art e arte egípcia, igrejas góticas e prédios modernos, jovens dançando ao som de minimal techno em antigos redutos comunistas.

Party people – Sexta-feira à noite. Em Friedrischshain começa a agitação atrás das festas mais badaladas. Cada um fala uma coisa, mas o convite já tinha sido feito: Ellen Allien @ Watergate. Dentro do club encontramos Holger Zilske já contando novidades sobre o novo álbum de Ellen, que estão produzindo em parceria e deve sair em abril. Pouca coisa tinha sido feita e Holger já estava participando de outros projetos e (tentando) compor suas próprias tracks. O club Watergate fica na beira do Rio Spree, a pista inferior está na altura da água e uma imensa ponte medieval se ergue bem em frente. No andar de cima, a iluminação movimenta milhares de leds e os ansiosos pela chegada da musa do minimal e dona do selo BPitch Control. Ellen não demorou a aparecer com dois roadies carregando pesados cases, pediu licença ao DJ Daniel Bell (que fez um set correto para aquecer o povo) e começou a esmerilhar pérolas do tão elogiado estilo minimalista do BPitch Control. A DJ se divertia em sua terra natal, homenageada por ela nos álbuns Berlinette e Stadtkind. O que ela tocou? Não sei dizer títulos de músicas ou rótulos de gêneros, mas meu corpo e meu espírito agradeceram por estarmos lá.

A jaca berlinense rola mesmo é de sábado para domingo. O vento frio cortava a noite e a gente ía se aquecendo pelos bares esfumaçados do Mitte até chegar ao Weekend, no topo de um edifício de 15 andares em Alexanderplatz. Era a primeira festa mensal do selo Mobilee no Weekend e a convidada não poderia ser ninguém menos que Anja Schneider, dona do Mobilee e de um sorriso simpaticíssimo. Ela fez um set animado, o povo gritou, a DJ acelerava no minimal indo cada vez mais para o techno sem perder o rebolado e o charme, e inserindo pitadas housy. Noutro dia, Anja me confessaria – “acho que meu som passou de algo housy para um lado mais techno, mas não gosto dessas definições de estilos, afinal é tudo house”. Mas nem todos concordam ou concordariam com ela, como o produtor Paul Brtschitsch que tocou ao vivo, logo depois dela, um techno mais pesado e energético, porém não menos minimalista. Guarde bem esse nome estranho, Paul Brtschitsch. Em Berlim ele é considerado um novo prodígio da eletrônica. Depois de parcerias com André Galluzzi e alguns EPs elogiados, Paul está atualmente compondo com Holger Zilske para um novo live p.a. e produzindo o álbum de Anja Schneider.

Mobilee / Autist – “Não gosto de decidir tudo sozinha. É ótimo que o Paul esteja comigo produzindo meu primeiro álbum”, confessa Anja Scheneider. “Sempre preciso de alguém ao lado quando estou produzindo, primeiro porque não tenho tempo para saber os segredos e truques da parte técnica, e também porque preciso de alguém para dizer se devo continuar ou parar tudo. Preciso de opiniões diferentes para decidir em conjunto”, explica. A grande jogada de Anja nesse empreendimento é o retorno pessoal. “A melhor coisa em trabalhar com jovens talentos é poder vê-los crescer e então receber de volta uma energia fundamental”, filosofa a DJ.

Uma das crias mais queridas do Mobilee é a dupla Pan-Pot que lançou em outubro o álbum “Pan-o-rama”, primeiro álbum da dupla e do selo. Tassilo Ippenberger e Thomas Benedix são muito bem-tratados por Anja na nova sede do Mobilee, no meio do moderno e descolado distrito Mitte. No estúdio, a dupla tem tudo o que precisa para criar climas pesados e dançantes, como para o remix do primeiro single do primeiro álbum da patroa, que tive o privilégio de ouvir em primeira mão. O single deve sair entre janeiro e fevereiro, e o álbum chega ao público em maio. Outros nomes que lançam no Mobilee e no subselo Leena são Jennifer Cardini, Sebo K, Exercise One, GummiHz, Holger Zilske e Marco Ressman.

Enquanto o Mobilee tem sede com estúdio e lança vinis (e alguns CDs e mp3) todos os meses, o selo Autist existe apenas na rede lançando faixas digitais. “Os arquivos digitais são o suporte mais apropriado para o século 21, e no mundo do techno é tudo muito rápido e não dá pra ficar esperando meses pela prensagem de um disco”, argumenta Ferri Borbás, manager do Autist. O selo se sustenta linkado a comunidades virtuais para divulgar os EPs virtuais que são vendidos em vários sites. Colaborações com videoartistas e cineastas também é boa moeda de troca. “Gastasse pouquíssimo e o resultado é garantido”, afirma.

O destaque do Autist é o produtor Boris Brejcha de apenas 22 anos e que vive isolado em uma pequena cidade no sudoeste da Alemanha. Sem contato direto com a eletricidade clubbing de Berlim, Boris cria o seu “freak modern electro techno” em casa e faz dancinhas malucas (procure no MySpace!) para testar se a música é boa para a pista. Em janeiro ele vem ao Brasil para algumas apresentações! Uma boa maneira de fugir do inverno europeu.

A neve – Lá do alto do Weekend a vista é incrível e para meu deleite a neve começou a cair pouco antes de Anja terminar seu set. Estupefato pela neve, pelo drink de vodca com pepino e pelo som, não podia ainda imaginar o que seria o Berghain / Panorama Bar. A neve caía silenciosamente sobre Alexanderplatz quando pegamos um táxi para o Berghain, templo do techno e da loucurama berlinense. Na neve, o povo gritava para entrar enquanto enfrentava uma longa fila às 5h matina. Todos migram para o Berghain nessa hora, quando os outros clubs fecham. Lá dentro a principal regra, estampada bem na entrada, é: “cameras are not allowed”. Melhor assim!

O Berghain e o Panorama Bar ficam em uma velha usina de energia elétrica, em Friedrischshain. Berghain é a pista principal, o techno é o som, Ben Klock é o DJ residente, o pé direito é imenso e em várias darkrooms se faz exatamente tudo em termos de sexo. O Panorama Bar fica na parte superior do prédio e o clima é mais relaxado, em termos musicais é claro. Batidas mais minimalistas e mesmo houseadas movimentam uma turba em constante jogação. Ferveção pouca é bobagem! O mix de estilos e comportamentos é absurdo, parece que todos os grupos sexuais, raciais, musicais, fashionistas estão ali representados. Ecletismo democrático, liberdade desenfreada, hardcore sexmachine, fucking techno.

Naquela noite/manhã os franceses Joakim (dono do selo Tigersushi) e Chateau Flight mais o canadense radicado em Berlim Konrad Black se revezaram na cabine de som do Panorama. Como parar de dançar? Todos corriam entre um techno minimalista e dançante, grooves tímidos e trechos mais experimentais. Uma levada mais house à francesa complementava o ambiente. O Berghain / Panorama é onde o povo que estava em outros clubs se encontra, é onde se comenta das festas, bebe-se pencas e dança-se até domingo à tarde. O Berghain fervia ao meio-dia quando da pista brindamos com Ben Klock suas últimas tracks. Logo estávamos conversando e ele me olhava serenamente enquanto eu confessava que aquele era afinal o club mais incrível do mundo no qual já estive.

P.S.: Só pra lembrar, o bafo é tão forte no Berghain / Panorama que nem o club tem fotos de divulgação. Só mesmo na minha memória…

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bingo spmoon niko schwind

Niko Schwid - Press (bw)

Niko Schwind

Semana cheia, muita correria. Acabo de saber que o D-Edge apresenta no sábado 31/10 o DJ alemão Niko Schwind. Ele esteve por aqui em fevereiro e tocou nos clubes Vegas (SP) e Dama de Ferro (Rio) com o público enlouquecendo com seu techno groovado, com um pé na house. O retorno de Niko coincide com o lançamento do seu primeiro álbum, The Autistic Disco (Autist Records), que virou hit nos sets de DJs como Oscar Bueno, Renato Lopes e Atum. Você deve ter lido sobre o álbum aqui no blog +1teko mesmo, e sobre a primeira turnê brasileira do alemão aqui também. Mas a surpresa mesmo é o EP que sai dia 16 de novembro pelo selo Stil vor Talent, do DJ Oliver Koletzki. O disco já aterrissou aqui no meu computer é já estou achando melhor que o álbum, isso por causa dos grooves house e da pegada menos minimalista. Niko me disse há pouco via skype que esse EP define melhor o seu estilo musical, pelo menos atualmente. Imperdível o set dele no D-Edge nesse sabadão!!! Via inMinimax, selo do DJ Gabriel Boni, Niko ainda se apresenta em festas em Londrina-PR (30/10), Campo Grande-MS (6/11), Cuiabá-MT (13/11) e Tangará da Serra-MT (14/11).

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Ricardo, Geanine e Paulo = Stop Play Moon

Ontem (26/10) estive na MTV acompanhando a apresentação da banda Stop Play Moon ao vivo no programa Acesso. A banda está cada vez mais madura e em shows maiores, e mesmo na MTV, eles são acompanhados de mais dois músicos (no baixo e guitarra). O grupo se apresentou no Oi Fashion Rocks, no Rio (24/10), tocando no desfile de Alexandre Herchcovitch. Ao Rio, aliás, eles têm ido muito pra gravar o primeiro disco, que sai no primeiro trimestre de 2010. Mais sobre o grupo na Mixmag #2 que sai na metade de novembro. Fiquem ligados!

bingo_set

E amanhã – quarta 28/10 – a amiga Lalai resolveu armar um bingo dançante no bar Volt. Adorei a ideia e vou me jogar nessa! Diversão garantida e com direito a prêmios!!! A jogatina começa às 21h e todos terão direito a 3 cartelas, e não paga nada pra entrar ou jogar. E o melhor de tudo é que tem vários prêmios bacanas, desde convites pra festas, garrafa de champanhe, óculos, corte de cabelo (sacanagem com os carecas, né?), revistas e o grande prêmio é um final de semana com direito a acompanhante na Pousada Finca Espírito Santo, em Ubatuba!!! Ah! E vai ter muito broken beats nos spkrz por Lalai & DJ Mulher e DJ I’m the Machine.

BINGO!!!

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niko schwind – ‘the autistic disco’ – autist rec

O primeiro álbum de Niko Schwind é uma viagem pelo underground fervilhante de Berlim. Baixos possantes, vozes e synths bem colocados, minimalismo cheio de groove, pitadinhas de levada house. O estilo refinado do produtor culmina agora com essas 10 faixas que têm tudo para balançar desde Alexanderplatz até as nossas praias (Niko volta ao Brasil em novembro). Os remixes de ANNA (projeto mais techno de Boris Brejcha) e Channel X são bons momentos deste álbum. Niko está em ascenção e recebe atenção de top DJs/produtores, como Oliver Koletzki que está lançando um EP de Niko pelo seu selo Stil vor Talent e Renato Lopes que já o entrevistou na Rádio Smartbiz e o rankeou em seu último chart. A arte da capa é muito boa, melhor ainda enquanto capa da edição limitada em vinil. Fique de olho também no projeto Tarifbereich_B, com Niko e Click Click! Presta atenção!

Se joga: Niko no myspace, selo Autist no myspace, selo Stil vor Talent

Download recomendado: ’Fly’(Channel X remix), ‘The Autistic Disco’, ‘Kazoo’

Como este, ouça: Boris Brejcha, Oblivion, ‘Apollo EP’, Vitor Munhoz, Inminimax Records, Kassette

tunes capa Niko Schwind

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autist an brasil

niko-schwid-press-bw2Faz pouco mais de um ano que estive pela primeira vez em Berlim. Lá fui recebido por um amigo a quem fui apresentado via skype. Logo descolei onde ficar na capital alemã e conheci um monte de gente bacana, a começar pelo Ferri (ou m_ferri) que me recebeu e que comanda o selo Autist. Muito papo, muita troca de informação, muita jogação na noite berlinense e eis que conheci Niko Schwind (na foto), produtor da linha minimal experimental techno. Agora ele está no Brasil para tocar em duas noitadas – domingo 22 no Vegas (SP) e sábado 28 no Dama de Ferro (Rio).

Para minha surpresa, pouco antes de Niko aterrissar em São Paulo saiu a revista Goma com duas páginas com top DJ Renato Lopes que escolheu entre suas faixas/discos favoritos o EP Apollo, que Niko lançou pelo Autist recentemente. As quatro faixas variam na linha minimalista, bem ao gosto de Berlim, com alguns grooves e certa placidez para ficar leve na pista de dança. Niko deu uma boa entrevista para o site Fiberonline, que está fora do ar durante o carnaval por problemas técnicos. Mas Niko conta que começou ouvindo hip hop e punk rock e em 2001 mudou o rumo para a música eletrônica.

Niko é um dos quatro artistas exclusivos do selo Autist ao lado de Anna (projeto do descolado produtor Boris Brejcha que já tocou no Brasil), o novaiorquino Chatterbox e a dupla paulista Oblivion. Agora em 2009 Niko lança faixas novas sob as alcunhas Robert Sado e Tarifbereich_B (projeto com o produtor Click-Click pelo Kassette Rec), e ainda o seu primeiro álbum, Autistische Züge. Este sai em maio em formatos digital e vinil. Por falar nisso, o vinil está virando um item de colecionador ou um artigo chic, um dispositivo de qualidade sonora. Luxo! E agora muita gente vem lançando edições limitadas. E mais!!! A falida fábrica de vinis na Baixada Fluminense deve voltar a funcionar este ano!

Em São Paulo, Niko toca no domingo de carnaval (22/2) na festa Caravana da Coragem no Vegas Club. Ele se apresenta na pista Basement antecedido por Pil Marques. Na pista Lobby tocam Glaucia++, Hero Zero (cebeça da festa) e Julião. No Rio de Janeiro, ainda não saiu a escalação dos DJs que acompanham Niko no sábado (28) da semana que vem. Vale a pena conferir o som de Niko porque ele faz parte da novíssima geração de produtores/DJs de Berlim que já está mudando a cara do minimal techno que domina por lá.

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curtas eletrônicas – duos

Alê Reis e João Lee passam a assinar como Dubshape e lançam EP pela Kompakt em setembro. Uma faixa já faz parte da coletânea Total 9 (CD duplo) que tem vários medalhões do techno minimalista (e não só isso) como Gui Boratto, DJ Koze, Supermayer, Matias Aguayo…

A dupla Oblivion (que já falei aqui e aqui ) virou mesmo residente do selo berlinense Autist e vai lançar faixas em vinil (o que não rolava) e digital. Fim do ano o manager do selo, Ferri Borbás, vem ao Brasil, possivelmente com o produtor revelação Boris Brejcha, pra festas especiais do Autist. Que obviamente inclui o Oblivion no line up. Logo eles devem tocar em Berlim.

O projeto Glocal, dos produtores cariocas Lennox e El Sou radicados em SP há um ano, lançou um álbum (ou EP?) digital de remixes de músicas deles feitos por outros produtores. Saiu pelo selo deles Chaosmopolitan Views. Agora em setembro lançam EP pelo selo do alemão descolado aqui nessas bandas D-Nox, que vem ao Brasil por agora e leva na bagagem as faixas pra masterizar na Europa.

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lá vem o brasil descendo a ladeira

O mundo tá vindo abaixo aqui em casa. Tenho de ouvir ao mesmo tempo new wave, minimal techno, nu-house e electrinhusssss… Primeira coisa é tirar da frente o texto sobre o novo disco do B-52’s pro site www.rraurl.com. Nem vou falar mais nada porque você confere amanhã lá no rraurl mesmo, né? Prometi resenhar os primeiros álbuns de Anja Schneider e Martin Eyerer aqui no +1 teko em primeira mão… já, já! Péra um pouquinho…

 smash-tv.jpg Smash TV

Semanas atrás recebi as duas faixas do EP Locomotive Breath do Smash TV, ou Holger Zilske (excelente host de baladas em Berlim!). Ele me enviou também as faixas de outros dois EPs que comentarei por aqui em breve. E agorinha chegou a newsletter do BPitch Control anunciando o lançamento do disco hoje segunda-feira 17/3. As faixas são Locomotive Breath e Breath Me. Esmiuçando rapidamente… Aquela sonoridade de Autobahn (Kraftwerk) que faz a gente viajar é a propulsão de Locomotive Breath. Só faltou o piuíííííí pra sair correndo atrás do trem, porque a sensação da música é realmente das lufadas da maria-fumaça. Existe uma continuidade que se estende nas notas até sair em fade. É como se o som passasse e ficássemos ouvindo o zunido. Mas a faixa tem quebras também, o que facilita a vida do DJ, já que faixas como essa são pensadas assim, para o DJ experimentar pontos diferentes para mixar. Em Breath Me, Holger é esperto ao usar a mesma sonoridade de locomotiva em movimento no começo da música. Menos fluída, a faixa tem momentos de suspense e suspensão. A respiração humana não é como a da máquina. As camadas graves e agudas ganham intensidade e sobrepõem-se. Ou deslizam lado-a-lado… A sensação é de um techno que ganha diversidade ao beber no minimal e em Detroit, e ainda andar pelos trilhos do Kling Klang (o estúdio do Kraftwerk de Düsseldorf).   

 cover_at061_700x700.jpg capa de Sao Paulo do Oblivion

Outro que parou aqui na estação foi o segundo EP da dupla brazuca Oblivion pelo selo Autist Records, de Berlim. Sobre ambos já falei aqui no +1 teko. Na DJ Mag Brasil atual tem matéria sobre Berlim na qual conto do Autist e dos caras por trás do selo, e no próximo número que sai ainda em março tem matéria sobre Oblivion. Vamos ao EP Sao Paulo do Oblivion. O manager Ferri Borbás foi bem esperto em usar o nome do Estado e as cores da bandeira pra forçar a mão no live act de Vitão e Bruno, de Americana (SP). Assim o selo ganha outro continente e sotaque, mesmo que esse esteja na linha minimalista bem à moda alemã. [Mas já sei que um produtor de Brasília também lança em breve pelo Autist. Confirmarei aqui!]

Sao Paulo traz cinco faixas, duas são remixes – Bones, FadetoMarche nas versões original, Boris Brejcha Remix e Michael Knoop Remix. A primeira faixa vai pelo lado techno quadrado mesmo, sem muitas concessões. Fadeto é mais dinâmica e tem um ótimo grave e pedaços de voz que parecem dizer “oblivion” e “techno”. Infelizmente a faixa é bastante longa e não foi ela a eleita para os remixes, que poderiam dar cortes mais precisos. A música Marche é da linha diagonal absurda, cheia de climas e suspenses e quebradas e camadas. Pesada na versão original, ganha leveza no ótimo remix de Boris Brejcha, também conhecido pelo pseudônimo ANNA e que toca com Oblivion entre abril e maio no Brasil! Boris dá uma arredondada na melodia com linhas instrumentais mais agudas, o que deixa a faixa click-dançante. E o remix esquema techno pop de Micheal Knoop não inspira maiores comentários.

Cansei de inventar adjetivos e adjetivações pra tanta música…. pausa para meditação e o retorno ao B-52’s… que aterrissa amanhã no Rraurl. Bon voyage!      

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oblivion

oblivion.jpg vitor+bruno = oblivion

Depois de voltar de Berlim, em dezembro, conheci dois caras de Americana, interior de São Paulo, pelo myspace. Eles estavam lançando seu primeiro EP digital por um selo alemão, que por coincidência, é o Autist do querido Ferri Borbás, meu anfitrião na capital alemã. Mundo pequeno, hein? Bruno e Vítor, os caras de Americana, formaram o live act Oblivion e ensaiaram durante 2007 inteiro. Estrearam dia 15 de novembro na rave Vertentes. No dia 14 de dezembro já estavam lançando quatro faixas, que formam o EP digital “Field Test”, pelo Autist. O som deles? Minimal techno de qualidade! hahahaha (adoro esse texto “música eletrônica de qualidade”, não pode haver expressão mais sem sentido que essa!) É o minimal invadindo as raves paulistas!

Numa noite dessas conversei com Bruno (Oblivion @ Delux.e : Sábado) e Vítor (VITOR @ OBLIVION) pelo msn. Rimos muito, eles me passaram umas (ótimas) faixas inéditas, contaram como o Oblivion nasceu e sobre a cena do interior de São Paulo. Em tempo, Oblivion em inglês siginifica “esquecimento”, mas também é o nome de um jogo de RPG que virou game para Microsoft Windows, Xbox 360 e PlayStation 3. E o Bruno participava de um grupo de RPG. Haja!

IVI diz: eu tenho aqui umas faixas de vcs que baixei…

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: por enquanto a gente manda o q tem =], mas qdo os alemão lá põe a mão o negócio dae fica baaaaam memo heheheeh =]

VITOR @ OBLIVION – diz: O Ferri da dando uma puta força memo

IVI diz: como vocês chegaram no ferri e no selo autist?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: foi muito massa, conta ai vitaum

VITOR @ OBLIVION – diz: Uma dia eu fiquei umas 30 horas fazendo som. Sairam 2 sons de uma vez. Criei coragem pra mandar pra algum selo.. escolhi a Autist por ser o que eu mais gostava mesmo. Enviei o e-mail sem muita esperança na verdade… mas em meia hora o Ferri ja respondeu e começamos a conevrsar sobre um EP de 4 tracks

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: autist era um selo bem querido por nós.. queriamos ver os defeitos q eles apontariam

IVI diz: por que autist? que tipo de som vcs curtem pra escolher o Autist?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: anna foi paixão a primeira escutada

 IVI diz: ANNA é tudo mesmo!!!

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: o vitor foi meu aluno ano passado, na época ele trampava na ibm, e fazia o curso de dj comigo uma vez por semana. dae ele apareceu com um “som novo”, eu já tocava minimal, mas ainda naum conhecia autist. sempre fui fã da minus… john gaiser, magda etc. dae eu adorei a track e ja peguei pra min também

VITOR @ OBLIVION – diz: Bpitch!

-Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: dai o vitor largo o trampo, abandonou a ibm e foi fazer facul no anhembi morumbi. como chama o curso vitao?

VITOR @ OBLIVION – diz: Produção Fonográfica

IVI diz: sei, é colega da Cuca Pimentel…

VITOR @ OBLIVION – diz: Issso

IVI diz: e aluno do Magal

VITOR @ OBLIVION – diz: tambem!

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: pra vc ter uma ideia no primeio mes de aula ele ja comprou um par de denon, um mixer e fone. dae pra frente foi só loucura heheeh

IVI diz: mas como vcs se juntaram pro oblivion?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: na época q ele foi fazer aula comigo eu estava pra fazer um live com o glen, que foi com quem eu aprendi. dai ele tava enrolando muito e o vitão tava no aguardo desse live e a gente acabou meio assim: “quer saber, vamos fazer nós mesmo  live”. o glen é um dj amigo nosso

IVI diz: o professor e o aluno. E daí viraram oblivion…

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: mas o vitor ja produzia antes de ser dj

IVI diz: e vc era dj antes de ser produtor

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eu era. a gente curte muita coisa em comum. minha história como dj eh curta e intensa ehehe

VITOR @ OBLIVION – diz: Já eu sempre produzia… mas não tocava

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: a gente eh meio ying e yang

 IVI diz: o que vc produzia vitor

VITOR @ OBLIVION – diz: Na verdade é dificil denominar o estilo.. Eu sempre me considerei em faze de experiencia… saia todo tipo de mistura. Mas acho que no fim das contas o negocio era techno mesmo

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: até db ele já fez ehhehe

VITOR @ OBLIVION – diz: auhuhauhauha

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: dub

IVI diz: mas o que mais te chamou a atenção no começo que tipo de som vc ouvia? e vc bruno tem um som que sempre te despertou mais?

VITOR @ OBLIVION – diz: Eu ouvia o que o Bruno e o Glen tocavam.. o Bruno alem de td me ensinou a ouvir…   logico que sempre tive paixao por Pink Floyd e esse tipo de coisa mais deepIVI diz: e eletrônico? vc curte rock e coisas assim?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eu andava com  pessoal do r.p.g. e achava q curtia rock, não que naum curta , eu tenho ouvidos pra tudo eheheh, mas logo qdo conheci o glen na escola percebi q não estava sozinho no mundo. Aki (em Americana) eletrônico nunca foi tão acessivel como é hoje. comecei indo em baladas club

IVI diz: mas faz qto tempo isso?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: qdo tinha algo diferente aki era festa gls ou rave de hard techno. Faz uns 6 anos mais ou menos

IVI diz: e vcs íam nessas festas?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: nos ultimos 3 anos a cidades viu o boom do eletrônica mais conceitual. eu comecei a ir a uns 4 anos no máximo

IVI diz: nessas raves e festas?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: mas com a  popularização da net, ficou facil

IVI diz: quais as idades de vcs– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: 25

VITOR @ OBLIVION – diz: 21

IVI diz: com a internet vcs se enfiaram no minimal ou ele veio antes pra vcs via raves que agora têm tendas de minimal e electro?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eu procurei o minimal pq eu realmente me empapussei da sawtooth

VITOR @ OBLIVION – diz: uauhauha Eu axei o minimal atraves do Bruno mesmo

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: o electro chegou aki e dominou. De repente só se ouvia electro. e o povo nem sabia quem era fischerspooner. Ouvia kraftwerk e enchia a boca pra fala electro. dae eu procurei alguma coisa menos uplifting mainstream explosion

IVI diz: tipo gigolô?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: gigolo pra min é lindo perto desse nu electro. adoro as bandinhas new rave também , sem problemas, como isse ouço de tudo, mas paixã é pelo som dark.

IVI diz: qto tempo tem o oblivion? já se apresentam por aí né?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: nós vivemos um delay de outas cenas. Nossa primeira aparição foi em 15/11/2007. Estreamos na Vertentes, tocamos no kraft

IVI diz: mas antes vinham ensaiando com o obJetivo do live, foi por qto tempo?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: o ano todo

IVI diz: estrearam ao vivo e logo estavam lançando o ep digital pelo selo de Berlim rápido, hein?

VITOR @ OBLIVION – diz: Assutadoramente rapido!I magina…Estreamos na Vertentes morrendo de nervoso.. o resultado foi um feedback extremamente positivo e ainda com um EP pela Autist por vir. A experiencia com o EP foi maravilhosa, quem diria que eu ia ver um som meu no top100 do beatport.

IVI diz: como está a vendagem desse EP?

VITOR @ OBLIVION – diz: Ferri (manager do selo berlinense Autist) disse que a vendagem nao foi das mais altas nao. Segundo ele é necessario alguns releases pra construir um nome legal. Mas no fim das contas acabamos entrando no Top100 dos mais vendidos do site Juno

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: ta bom! pro primeiro ep ficar lá do lado dos elders do techno!… temos muita empatia com o público da região (de Americana). Usamos Lap top + placa de som externa + controlador Midi

IVI diz: e software?

VITOR @ OBLIVION – diz: Live e um monte de plugins

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: ableton live  + plugins

IVI diz: como vcs classificam ou entendem as músicas desse seu ep da autist

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: ahUAHuha boa!

VITOR @ OBLIVION – diz: hummm

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eu adoro rótulos, sou fánatico por descubrir, ou melhor era.. haAHUh… de uns tempos pra cá tudo é crossover. tudo não mas a maioria. De uns tempos atrás eu comecei a chamar nossas tracks de “Progressive Techno “

IVI diz: virgi!!!

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: ahUAHuh

VITOR @ OBLIVION – diz: aauhauhauhuha

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: santo deus né?

IVI diz: dai-me forças nossa senhora!

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: =]

IVI diz: mas eu tb adoro rótulos

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eu tambem

IVI diz: quais os que vcs gostam de dizer qdo perguntam: que música é essa

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: mas tá dificil ultimamente viu ivi

IVI diz: tudo é mistura, eu sei

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: num dizendo q eh electro. pod chama du q for. ahUKAHukahUKAHuak … q se acha vitaum?

IVI diz: mas tem um quê de electro sim, no sentido de minimal electro que ouvi bastante em Berlim

VITOR @ OBLIVION – diz: eu acho que o que tem chamado a atençao em alguns dos nossos sons seria a atmosfera mais fexada, mais dark– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eh claro, oliver hunteman tem ótimas tracks assim como tomas schumacher, stephan bodzin

IVI diz: roller caster de um quê de electrão muito bom! algo bem pesado né?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eh.. tudo é aceitavel, desde q não seja clichêzão discarado

IVI diz: parece uma música de um filme

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: uiaaaa

IVI diz: tipo 2001 uma odisséia no espaço

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: hahahahh… então… outra curiosidade, a gente adora filmes… desses mais sérios

IVI diz: tipo o que?– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: e gosta de fazer sons como se fossem histórias. nosso live na verdade é sempre uma história, com começo meio e fim. nada tão cult não… haahhah.. uns tarantino da vida

IVI diz: parece mesmo tarantino

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: ahUAHuha

IVI diz: technotaranto

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: ahUAHuaUH

VITOR @ OBLIVION – diz: aaaaaaaaaaaaauhauhuauhauhauauh

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: tinha um som q o vitor fez q tinha ate uma cena do tarantino inteira

VITOR @ OBLIVION – diz: pode usar o nome depois? auuhauauh

IVI diz: parece tb algumas coisas que a banda mineira Digitaria fez. vcs os conhecem?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: já ouvi sim

IVI diz: conhecem outros lives que achem bacanas?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eu curto o live do propulse, do click box também

VITOR @ OBLIVION – diz: click boooox

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: di mais click box. A gente curte bastante

IVI diz: aí em americana tem algum club onde escutam os sons dos outros produtores só via net

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: clube de música eletrônica especificamente não, a gente ouve nas festas, raves etc. Mas tem o kraft aki do lado, campinas é bem pertinho. tem o delux.e

IVI diz: costumam vir a sp

VITOR @ OBLIVION – diz: Eu moro em sampa na verdade, to de ferias em americana

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: já ouviu caixa alta? demorô heehhe

IVI diz: caixa alta ?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: Uiaaaaa… é uma banda de electro punk

IVI diz: não! de onde?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: sampa se pá. é no clima CSS, bonde do rolê e cia ltda

IVI diz: vcs fazem ou fizeram trilhas trabalham com o que?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eu me viro entre aulas de dj, gravação de set, djing e agora o oblivion

VITOR @ OBLIVION – diz: To na mesma

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: eu já fiz electro house. mas faz teeeempo

IVI diz: electrohouse pra vender?

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: inclusive recebi na época, na época recebi convite do gonçalo vinha, pra lançar, mas nu fim num rolou. Hey! corrige us erru di portugueis

VITOR @ OBLIVION – diz: uhauhauha

– Oblivion @ Delux.e : Sábado diz: ahUAHUah meu principalment

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