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mixhell; “mixhell”; 3plus / st2

Texto publicado originalmente na revista Mixmag n˚5 que está nas bancas.

A mistura bombada entre céu e inferno

O trio MixHell chega com seu primeiro álbum. Não é bem um álbum, mas uma compilação mixada que vem com seis faixas do grupo ou remixes delas e outras tantas de expoentes da linha maximal/mash-up e adjacências. Entre os enfileirados nesse disco potente (saído do inferno?) estão amigos queridos do casal Iggor Cavalera e Laima Leyton, como Crookers, Brodinski, Houratron, Diplo, Boys Noize e NASA. Mas… ficou na dúvida sobre a palavra “trio”? Pois é, quem dá as caras são Iggor e Laima e na sala de justiça fica o produtor Max Blum, famoso por inúmeras trilhas de desfiles de moda. É ele o cara que aperta os botões e dá o acabamento. Aliás, a trinca se prepara agora para remixar uma faixa do Prodigy, a convite de Liam Howllet. E em abril colhem os louros por um remix encomendado por Moby, que deve chamá-los para abrir algum dos shows da turnê ‘Wait For Me’ que passa por aqui em abril.

MixHell, o disco – ‘Intro’ dá o toque funk carioca-samba do crioulo doido, mas o disco corre pro techno rápido com vontade de ser trance. O liquidificador maximalista despedaça tudo – techno, electro, rock, efeitos, trance, funk carioca, Miami bass… – e reaglutina numa vitamina forte, pesada e rápida. O sabor brazuca é o berimbau sambando no remix de Brodinski para ‘Highly Explicit’. Aliás, esse é o melhor dos três remixes dessa faixa presentes no disco. O mix energético fica mais palatável e deep no meio do caminho com ‘Boom Da’ (MixHell) e pela inédita e grandiosa ‘What Up Yall!’ (Crookers); retorna ao funk-max-house já na faixa ‘Joga Bola’ do gringo Solo (ou The Drunk Solo) com letras em português num misto de samba e funk carioca. E a viagem vai em hi-nrg, com muita quebradeira, synths absurdos, cuts, muita percussão, mais vocais em português – “bate com a bunda no chão e vai!” – até dar uma baixada na poeira. Na parte final, o CD só se salva pela última faixa, um remix classudo do MixHell pra ‘Beyond God and Elvis’ do From Monuments to Masses – grave, elegante e cheirando a pós-punk.
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Laima e Iggor; Max nunca aparece, né?

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vários – ‘clubbers guide 2009 brasil’ – emi

Coletânea dupla com o turbo ligado nos remixes bate-cabelo de grandes nomes do pop mundial. Os DJs Ronaldinho e Deeplick mixam, cada qual um dos CDs, esse guia anual da Ministry of Sound. Ronaldinho joga na sua salada bombada David Guetta, Lady Gaga, Lily Allen, Chemical Brothers, Laidback Luke, Depeche Mode, Moby e Kylie Minogue. Grandes nomes que não resultam necessariamente em um bom trabalho. Deeplick escolheu entre várias estrelas Royksopp, Pet Shop Boys (o remix de Gui Boratto para ‘Love Etc.’), Yelle entre outros e consegue ser um pouco (pouquíssimo) mais cool. Para quem gosta de dance music farofa é uma boa pedida.

Download recomendado: ‘Love Etc.’, Pet Shop Boys

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Moby lança seu álbum “mais melancólico e mais pessoal”

Originalmente publicado no site http://www.skolbeats.com.br

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Wait For Me chega ao mercado dia 29/6 com canções densas e melódicas

Moby continua tristinho. Parece que o humor e o som do novaiorquino careca, vegetariano, ex-punk e ex-produtor de techno não mudam muito com o passar dos anos. Há quase 20 anos Moby lançava o single “Mobility” (1990) que encontra ecos no novíssimo Wait For Me que sai oficialmente na segunda-feira (29/6) em todo o mundo e deve embalar publicidades e trilhas sonoras de filmes, como Play (1999).

Moby conta que a ideia principal do novo disco surgiu no começo de 2008 enquanto ouvia uma palestra do cineasta David Lynch sobre ciratividade e cultura de massa. Logo o alternativo Moby resolveu criar um disco bem pessoal, sem se importar com pesquisas de mercado e gostos do grande público. “Tem algo de relaxante em fazer algo por você mesmo, e não tentar segundas intenções com o mercado”, filosofa o músico.

Wait For Me não traz novidades significativas ao repertório de Moby. Se em 2008 ele se enveredou pelo rock em Last Night, este Wait For Me está mais próximo de 18 (2002) por suas ambientações, vocais a la gospel, ritmos lentos e arranjos de cordas e sintetizadores. O disco foi gravado com antigos equipamentos analógicos e o Pro-Tools só foi usado para dar o arremate final. O momento mais interessante e que se sobressai é justamente a faixa que deixa de lado o climão denso e parte para uma levada mais dinâmica, “Mistake”. Muita gente pensa que David Bowie é quem canta em “Mistake”, mas Moby conta que é ele mesmo o vocalista. Aliás, Moby tocou todos os instrumentos, gravou e produziu todo Wait For Me.

A faixa-título tem um lindo vocal feminino e a mão de Ken Thomas, do Sigur Rós, na produção dá um clima sofisticado, gélido até, que lembra muito músicas da banda islandesa. “Pale Horses”, “Study War”, “JLTF”, “Hope is Gone” e “A Seated Night” também trazem vocais, muitos deles sampleados, de vozes femininas aveludadas sob atmosferas sonoras delicadas. Wait For Me é um disco para ouvir com calma, para digerir devagar os elementos sobrepostos, para curtir o momento. Moby descreve o álbum como “o mais silencioso, mais melódico, mais melancólico e mais pessoal disco entre todos os que eu já fiz.”

Artista: Moby

Álbum: Wait For Me

Lançamento: Little Idiot / Mute

Estilo: Pop

TRACKLIST

1. Division

2. Pale Horses

3. Shot in the Back of the Head

4. Study War

5. Walk With Me

6. Stock Radio

7. Mistake

8. Scream Pilots

9. JLTF 1

10. JLTF

11. A Seated Night

12. Wait For Me

13. Hope Is Gone

14. Ghost Return

15. Slow Light

16. Isolate

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