Arquivo da categoria: jornalismo

rio rocks – o caveirão e os djs

Duas notícias vindas do Rio de Janeiro chamaram minha atenção hoje (sexta 8/10). A primeira é o brinquedo Caveirão, um carrinho plástico para puxar com barbante e brincar de invasão de favela com os policiais tipo soldadinhos de chumbo.

As notícias na internet dizem que o Caveirão está à venda em lojas da Saara, no centrão do Rio, e numa loja de departamentos no bairro de Bangu. Pena que não diz qual loja… A fabricante é a Roma Brinquedos e o tal carrinho chama-se na verdade Roma Tático Blindado. Mas é claro que logo recebeu o apelidado de Caveirão, por ser claramente inspirado no veículo usado pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia do Rio de Janeiro para invadir favelas à caça de traficantes, diz o site Yahoo. O comercial televisivo do brinquedo foi tirado do ar pelo Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária). O Yahoo diz que  “o Conselheiro Relator do caso, João Roberto Vieira da Costa, entendeu que havia uma dramatização associada à violência. A propaganda (no vídeo abaixo) mostrava dois meninos fardados, brincando como se estivessem numa ação policial.”

O diretor de marketing da Roma Brinquedos, Marcos Jensen, diz não ver um conflito ético em dar a uma criança um brinquedo que remete à violência. Ele disse: “Eu e meus irmãos constumávamos brincar de ‘polícia e ladrão’. Quando vimos o Caveirão (na TV), tivemos a inspiração.” Jensen não informa quantos já foram produzidos, mas o lote fabricado que deveria durar até o fim do ano já foi todo vendido e o cara já pensa em exportar o Caveirão. E li em alguns sites que o Caveirão está vendendo bem agora pro dia das crianças e na esteira do lançamento hoje em várias cidades do filme “Tropa de Elite 2”.

Polêmico? Como disse um amigo no facebook: “G.I. Joe brasileiro”. Por que não acham polêmico o caso de contar pra uma criancinha de 4 anos que o Lobo Mau devorou a vovozinha? A crueldade também faz parte da infância. Mas eu sei que não dá pra reduzir a discussão com esse argumento. É violência que gera violência. No momento que tanta gente pede paz no Rio, um brinquedo como esse destroi o trabalho de muitos que tentam sensibilizar a população, os governos e os traficantes sobre a violência no Rio. Aliás, nessa semana rolou um super arrastão pelos engarrafamentos no Rio. No mínimo apavorante!

A ótima notícia vinda do Rio hoje é sobre lançamento do livro “DJs” dos festeiros Joca Vidal e Frederico Coelho. A notícia está no site de O Globo. Para a magra bibliografia brasileira sobre música e comportamento é um prato cheio. O livro tem lançamento marcado para o dia 26 (terça) no Parque Lage. A editora Circuito é a responsável pelo lançamento (não encontrei o site dela).

Joca Vidal acabou de me responder umas perguntinhas sobre o livro via facebook:

+1teko – O livro “DJs” é só de entrevistas, como “Todo DJ Já Sambou” da Cláudia Assef, ou um texto dos autores sobre a cena carioca?
JV – O livro é só de entrevistas, mas tem um texto de apresentação bacana e extenso.

+1teko – E vai rolar festa de lançamento?
JV – dia 26/10 no Parque Lage (RJ). vão rolar sets pré-gravados dos DJs entrevistados e performance do Romano, artista plástico até bastante conhecido no meio que trabalha com “arte sonora” há anos, teve um programa de rádio O inusitado, e participou da Bienal do Mercosul passada.

+1teko – Quem está no livro? Tem também DJs de funk ou é mais focado em eletrônica / zona sul? E DJs das antigas também entram?
JV – Só entraram DJs das antigas que continuam em atividade: Maurício Lopes, Marcelinho da Lua, Nado Leal, David Tabalipa e Nepal. O interessante é que estes DJs juntos já passaram pelos mais variados estilos musicais (da MPB ao techno).

Mas a editora Circuito estreia a Coleção Circuito, sobre comportamento e cultura contemporâneas, com dois volumes: o citado “DJs” e “Coletivos” que retrato o trabalho e o pensamento de cinco grupos de artistas cariocas e é assinado por Felipe Scovino e Renato Rezende. Os livros dessa nova coleção enfatizam a entrevista, a reportagem e o diálogo com os principais mentores de diversos movimentos atuais. Abaixo, estudo para capa do livro “DJs”.

 

Anúncios

5 Comentários

Arquivado em Artes, dj, jornalismo, lançamento, literatura, Música

floripando; sganzerla, paradigma

Ilha de Santa Catarina vista a partir do sul

Há alguns dias na Ilha de Santa Catarina e já não sinto muitas saudades de São Paulo. Depois de voltinhas pela Lagoa da Conceição, peixes assados, delícias da mamãe e reencontro com velhos amigos, hoje tem muita coisa acontecendo na Universidade Federal de SC e terei de me desdobrar pra ir a tudo.

A jornalista Sônia Bridi, ex-colega de bancos escolares, faz palestra hoje à noite no lançamento da terceira edição da Semana Revista. Na verdade é um aperitivo do que virá na IX Semana de Jornalismo da UFSC, que rola entre 13 e 17 de setembro.

* * *

Também começa hoje na UFSC a Semana Sganzerla, com mostra de filmes do cineasta catarinense, lançamentos de livros e debates no Teatro do DAC (Igrejinha). Hoje tem projeção de “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) e a programação segue com os filmes “Nem Tudo é Verdade” (1986) e “Copacabana Mon Amour” (1970). O evento também marca o lançamento lançamento da caixa-livro “Edifício Rogério”, coletânea de ensaios sobre cultura brasileira publicado pela Editora da UFSC. A musa do diretor, a atriz Helena Ignez está na cidade e falará em diversas ocasiões dessa semana de cinema. Mais informações aqui nesse link.

O joaçabense Rogério Sganzerla é um dos expoentes do Cinema Marginal que misturou gêneros, fundiu o erudito e o pop, foi inconformado e transgressor mantendo um pé fincado na tradição clássica. Em 1992, Sganzerla esteve em Florianópolis e o entrevistei para meu vídeo projeto de conclusão do curso de Jornalismo. Em breve digitalizarei o vídeo, que ainda tem entrevistas com Décio Pignatari e outros sobre globalização.

* * *

E fica aqui mais uma dica de cinema em Florianópolis. O Paradigma Cine Arte traz – nas sextas e sábados às 19h e 21h30min – filmes para todos os gostos e que não passaram pelo circuito comercial de Santa Catarina. Já foram feitas sessões de Doce de Coco, Gigante, Pachamama, EUA Vs. John Lennon, Goodbye Solo, entre outros. A nova sala de cinema fica na SC-401, ligação entre Centro e Norte da Ilha, no trevo de Santo Antônio de Lisboa, no Centro Empresarial Corporate Park. Uma excelente opção para os órfãos do cinema do CIC (Centro Integrado de Cultura), em obras há quase 2 anos!!! E boa dica para os turistas que chegam a Floripa e não têm muitos espaços culturais com boa programação.

1 comentário

Arquivado em cinema, cinema, jornalismo, literatura, viagem

my essencial clubbing weekend in berlin (2007)

Esse texto foi publicado originalmente na revista DJ Mag brasileira em janeiro 2008, e foi escrito em dezembro de 2007. Estou republicando agora porque o número de acessos a outro texto sobre o club Berghain está com muitos acessos aqui, então aqui vai mais um pouco sobre clubbing em Berlim.

A contracultura da Berlim ocidental, cultuada por David Bowie e Wim Wenders, mudou-se para o leste. Lá onde o comunismo era encoberto pela cortina de ferro política e pelo muro físico que dividiu a capital alemã, instalam-se modelos da cultura globalizada. Galerias de arte, produtoras musicais, bares, cafés, ateliês, estúdios, selos fonográficos, brechós e a imaterialidade da internet; estão todos lá entre os distritos de Mitte, Friedrichshain e Kreuzberg. A parada obrigatória do metrô agora é Alexanderplatz com sua imponente torre de comunicação, e não mais a ocidental Zoologischer Garten (ou apenas Zoo) onde Christiane F se drogava e se prostituía nos anos 1970. Desde que os 47 quilômetros do muro que separavam capitalistas e comunistas desabaram em 1989, a cidade vem experimentando uma reviravolta cultural que culmina nos primeiros anos do novo milênio e que deve durar até o começo dos anos 10 do século 21. Centenas e centenas de artistas – principalmente DJs e produtores – migraram para a cidade, que hoje é conhecida como capital mundial da música eletrônica.

Numa quinta-feira à noite cheguei a Berlim. Zero grau com certeza. Vinha de Bremen com DJ Atum que havia se apresentado em Amsterdã dias antes. Fomos direto para Friedrischshain encontrar Ferri Borbás, produtor e manager do selo digital Autist e nosso anfitrião. Conheci Ferri via Skype, coisas da aldeia global. Poucas horas depois da nossa apresentação presencial já estávamos fervendo no moderno bar Sanatorium, um dos preferidos do povo da região oriental e atual trendy da capital alemã. O primeiro convite nessa essential clubbing trip foi para conferir Anja Schneider no club Weekend no sábado. Seria o início da residência mensal do selo Mobilee, da própria Anja, no Weekend. Antes de dormir recebo mensagem de Holger Zilske, o homem por trás do projeto Smash TV que tocou no Brasil duas vezes. O convite era para ir ao club Watergate conferir a performance de Ellen Allien no dia seguinte. Dormi com os anjos.

Ir a Berlim para ouvir, dançar e entender o techno criado lá não é só ficar na jogação. Na sexta-feira pela manhã já estava na mítica Alexanderplatz, ponto nevrálgico da cidade que fica no antigo lado oriental. Na saída do metrô, ergue-se a fantástica torre de comunicação de mais de 300 metros de altura e com um imenso globo espelhado espetado no centro. Alexanderplatz é uma imensa pista de dança! Daí vale um passeio em direção ao Portão de Brandemburgo, passando antes por uma série de museus, avenidas e palácios até o Tiergarten. A grandeza urbanística equipara-se ao poder econômico-científico-artístico germânico. Entendi ali um pouco mais sobre o povo alemão. O néon com a frase “All art has been contemporary”, que está atualmente na fachada do Altes Museum (Museu Velho), polemiza com o conteúdo da casa, um valioso tesouro de peças egípcias da antiguidade. Novo e velho são um só em Berlim, neon-art e arte egípcia, igrejas góticas e prédios modernos, jovens dançando ao som de minimal techno em antigos redutos comunistas.

Party people – Sexta-feira à noite. Em Friedrischshain começa a agitação atrás das festas mais badaladas. Cada um fala uma coisa, mas o convite já tinha sido feito: Ellen Allien @ Watergate. Dentro do club encontramos Holger Zilske já contando novidades sobre o novo álbum de Ellen, que estão produzindo em parceria e deve sair em abril. Pouca coisa tinha sido feita e Holger já estava participando de outros projetos e (tentando) compor suas próprias tracks. O club Watergate fica na beira do Rio Spree, a pista inferior está na altura da água e uma imensa ponte medieval se ergue bem em frente. No andar de cima, a iluminação movimenta milhares de leds e os ansiosos pela chegada da musa do minimal e dona do selo BPitch Control. Ellen não demorou a aparecer com dois roadies carregando pesados cases, pediu licença ao DJ Daniel Bell (que fez um set correto para aquecer o povo) e começou a esmerilhar pérolas do tão elogiado estilo minimalista do BPitch Control. A DJ se divertia em sua terra natal, homenageada por ela nos álbuns Berlinette e Stadtkind. O que ela tocou? Não sei dizer títulos de músicas ou rótulos de gêneros, mas meu corpo e meu espírito agradeceram por estarmos lá.

A jaca berlinense rola mesmo é de sábado para domingo. O vento frio cortava a noite e a gente ía se aquecendo pelos bares esfumaçados do Mitte até chegar ao Weekend, no topo de um edifício de 15 andares em Alexanderplatz. Era a primeira festa mensal do selo Mobilee no Weekend e a convidada não poderia ser ninguém menos que Anja Schneider, dona do Mobilee e de um sorriso simpaticíssimo. Ela fez um set animado, o povo gritou, a DJ acelerava no minimal indo cada vez mais para o techno sem perder o rebolado e o charme, e inserindo pitadas housy. Noutro dia, Anja me confessaria – “acho que meu som passou de algo housy para um lado mais techno, mas não gosto dessas definições de estilos, afinal é tudo house”. Mas nem todos concordam ou concordariam com ela, como o produtor Paul Brtschitsch que tocou ao vivo, logo depois dela, um techno mais pesado e energético, porém não menos minimalista. Guarde bem esse nome estranho, Paul Brtschitsch. Em Berlim ele é considerado um novo prodígio da eletrônica. Depois de parcerias com André Galluzzi e alguns EPs elogiados, Paul está atualmente compondo com Holger Zilske para um novo live p.a. e produzindo o álbum de Anja Schneider.

Mobilee / Autist – “Não gosto de decidir tudo sozinha. É ótimo que o Paul esteja comigo produzindo meu primeiro álbum”, confessa Anja Scheneider. “Sempre preciso de alguém ao lado quando estou produzindo, primeiro porque não tenho tempo para saber os segredos e truques da parte técnica, e também porque preciso de alguém para dizer se devo continuar ou parar tudo. Preciso de opiniões diferentes para decidir em conjunto”, explica. A grande jogada de Anja nesse empreendimento é o retorno pessoal. “A melhor coisa em trabalhar com jovens talentos é poder vê-los crescer e então receber de volta uma energia fundamental”, filosofa a DJ.

Uma das crias mais queridas do Mobilee é a dupla Pan-Pot que lançou em outubro o álbum “Pan-o-rama”, primeiro álbum da dupla e do selo. Tassilo Ippenberger e Thomas Benedix são muito bem-tratados por Anja na nova sede do Mobilee, no meio do moderno e descolado distrito Mitte. No estúdio, a dupla tem tudo o que precisa para criar climas pesados e dançantes, como para o remix do primeiro single do primeiro álbum da patroa, que tive o privilégio de ouvir em primeira mão. O single deve sair entre janeiro e fevereiro, e o álbum chega ao público em maio. Outros nomes que lançam no Mobilee e no subselo Leena são Jennifer Cardini, Sebo K, Exercise One, GummiHz, Holger Zilske e Marco Ressman.

Enquanto o Mobilee tem sede com estúdio e lança vinis (e alguns CDs e mp3) todos os meses, o selo Autist existe apenas na rede lançando faixas digitais. “Os arquivos digitais são o suporte mais apropriado para o século 21, e no mundo do techno é tudo muito rápido e não dá pra ficar esperando meses pela prensagem de um disco”, argumenta Ferri Borbás, manager do Autist. O selo se sustenta linkado a comunidades virtuais para divulgar os EPs virtuais que são vendidos em vários sites. Colaborações com videoartistas e cineastas também é boa moeda de troca. “Gastasse pouquíssimo e o resultado é garantido”, afirma.

O destaque do Autist é o produtor Boris Brejcha de apenas 22 anos e que vive isolado em uma pequena cidade no sudoeste da Alemanha. Sem contato direto com a eletricidade clubbing de Berlim, Boris cria o seu “freak modern electro techno” em casa e faz dancinhas malucas (procure no MySpace!) para testar se a música é boa para a pista. Em janeiro ele vem ao Brasil para algumas apresentações! Uma boa maneira de fugir do inverno europeu.

A neve – Lá do alto do Weekend a vista é incrível e para meu deleite a neve começou a cair pouco antes de Anja terminar seu set. Estupefato pela neve, pelo drink de vodca com pepino e pelo som, não podia ainda imaginar o que seria o Berghain / Panorama Bar. A neve caía silenciosamente sobre Alexanderplatz quando pegamos um táxi para o Berghain, templo do techno e da loucurama berlinense. Na neve, o povo gritava para entrar enquanto enfrentava uma longa fila às 5h matina. Todos migram para o Berghain nessa hora, quando os outros clubs fecham. Lá dentro a principal regra, estampada bem na entrada, é: “cameras are not allowed”. Melhor assim!

O Berghain e o Panorama Bar ficam em uma velha usina de energia elétrica, em Friedrischshain. Berghain é a pista principal, o techno é o som, Ben Klock é o DJ residente, o pé direito é imenso e em várias darkrooms se faz exatamente tudo em termos de sexo. O Panorama Bar fica na parte superior do prédio e o clima é mais relaxado, em termos musicais é claro. Batidas mais minimalistas e mesmo houseadas movimentam uma turba em constante jogação. Ferveção pouca é bobagem! O mix de estilos e comportamentos é absurdo, parece que todos os grupos sexuais, raciais, musicais, fashionistas estão ali representados. Ecletismo democrático, liberdade desenfreada, hardcore sexmachine, fucking techno.

Naquela noite/manhã os franceses Joakim (dono do selo Tigersushi) e Chateau Flight mais o canadense radicado em Berlim Konrad Black se revezaram na cabine de som do Panorama. Como parar de dançar? Todos corriam entre um techno minimalista e dançante, grooves tímidos e trechos mais experimentais. Uma levada mais house à francesa complementava o ambiente. O Berghain / Panorama é onde o povo que estava em outros clubs se encontra, é onde se comenta das festas, bebe-se pencas e dança-se até domingo à tarde. O Berghain fervia ao meio-dia quando da pista brindamos com Ben Klock suas últimas tracks. Logo estávamos conversando e ele me olhava serenamente enquanto eu confessava que aquele era afinal o club mais incrível do mundo no qual já estive.

P.S.: Só pra lembrar, o bafo é tão forte no Berghain / Panorama que nem o club tem fotos de divulgação. Só mesmo na minha memória…

1 comentário

Arquivado em cidade, club, jornalismo, Música, sem categoria, viagem

chemical brothers; ‘further’; freestyle dust/emi

Texto publicado originalmente na revista Mixmag 5, junho/julho 2010, com mais algumas inserções.

Uma viagem barulhenta e ácida

Psicodelia audiovisual marca 15 anos dos Chemical Brothers

Pra onde Tom e Ed estão indo nesse novo álbum? Mais uma vez o duo se arrisca em esquisitices e um som anti-pista. ‘Further’ está mais para trilha sonora de vídeos viajandões, como realmente foi concebido esse novo trabalho, do que para hits instantâneos. Cada uma das oito músicas do disco tem um filme, que sairão em DVD e serão vendidos separadamente na internet. (Confira dois vídeos abaixo.) Essas criações visuais de Adam Smith e Marcus Lyall puderam ser vistas/sentidas nos shows que rolaram em Londres, no final de maio, para o lançamento do álbum, e em apresentações em festivais como o Sonar, em Barcelona. Coisa que o Daft Punk incorporou muito bem aos seus shows faz algum tempo, né? Já as músicas são pesadas, rápidas, barulhentas, sujas, ácidas, com ares de psicodelia. Convenhamos que são adjetivos ouvidos em outros momentos nesses 15 anos de Chemical Brothers. Os fãs vão adorar a nova (velha) viagem dos veteranos Tom e Ed, mas por enquanto estamos deglutindo e esperando a assimilação de ‘Further’.

As minhas preferidas de ‘Further’ são: ‘Another World’, ‘Dissolve’ e ‘K+D+B’

Quem comprar o disco via iTunes concorre a um iPad! Saiba como aqui.

Como disco, ‘Further’ terá uma boa carreira como show! Até final de agosto a dupla se apresenta em diversos festivais pela Europa e logo depois embarca para turnê pelos Estados Unidos. As datas e locais estão no myspace dos Chemical Brothers.

1 comentário

Arquivado em jornalismo, lançamento, Música, vídeo

hard ton; “selfish”; gigolo

Texto publicado originalmente na revista Mixmag #4.

Mamma mia! Drag disco club italiana!

O que aconteceria se a drag queen Divine fosse capturada por um disco voador e retorna-se hoje, na moderna Itália? A resposta é Hard Ton, que se define uma Divine ou “a maior disco queen do século 21”. Ela confessa adorara Grace Jones (nessa capa ele imita Grace em ‘Island Life’), Giorgio Moroder  e Chelones R. Jones entre outros bons da house. No final do ano passado, DJ Hell deu o toque aqui pra Mixmag e agora o Gigolo lança ‘Selfish’. O ótimo disco com três faixas foi criado pelo produtor Oliver Ton e inúmeras máquinas velhas e novas. Hard Ton costuma animar as noites gays de Bolonha a Veneza cantando em falsete, como Silvester, e lascando na ítalo. ‘Forever No More’ lembra Pet Shop Boys e Culture Club, na voz à la Boy George, e a música fica entre o deep pop e a disco com aroma oitentista. Hit total! ‘Selfish’ é viajante, uma clássica dance disco, e ‘Earthquake’ flerta com um eletrão de baixo gordo com vocais bem diva e muitos efeitos sintéticos.

* * * * *

5 Comentários

Arquivado em jornalismo, lançamento, Música

prins thomas; “prins thomas”; full pupp

Texto publicado originalmente na edição número 4 da revista Mixmag. O texto é meu, mas está assinado incorretamente na revista por outra pessoa.

A saga viking nas galáxias da dance music

Prins Thomas voa alto com experiências cósmicas no primeiro álbum

Restringir Prins Thomas a tal cosmic-disco é reduzir significantemente sua potência e ecletismo. O produtor norueguês já provou e comprovou que seus exercícios musicais em centenas de remixes vão às raias do experimentalismo. Neste álbum-debut, ouvem-se ecos de Ry Cooder, Kiss, Bowie, jazz, Cramps e música clássica, uma mistureba que catequizou Prins e agora desemboca nestas curiosas sete faixas. Impossível classificar, impossível resistir a uma audição cuidadosa. Dá até para arriscar que Prins é daquela vertente escandinava que pode englobar Björk, Lindstrom e ABBA até o cinema do Dogma 95 e a arquitetura de Alvar Aalto. Um requinte gélido, sem arestas, do qual emana um calor interno, comedido e explosivo ao mesmo tempo.

As músicas vão correndo calmamente, com belos arranjos e variações cheias de bossa. O disco começa com climas bem orgânicos, bateria e violão em destaque no groove de ‘Uggebugg’. O tom sombrio e sintético marca ‘Slangemusikk’ e desaparece em ‘Sauerkraut’ (que tem Todd Terje tocando clavinete). Em ‘Wendy Not Walter’, Prins pega a veia dance e nos presenteia com uma levada cool, que tem Lindstrom no keyboard e Todd Terje no trumpete! Nada de muita bombação e euforia na pista de dança, mas é aqui que a gente pira e se joga de cabeça nesse caleidoscópio nórdico. Dia 29 de março nas melhores casas do ramo.

* * * * *

Ouça duas faixas aqui. “Slangemusikk” é bem experimental. Nattonsket tem uma pegada cosmic disco.

1 comentário

Arquivado em jornalismo, lançamento, Música

kiriDJinha 2 – com Renato Lopes

Deixe um comentário

Arquivado em club, jornalismo, Música