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artes na semana

FALTA DE MEMÓRIA – a repórter/clunista da FAlha de S.Paulo, Adriana Küchler,  diz neste domingo na revista “são paulo” que o MAM agora quer ser moderno e vai colocar DJs nos vernissages. Há uns anos, o mesmo MAM tentou fazer isso e até lançou uma série de CDs, acho que 3, de lounge music francesa. A empreitada do museu não foi longe e se acabou, os venissages eram meio flopados e frequentados por gente que não curte música eletrônica e hip hop, que será o som da próxima investida no dia 19. Até a dupla MixHell – Laima Leyton trabalhou anos no MAM – tocou num desses vernissages modernosos e ficou por isso mesmo. A ver…

NOVIDADE – Na terça (12/4) acontece vernissage da primeira exposição individual de Leandro Cunha na Galeria Concreto. Provocativo e bem-humorado, Leandro intitulou a mostra de “Você gosta de Picasso?”, um trocadilho de cunho gay. O artista se apropria de imagens e ideias de gente com Picasso, Warhol, John Waters e Carlos Zéfiro com releituras que misturam diversas técnicas de street art.

Jurandy Valença e Renato de Cara montam exposição

RETROSPECTIVA – No sábado (16/4) acontece abertura da exposição do Renato de Cara na Rua Libero Badaró 336, 3o. andar, Centro. A mostra é uma retrospectiva do processo criativo do fotógrafo exposto em um espaço não usual para as artes plásticas. Estarão reunidos dezenas de cadernos, objetos e fotografias, que compõem trinta anos de criação do artista. São mais de 100 obras, com curadoria de Jurandy Valença. Renato de Cara é o mentor da Galeria Mezanino, espaço itinerante que começou na Banca das Camisetas e agora está hospedada na loja do Mercado Mundo Mix, na Rua Augusta.

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“percurso do círculo” chega a joinville

Schwanke e obra feita com série de galões de plástico

Na quinta-feira (10/2) rola mais um lançamento do livro “Percurso do Círculo: Schwanke – séries, múltiplos e reflexões”, o qual co-organizei/editei. Dessa vez o lançamento será em Joinville, cidade natal do artista plástico Luiz Henrique Schwanke, e haverá a abertura de exposição com obras dele. Intitulada “Perfis e perfis: entre Apolo e Dionísio”, a exposição montada pelo crítico de arte e curador Charles Narloch faz um recorte do obra de Schwanke mostrando os diversos “perfis” que ele criou, tanto na pintura com os linguarudos quanto em instalações feitas com objetos plásticos do cotidiano.

Lançamento do livro e vernissage acontecem na Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew, na Rua Dona Francisca 800, em Joinville, a partir das 20h da quinta-feira (10/2). A exposição fica em cartaz até dia 25 de março.

É bom lembrar que “Percurso do Círculo” está sendo distribuído gratuitamente para instituições de ensino, críticos e professores de arte, artistas, galeristas e público interessado.

Quem estiver em Joinville está convidadíssimo! E em breve haverá lançamento do livro em Curitiba, cidade onde Schwanke despontou nas artes plásticas nos anos 1970.

Série de perfis de "linguarudos" formam uma obra

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“percurso do círculo” – lançamento na galeria mezanino, em sp

 

Schwanke na instalação "A Casa Tomada", na Galeria Sérgio Milliet (Rio, 1980)

As pessoas me perguntam quem é esse tal de Luiz Henrique Schwanke? Como você chegou nele e tal? Aliás, pronuncia-se “xuanke”. Bom, vou contar um pouco como o conheci e como fui parar nessa história de filme e livro sobre ele, que é considerado um dos mais instigantes artistas plásticos de Santa Catarina e do Paraná, isso porque o joinvilense viveu muitos anos na capital paranaense onde realmente ganhou projeção nacional através de diversos salões de arte, até chegar à 21ª Bienal de São Paulo, em 1991.

Senta que lá vem história – Na virada dos 80 pros 90, ainda morando em Floripa e estudando jornalismo, fui fazer cursos livres de artes plásticas no CIC (Centro Integrado de Cultura). Meu mestre foi o artista plástico Fernando Lindote, que participou da Bienal do ano passado, e como ele conhece todo mundo acabei sendo apresentado ao Schwanke numa exposição em 1990 ou 91. Da exposição fui parar num bar na Beira-Mar Norte com Schwanke, Agnaldo Farias e mais alguns amigos. Foi meu único encontro com o artista plástico joinvilense que sempre gerava polêmica em suas exposições por causa das obras inusitadas, como as famosas colunas feitas com baldes plásticos (expostas em locais como Parque Lage e praia de Botafogo, no Rio) e instalações bem conceituais com luz (como a que é considerada sua obra-prima e foi exposta na 21ª Bienal de São Paulo em 1991, “Cubo de Luz”). No fim dos anos 1980, Schwanke era conhecido como o pintor dos “linguarudos”, quando já havia deixado o hiperrealismo pela pintura matérica neo-expressionista.

Perfis apelidados de "linguarudos"

O artista com obra feita com galões de plástico - serialização

Em 1992 eu estava trabalhando como repórter de cultura do (finado) jornal O Estado, em Florianópolis, quando soube da morte de Schwanke. No auge da carreira ele não aguentou as muitas pressões e nos deixou ‘por livre e espontânea vontade’, mas não deixou nenhum bilhete da causa do suicídio, segundo a família dele. E daí a obra do cara ficou com a irmã dele e com alguns poucos colecionadores e felizes contemplados com obras pelo próprio Schwanke. Na minha cabeça ficou aquela imagem forte do artista barbudo, com olhar distante e que disse na mesa do bar: “se eu disser o meu fetiche ele deixará de ser fetiche”. Lembro que alguns colegas de redação, masi chegados ao artista, recebiam cartas, press releases e obras que o Schwanke enviava. Pena não ter tido tanto contato com ele, né? 😉 A amiga e então colega de redação Monique Vandresen me deu um pequeno desenho do Schwanke feito com nanquim sobre uma página de apostila escolar. Ainda não a emoldurei…

Muitos anos se passaram e em 2007 inscrevi proposta de um documentário curta-metragem sobre Schwanke numa premiação da Fundação Catarinense de Cultura. Na verdade, foram meus amigos Kátia Klock e Mauricio Venturi, donos da produtora/editora Contraponto, quem me convidaram a escrever o projeto que rondava minha cabeça há algum tempo. No dia seguinte que cheguei em casa depois de um mês de férias pela Europa, recebi a ótima notícia que havíamos ganho o prêmio para rodar o filme. No meio de 2008, “À Luz de Schwanke” foi lançado em Joinville e depois em Florianópolis no FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul) e no programa Zoom, na TV Cultura. Abaixo, a versão de 8min do vídeo, sem as entrevistas.

Em 2010, a luz de Schwanke volta a me iluminar, dessa vez a Contraponto inscreveu proposta de livro que venceu o edital de cultura Elisabete Anderle. Kátia me chamou novamente para mais uma empreitada sobre Schwanke. Em maio de 2010, junto com a editora de arte Vanessa Schultz, fiquei alguns dias revirando correspondências e escritos no Instituto Schwanke e no Museu de Arte de Joinville. Recheamos – Kátia, Vanessa e eu, os organizadores – o livro com textos datilografados e manuscritos, croquis, desenhos, pinturas, fotos de obras e tudo mais que Schwanke deixou sobre sua obra, que beira 5 mil obras. Tem umas cartas muito legais com pensamentos interessantes sobre arte, salões de arte e outros pontos. Destaco a frase: “É necessário transformar e inverter o existente para que o novo seja total”. No revirar das caixas de correspondências encontramos também obras que não haviam sido catalogadas nem exibidas ao público, material inédito que ficou guardado durante anos.

Também encomendamos textos aos críticos de arte Agnaldo Farias (curador da última Bienal e do Instituto Tomie Ohtake onde exibiu obras do Schwanke em duas mostras em 2007), Fábio Magalhães (ex-diretor do Masp), Frederico Morais, Harry Laus, a jornalista e amiga do artista Néri Pedroso (eidtora de cultura do jornal Notícias do Dia, em Floripa, que no livro discorre sobre o homem e o artista em belo texto). Todos eles têm algo a contar sobre a obra e o artista. Ah! A capa do livro foi feita a partir de uma obra confeccionada com prendedores de roupa plásticos!!! Ele fez vários trabalhos com plástico – colunas de baldes e bacias, cobra coral feita de baldes e outros.

Capa da publicação lançada pela Contraponto

Finalmente em dezembro passado o livro Percurso do Círculo: Schwanke – séries, múltiplos e reflexões veio à tona. Foi lançado em Floripa com grande público, mas infelizmente não estive presente. “Percurso do Círculo” é uma instalação conceitual criada por Schwanke para uma mostra em Fortaleza (CE), e constituía-se de um carrossel que ficou liberado durante todo um dia para o público andar e viajar no trajeto perfeito do círculo, que nas palavras do artista significa “a figura mais perfeita da geometria – que perfazemos diariamente com o movimento de rotação da Terra”. É o eterno retorno!

E agora o livro será lançado em São Paulo na Galeria Mezanino (rua Augusta 2559, esquina com al. Lorena) nesta quinta 13/1, entre 18h e 21h. Pra entrarmos no clima germânico de Joinville e Schwanke vai rolar um barril de chope e a distribuição gratuita do livro, que tem encartado um dvd com duas versões do documentário “À Luz de Schwanke”. A tiragem de mil exemplares está sendo distribuída gratuitamente para bibliotecas, museus, galerias, instituições de arte, críticos, jornalistas e pessoas ligadas às artes visuais, principalmente. E claro, estou particularmente muito feliz com o lindo livro que produzimos e espero que ele seja lido e relido por muita gente mundo afora, que ele perfaça o percurso do círculo.

É sempre muito bom agradecer os colaboradores dos projetos, então thanks to: Instituto LH Schwanke, Galeria Mezanino/Renato de Cara, Galeria Mundo Mix/Beto Lago, Agnaldo Farias, Fábio Magalhães, Néri Pedroso, Nadja Lamas, Alena Marmo, Charles Narloch, Família Schwanke, Marina Mosimann, Paulo Araújo, Museu de Arte de Joinville, Franzói, Peninha Machado, Alice Ruiz, staff da Contraponto, à minha família e a todos de ficam na torcida.

Depois do lançamento do livro a gente continua a comemoração na festa kiriDJinha, que Atum e eu promovemos no bar Volt há quase um ano. A kiriDJinha começa às 21h, pra esticar a happy hour com mais drinks, conversinhas e neons. Os convidados da vez são a fotógrafa louca por disco music Silvana Garzaro e multiman Fly Garcia, do Cassimira Club, que prometeu set com 95% de vinis com hits de diversas épocas. Volt fica na rua Haddock Lobo 40, quase esquina com rua Fernando de Albuquerque.

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percurso do ciclo 2010

Vem chegando o verão e a gente começa a relembrar a estação quente passada, e as outras três estações que deram a temperatura do ano, que já vai terminando. Retrospectiva. Ciclo. É o fim, e também o começo. A gente tenta pegar algumas faíscas, uns flashes (back). Mas também quer esquecer, relaxar, deixar a vida fluir, curtir o novo sol. Na onda da última semana de 2010, me preparo para os 365 dias de 2011 – sempre ancioso pra saber se o mundo vai acabar mesmo em 2012!

Pesquei na memória alguns momentos de 2010, ano final da primeira década do Século XXI.

Mais uma vez a luz de Schwanke se acendou. No dia 17/12 foi lançado em Florianópolis o livro “Percusro do Círculo” que apresenta trabalhos e textos do artista plástico joinvilense Luiz Henrique Schwanke (1951-1992). Mais uma vez a companhia da arte de Schwanke tomou vários dos meus dias neste ano. Primeiro foi o convite para pesquisar e revirar correspondências, textos, projetos e obras de Schwanke para formatar um livro. O belíssimo livro, com dvd do documentário “À Luz de Schwanke” que co-dirigi com Maurício Venturi em 2008, foi mais uma parceria com a amiga Kátia Klock. A publicação tem edição especial da Vanessa Schultz, que caprichou no formato e diagramação. Ainda no verão, “Percurso do Círculo” será lançado em Joinville e São Paulo, mas tem que ter sorte par conseguir um exemplar, já que serão distribuídos cerca de mil  exemplares, a priori para bibliotecas, escolas, universidades e museus de Santa Catarina.

A apresentação dos produtores Azari & III pra poucos – eu entre eles – em festinha íntima em São Paulo foi super legal! Eu ainda tive de chegar nos caras e pedir “please, play Hungry for Power”. A noite terminou em alta!

Entrada do clube Warung

Ah! E teve a primeira noite de 2010 no clube Warung, de frente para a Praia Brava, em Itajaí. Na cabine com Michael Meyer (o dono do selo Kompakt) e Gui Boratto.

O clube Clash virou palco do melhor show do ano – Caribou. A banda do prodígio canadense ….. fez um show memorável com muita energia, imagens bacanas e bela e improvável disposição dos quatro músicos no palco (bateria à frente quebrando todas!). Ouvi e toquei o álbum …. inúmeras vezes! (na foto acima) E vou continuar tocando.

Super-Gêmeos, ativar! Já estava esquecendo da kiriDJinha, primeira festa que eu e Atum promovemos juntos e deu super certo (as usual). O bar Volt não poderia ter sido palco melhor pra festa e fico contente de ter feito ótimos amigos por lá e ter trabalhado com o querido staff do Volt. Dia 13 de janeiro a kiriDJinha retorna com muitos discos velhos, e novos também! Atum e eu esperamos todos lá no bar dos neons!

Patins usados por Laurie Anderson, em São Paulo

E a toda hora lembro de alguma coisa! Dois ícones da arte que tive o prazer de ver – Laurie Anderson e Philip Glass. Duas performances e tanto! Pode até ser que tenha sido meu entusiasmo em vê-los ao vivo pela primeira, isso depois de eu viver facinado com os dois e outros pós-modernos desde os anos 1980. Vi Laurie Anderson tocando violino sobre patins com lâminas congeladas, no CCBB; era o começo pra ver a exposição das obras dela que ao meu ver foi uma das melhores do ano em São Paulo. Tentei ver Philip Glass tocando piano, mas ele estava escondido dentro de uma instalação de Carlito Carvalhosa, na Pinacoteca do Estado. Me restou perambular pelo museu e apreciar as obras de arte ao som de Glass ao vivo! Dois belos momentos das artes em 2010. Ops! Ia esquecendo da exposição de obras de Keith Haring. Foi surpreendente e me despertou ainda mais para o graffiti e a street art nesse ano. Belíssima exposição!

Ainda inacabado, o documentário sobre o bairro do Cambuci estará pronto no começo de janeiro. Dei uma força (roteiro e montagem) pro amigo Fausto Nocetti que dirigiu o doc, que tem como pontos altos um passeio com osgemeos Otávio e Gustavo pelo bairro contando como aprenderam a grafitar e cenas inéditas de um filme 35mm com Alfredo Volpi preparando tintas (têmpera) e tela e dando a primeira pincelada num quadro. Aguardem que vai rolar na TV Cultura!

Tá faltando outras muitas coisas, mas não lembro agora… Feliz Ano Novo!

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o negócio da street art + urban gallery

A street art perdeu a aura de arte de contestação? Faz algum tempo que o bum do grafite e seus congêneres no Brasil alavancou a street art para a esfera da arte institucionalizada dos museus, estudada na academia, transformada em mercadoria de compra e venda nas galerias e em objeto de desejo de muita gente. Para os artistas isso foi e está sendo muito bom, como já aconteceu há algumas décadas fora do país com gente como Keith Haring (que teve bela mostra em São Paulo recentemente) e Jean Michel Basquiat e se intensificou com Banksy, Zeus e osgêmeos.

Quando só o capitalismo é a ordem mundial possível tudo vira mercadoria, e a arte certamente tornou-se um do ativo importante da economia global. A street art ganha destaque porque a arte contemporânea – no sentido mais formal – anda muito “conceitual” (dizem uns) e o público gosta da arte que se aproxima e faz parte do mundo dele. A street art é “palpável”, está no cotidiano das ruas das cidades que crescem sem parar. Ela virou uma bela mercadoria para galeristas e artistas, e uma ponte entre empresas, corporações e governos com a população (consumidora) de todas as camadas sociais. O grafite vem da periferia e se dissemina em bairros elegantes. A importância cultural, institucional e econômica da street art está posta.

Urban Gallery – Faz um tempinho que recebi um belo catálogo e uma gravura em estilo stret art, digamos assim, pelo correio. Junto veio o convite para falar/escrever sobre um projeto institucional que colocou uma boa dose de cores e formas no dia a dia de quatro capitais. Fora os interesses de marketing entre empresa e artistas, a Urban Gallery é uma bela associação empresa-arte que expõe atualmente obras de cinco artistas em tapumes de construções de edifícios em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Goiânia. A iniciativa é da Brookfield Incorporações com a Galeria Rojo e agência de ideias Ginga.

É interessante como a arte se impôs no meio urbano, deixou de ser considerada vandalismo – inclusive o pixo! Hoje os artistas que seguem a linha street art – são muitos e de todas as classes sociais – são chamados e remunerados para colocar cores e formas pela cidade, para suavizar o cotidiano, para “dar o seu recado”. Na Urban Gallery, os artistas selecionados do bom casting da Galeria Rojo – com sedes em Barcelona, São Paulo e Milão – são os norte-americanos Tofer Chin e MOMO, a espanhola Anna Taratiel aka OVNI, e os brasileiros Flávio Samelo e Santhiago Vieira aka Selon. Com diferentes backgrounds – desde cursos de belas-artes até fotografia – os cinco artistas têm em comum o bom uso das cores, sempre muito bem iluminadas, e as formas geométricas, da op art ao grafite “rabiscado” propriamente dito.

Atenção, corra para conferir os trabalhos da Urban Gallery porque como nas ruas, em breve as obras serão retiradas e apagadas. Abaixo um guia dos trabalhos da Urban Gallery pelo Brasil, nada como descansar com os olhos com arte!

Tofer Chin (EUA) - Edifício Brookfield Malzoni, Av. Faria Lima 345, São Paulo

MOMO (Estados Unidos) - Giroflex, Rua Acari 270-320, Santo Amaro – São Paulo

Anna Taratiel aka OVNI (Espanha) - Barra Business Center - Av. das Américas 3301, Barra - Rio de Janeiro

Flávio Samelo (Brasil) - Century Plaza, Rua Copaíba Lote 1 – Brasília

Santhiago Vieira aka Selon (Brasil) - Prime Tamandaré Office, Setor Oeste - Goiânia

Grafite paulistano – São Paulo é hoje um dos principais centros de irradiação do grafite, do pixo, do estêncil, do lambe-lambe. A Lei da Cidade Limpa que tirou a poluição visual publicitária da vista dos paulistanos impulsionou consideravelmente a street art na cidade. Quantas vezes já lemos entrevistas com artistas estrangeiros surpresos que aqui as autoridades deixam pintar os muros da cidade. Quantos artistas viraram gênios das artes plásticas pintando muros, bueiros, edifícios e túneis, e logo depois criaram instalações, pinturas e objetos para importantes galerias e museus mundo afora. Lembra quando trabalhadores da prefeitura de São Paulo pintaram de cinza um grande muro na avenida Radial Leste? Os caras taparam um mural enorme de osgêmeos. Comoção geral na cidade. Jornalistas ligaram pros gêmeos na mesma hora para contar o grande absurdo que a prefeitura havia feito. No final, a prefeitura pagou pros gêmeos repintarem o mural.

Quem não lembra da polêmica dos pichadores que atacaram a Bienal de São Paulo de 2008, a tal “Bienal do Vazio”? Nesse ano de 2010 eles retornam à Bienal, mas como convidados da curadoria e não como vândalos.

osgêmeos na parede do meu prédio, na Liberdade

Agora mesmo estou envolvido em um projeto que vai retratar o bairro do Cambuci fazendo um contraponto entre o modernista Alfredo Volpi e os irmãos gêmeos grafiteiros Otávio e Gustavo Pandolfo. Aliás, osgêmeos são os grandes expoentes brasileiros da arte de rua em âmbito internacional, principalmente depois das exposições nas galerias Choque Cultural e Fortes Vilaça, em São Paulo, que os catapultou para exibições nos melhores museus e galerias desde Nova York e Los Angeles até Londres, Berlim e Tóquio. Na atual exposição de fotografias do cineasta alemão Wim Wenders no MASP, destaca-se uma foto gigante tirada na República Tcheca de um túnel escuro com iluminadas personagens de pele amarela de osgêmeos. E o austero Masp foi palco de “De dentro para fora/De fora para dentro”, a primeira mostra de street art que o museu abrigou no início do ano, da qual roteirizei um vídeo ainda inédito do making of da exposição curada por Baixo Ribeiro, sócio da galeria Choque Cultural, e Teixeira Coelho, curador do Masp.

Mais recentemente, lembro da surpresa ao ver grandes paineis espalhados em edifícios do centro da cidade. Era a Street Biennale que rolou entre setembro e outubro num circuito entre o Vale do Anhangabaú e as avenidas São João e Rio Branco. Ao final da mostra, os grandes trabalhos de sete artistas (4 brasileiros, 2 franceses e 1 chinesa) foram retirados das paredes de concreto afloraram novamente. Também entre setembro e outubro outro evento internacional de street art tomou conta do MuBE – a 1 ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art. A exposição reuniu 60 artistas de 12 países, o que mostra a força dessa arte globalizada, que hoje liga os grandes centros urbanos do planeta.

Afinal, é bom ou ruim a street art entrar no sistema do mercado cultural? Está aí uma pergunta com muitas respostas diferentes e conflituosas. Mas essa arte das ruas com certeza ganhou corações e mentes.

Para terminar a reflexão assista ao vídeo abaixo:

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sssspray is in the book – keith haring

Ontem dei uma voltinha na Livraria Cultura – eu pessoalmente prefiro comprar e consultar livros pela internet do que na confusão da livraria real, mas enfim… Lá pelas tantas o Atum me mostrou um livro do Keith Haring: “Ah, Se a Gente Não Precisasse Dormir!” (Cosac Naify). Estávamos na seção infanto-juvenil da livraria. O livro tem aqueles desenhos impressionantemente simples de Haring; e de imediato associei que há pouco tempo muitos deles estavam expostos ali pertinho da Livraria, na Galeria da Caixa no mesmo Conjunto Nacional. Lembro que na mostra “Selected Works”, que você leu aqui, havia uma sequência de gravuras em serigrafia que formam um livro que Haring desenhou a pedido de um colecionador alemão para seus filhos. A série intitulada “The Story of Red and Blue” foi pintada em 1989 e é uma das últimas séries de serigrafias aprovadas pelo artista. Aprovadas mas não assinadas porque ele já estava bastante debilitado pelos sintomas da AIDS e não conseguiu nem assinar os desenhos.

E pra completar a minha nova fase spray-and-books cheia de coincidências, hoje recebi chamada da exposição de painéis com intervenções de artistas brasileiros em reproduções gigantes de páginas de “O Livro de Nina” (Cosac Naify), outra incursão de Haring na literatura.  “O livro da Nina para guardar pequenas coisas” foi feito artesanalmente por Haring para presentear Nina Clemente, filha do pintor italiano Francesco Clemente, em seu aniversário de 7 anos.

MZK, Presto e SHN são os responsáveis pelas intervenções que estarão expostos na vitrine da Livraria Cultura (no Conjunto Nacional) entre hoje e dia 24 de outubro. A iniciativa-homemangem é da própria Cultura, da editora Cosac Naify e da galeria Choque Cultural. Em breve outros artistas da galeria – Carla Barth, Carlos Dias, Jotape, Mariana Martins, Pjota e Speto – vão interagir com os desenhos de Haring em exemplares do livro, que também serão expostos na vitrine da Cultura.

Para abrir a exposição, hoje (segunda 4/10) às 19h, haverá um debate aberto ao público e gratuito sobre arte urbana e o legado de Keith Haring com os artistas MZK, Presto e SHN. É bom retirar senhas a partir das 18h30 na bilheteria do teatro, na Livraria Cultura.

O mais legal é que a edição brasileira de “O livor de Nina”, publicado em fac-símile, conta ainda com um depoimento exclusivo da própria Nina Clemente, 22 anos após ter ganhado o presente. E que presente, hein???

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prato cheio

A semana começou com show de lançamento do primeiro disco da banda paulistana Stop Play Moon ontem (segunda). Muitos amigos curitram o show, que foi bem bacana e teve duas músicas inéditas no meio. Hoje (terça) tem a abertura da 29ª Bienal de São Paulo, mas sobre ela eu vou contar noutro post. Depois vou na Lôca dar um beijo no Zé Roberto Mahr, lenda viva do underground carioca que, aliás, me concedeu uma breve entrevista por e-mail que segue abaixo.

+1teko –  Você tem uma bagagem musical e tanto, então o que você tá curtindo hoje em dia? Eletrônico? Rock?…
ZRM –
Desde que comecei a ouvir e trabalhar com música, gosto muito de rock e música eletrônica, de diferentes décadas. Sempre pesquisando e me atualizando constantemente num ritmo frenético.

+1teko –  O que vc anda aprontando no Rio? Está produzindo música? Onde tem tocado?
ZRM –
Atualmente toco aos sábados no 00, numa noite que está completando 4 anos.  Na NUTH da Barra toda quarta, e outras festas.

+1teko –  Está em alguma rádio? Que programas de rádio vc indicaria?
ZRM –
Atualmente dei uma pausa em rádio mas já estou me preparando para voltar, adoro rádio!!!

+1teko –  Quais as 5 músicas do teu case que mais bombam?
ZRM – Two Door Cinema – “Something good can work” (remix)
Faze Action – “I wanna dancer” (remix)
The Ones – “Flawless” (remix)
Basemente Freaks – “Disco life”
Lindstrom & Christ Abelle – “Baby can´t stop”

+1teko –  O que podemos esperar para a noite de terça no Tapa na Pantera?
ZRM – Esta é uma noite muito especial… vou levar muiiiitos discos, farei um set de vinil, com músicas de diferentes épocas e com certeza vou botar a pista pra ferver!!!

*  *  *  *  *  *

Continuando a saga da semana, na quarta-feira tem show da banda Miike Snow. É a primeira apresentação no país do grupo sueco-norteamericano formado há três anos, cujo nome é um tributo ao diretor de cinema japonês Takashi Miike. O trio já produziu trabalhos de Madonna, Kylie e Britney e alguns DJs/produtores remixaram músicas da banda que ficaram muito boas, como Fake Blood, Crookers, Tiga, Cassius, Riton Alexkid, Sinden, Felix Da Housecat, entre outros. Miike Snow tem alguns EPs e singles e um álbum homônimo lançado em 2009. O show em São Paulos será no Estúdio Emme, em Pinheiros. Estão marcados shows no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Buenos Aires e Santiago do Chile.

Na quinta, a festa Moving no club D-Edge traz mais uma vez o DJ norte-americano Claude VonStroke! Os sets do cara são sempre muito pra cima e ele mistura de tudo, com ênfase em disco e house. Claude VonStroke é na verdade Barclay Crenshaw e é o homem por trás dos selos Dirtybird e Mothership, que têm em seus casts gente como Minilogue, Italoboyz, Rodriguez Jr. e Catz ‘n Dogz. Abaixo um vídeo/matéria da revista XLR8R com Claude VonStroke e abaixo tem videoclipe da música “Who’s afraid of Detroit”.

Sobre sexta-feira e o final de semana ainda não vi o que vai rolar…

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