Arquivo do mês: abril 2009

escorregou na maionese – hell’smann’s

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Como a maioria da população, eu pensava que uma colher de sopa de maionese tivesse umas 100 calorias. Daí a tradiconal marca Hellmann’s apareceu recentemente com um peça publicitária que pergunta exatamente isso: quantas calorias tem numa colher de sopa de maionese? A resposta surpreendente é que tem APENAS 40 calorias. Oooohhhhh!!!!

Daí que eu comprei maionese Arisco, por ser mais barata que a Hellmann’s, e no mais eu não sinto tanta diferença de sabor entre as marcas. Estava comendo a tal maionese Arisco e como sempre fui ler o rótulo e a tabela nutricional e conferi que uma colher de sopa – cerca de 12 gramas – de maionese Arisco tem 27 calorias! Ooooohhhhhhhhhh!!!

Acabo de conferir as tabelas nutricionais das duas marcas e é isso mesmo que indicam: 40 pra Hellmann’s e 27 pra Arisco. Pelo que entendi da mensagem da Hellmann’s é que pra vender mais tem de dizer pro público consumidor que em tempos de obesidade e de procura por um life style mais saudável tem de mostrar que o produto não é tão “engordante” quanto se pensa. Mesmo que seja apenas acrescentando palavrinhas mágicas como “fit” (como na batatinha frita), light, diet…  Ainda que a Hellmann’s não tenha caído no conto autosugestivo de que é a com menos calorias, o que seria um desastre depois que descobrissem como eu que outras marcas têm ainda menos calorias em uma colher de sopa, ela teve o mérito de levantar a discussão e fazer as pessoas olharem com mais atenção para as tabelas nutricionais – e para suas barrigas – antes de atolarem maionese nos sanduíches.

As marcas Soya e Cyclus, ambas da multinacional Bunge, também têm poucas calorias por 15g, cerca de 22 cal.

A maionese Primor diz que tem 45 calorias em 15g.

A Mayonnaise de Tofu (orgânica) da Ecobrás tem 20 calorias em 15g.

1 colher de sopa (15g) de Molho Cremoso Vegetale, da marca Superbom, contém 50 kcal.

15g da maionese Gourmet, da Cica, tem 105 calorias.

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Vai longe a época que ficava observando a minha mãe fazer molho de maionese aos domingos. Porque domingo com maionese (com batatas) e galinha assada só perdia pro churrasco, com maionese é claro. Minha mãe ficava ali, em frente ao liquidificador, acrescentando lentamente o óleo aos ovos enquanto se misturavam delicadamente e formavam um molho delicioso. Hoje, os nutricionistas dizem que JAMAIS devemos repetir esse ato, e sim usarmos maionese industrializada por causa das salmonelas etc. Ainda prefiro a da minha mãe que a Hellmann’s.

Depois a maionese entrou nos meus sanduíches-íches-íches e mais tarde, quando fui estudar na Holanda, descobri que os holandeses (e muitos outros povos) adoram batatas fritas com maionese. Hoje prefiro reprimir o uso da maionese, mas sempre tenho um vidrinho na geladeira…

Fiz um google e descobri a histéoria da maionese: “Em 1756, o duque de Richelieu foi enviado pelo rei Luis XVI para desalojar os ingleses no porto de Mahon. Proibido de usar fogo para não despertar a atenção do inimigo, o cozinheiro fez um molho frio com o que tinha: ovos, sal e azeite. Batizou de mahonnaise, referência à cidade. Afrancesada virou mayonnaise.”

Copy & Paste:

Maionese Caseira

Ingredientes:

– 2 ovos – APENAS AS GEMAS
– 1/2 xícara de azeite de oliva
– 1 xícara (chá) de óleo de soja
– 1 colher (sopa) de vinagre branco
– 1 colher (chá) de mostarda
– 1 colher (chá) de sal

Modo de Preparo:

Bata todos os ingredientes -MENOS O AZEITE E O ÓLEO – no liquidificador. Tire só a tampa da tampa e vá acrescentando, aos poucos, 1/2 xícara de azeite de oliva. Quando acabar o azeite, coloque o óleo, num fio, até que a maionese dentro do liquidificador feche, isto é, fique sem o buraco no meio das pazinhas virando. Dê uma mexida com o liquidificador desligado, ligue novamente (não esqueça da tampa) e coloque mais óleo. Faça assim, até que a maionese esteja no ponto.

Dica: Se, por um acaso, a maionese talhar, tire do copo do liquidificador para uma leiteira ou jarra, ponha um ovo inteiro, um pouquinho de sal e vá juntando aos poucos a maionese talhada.

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nova música – thiago pethit

ESCREVI ESTE TEXTO ORIGINALMENTE PARA O SITE VIRGULA, COMO MEU ÚLTIMO TRABALHO PARA O SITE. A ENTREVISTA COM O SIMPÁTICO THIAGO PETHIT ROLOU HOJE PELA MANHÃ POR TELEFONE. VOU HOJE CONFERIR OS DONS MUSICAIS DELE NO STUDIO SP – E A ENTRADA É GRATUITA!

Foto: Gui Mohallem

O cantor Thiago Pethit / Foto: Gui Mohallem

O compositor, cantor e ator Thiago Pethit é uma das jovens revelações artísticas que desde o ano passado tomou de assalto o circuito alternativo (ou indie). Em blogs, sites, casas de shows e no boca a boca, o jovem de 26 anos ganhou fama em São Paulo com suas belas canções que misturam desde rock até folk e MPB. Com o EP Em Outro Lugar e o single Fuga No 1 lançados de forma independente e com ajuda da internet, Thiago Pethit faz hoje (29/4) seu último show no Studio SP, em São Paulo, com as participações da cantora carioca Sílvia Machete e o música paulistano Dudu Tsuda.

Thiago Pethit conversou com o Vírgula e contou um pouco mais sobre a carreira, a divulgação das músicas, as parcerias musicais e a guinada ao trocar o teatro pela música.

Vírgula – O EP Em Outro Lugar saiu no fim do ano passado, antes disso o que você fazia?
Thiago Pethit – Antes de gravar eu trabalhava como ator. Foram quase 10 anos em uma companhia de teatro. Nessa época eu já escrevia muito e compunha muito, mas não usava isso pra nada. Conheci a cantora Tiê e o músico Dudu Tsuda que tinham o show Cabaret que misturava músicas deles com encenação, e eles me chamaram pra dirigir esse espetáculo. Daí de repente eu já estava fazendo cenário, costurando cortinas e tudo mais. Depois comecei a cantar em algumas músicas e vierei personagem do Cabaret e comecei a sacar que o que eu queria fazer estava mais ali que no teatro.

Vírgula – Você é jovem, pensa em voltar ao teatro?
Thiago Pethit – Sempre quis ser ator, era algo muito determiando na minha cabeça. Foi muito forte e brusco mudar pra música. Abandonei um grupo, estava ganhando dinheiro com teatro, o que é bastante difícil, mas não penso em voltar.

Vírgula – Em Outro Lugar saiu em quais formatos? Como você encara a internet para a música?
Thiago Pethit – Lancei o EP em CD, mas logo disponibilizei as músicas na internet porque adoro internet. Fiz mil cópias do disco e já vendeu mais da metade. Acho que consegui vender bastate CDs. Os CDs podem ser comprados depois do shows, na Livraria Cultura que já me pediu mais cópias, e também na loja Teu é o Mundo [al. Tietê 43, loja 12]. Em Outro Lugar saiu em outubro do ano passado, em dezembro lancei o single Fuga No 1 que foi lançado apenas como digital, não quis queimar em CD. Estou fazendo trabalho de formiguinha na divulgação, toda semana mando as músicas e textos para blogs de pessoas jovens que curtem o meu som e para alguns jornalistas blogueiros. Daí combinei com essas pessoas e disponibilizei as músicas nos blogs delas para serem lançadas num determinado dia. Eu acredito na internet.

Virgula – Como você escolhe os artistas que participam dos seus shows, já que você faz um trabalho bastante autoral e sozinho?
Thiago Pethit – Sempre chamo pessoas que admiro muito, porque tenho um trabalho muito solitário de compor e cantar, mesmo acompanhado de uma banda. E tenho que tomar conta de todo o resto como artista independente. Entao é muito bom quando consigo pessoas que têm outro olhar sobre o que faço. O Maurício Fleuey[Telepatique, Multiplex], por exemplo, foi muito importante quando comecei meu trabalho porque tínhamos ideias muito diferentes, e no fim me pareceu que ele entendia mais do meu trabalho do que eu. No meu trabalho solitário é bom ter esse olhar de fora, por isso chamei pessoas de áreas diferentes, como o Hélio Flanders [Vanguart] que não tem nada a ver com a Tulipa Ruiz [Pochete Set], por exemplo. Isso é pra dizer que o meu trabalho é plaural, que a minha música não é só folk, rock, tango, cabaré, chanson. É tudo isso, mas ainda é diferente.

Vírgula – Depois deste último show no Studio SP hoje, o que você está planejando?
Thiago Pethit – Estou querendo marcar shows fora de São Paulo, depois quero voltar ao Studio SP e tem umas novidades que ainda não posso contar.

Vírgula – Como começou o teu interesse pela música?
Thiago Pethit – Comecei a ouvir música muito cedo, sempre muito interessado pelo cinema. Eu era cinéfilo quando criança, com 10 anos ficava em casa assistindo a filmes. Um dia me toquei que sabia tudo sobre a 2a Guerra Mundial porque já tinha visto muitos filmes da década de 1940. Tem muitas coisas de muitas épocas que me influenciam: Nino Rota, Mutantes, música eletrônica, rock… Adoro ir nas quartas na festa Funhell [no clube de rock Funhouse], na festa Crew [nos clubes eletrônicos D-Edge e Vegas]. Adoraria ser um cantor de pista, mas minha música não tem muito a ver. Quem sabe um dia…

Virgula – Os jovens hoje querem ser DJs ou ainda ter uma banda de rock. Com influências tão diferentes desse universo, você não está fora do eixo?
Thiago Pethit – Estou nadando contra a corrente, mas às vezes também é gostoso deixar a corrente te levar. Por isso gosta de experimentar.

Links:
Thiago Pethit no Myspace
Site do Thiago Pethit

Serviço:
Thiago Pethit no Cedo e Sentado
Studio SP – Rua Augusta, 591
Quarta-feira 29/4, às 21h
Grátis

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a gripe suína (pelo frank) vem de brasília

frank

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Fashion Rio é de Paulo Borges

Reproduzo abaixo o que acabo de ler:

Dono da SPFW assume o Fashion Rio

POR LUCIANA OBNISKI in Época São Paulo Online

O dono da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, acaba de assumir também o Fashion Rio, que antes era de Eloísa Simão. Na verdade, o evento do Rio de Janeiro passa a ser coordenado pela InBrands, holding que já é dona das marcas Alexandre Herchcovitch, Ellus e Isabela Capeto, entre outras, e que também possui 50% da empresa Luminosidade, que faz o SPFW. De acordo com a assessora da InBrands, Luciana Martinusso, como a Luminosidade, de Paulo Borges, é o “braço” da InBrands que mais entende de logística de eventos, caberá a eles, e portanto ao todo-poderoso da São Paulo Fashion Week, cuidar do evento carioca.

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veias abertas

Estou lendo sobre a Cúpula das Américas, que deve terminar hoje em Trinidad e Tobago, e nesse redemoinho de volta de Cuba às organizações americanas, o destaque de Lula e a simpatia de Obama para com a América Latina, dois livros estão em alta – As Veias Abertas da América Latina (Eduardo Galeano) e Dependência e Desenvolvimento na América Latina (FH Cardoso e Enzo Faletto). Hugo Chavez deu um exemplar do primeiro título ao presidente americano, que por sua vez tem o segundo na estante da Casa Branca para ler em breve. Lembro que no primeiro semestre na Universidade Federal de Santa Catarina o professor de EPB-Estudos Políticos Brasileiros, matéria que não existe mais nos currículos, mandou a sala toda ler o livro do Galeano. O professor era arquiteto e havia vivido em Cuba em algum período da ditadura brasileira. Bom, fiquei passado com o que li em Veias Abertas. Aquele monte de repúblicas de bananas dominadas pela Europa primeiramente, e depois pelas grandes empresas e governo norteamericanos. Será que com Obama as coisas vão mudar?

Abaixo seguem links para ler os livros na íntegra:

As Veias Abertas da América Latina – Eduardo Galeano

Dependência e Desenvolvimento na América Latina – Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto

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No domingão sabadão tem The B-52’s aqui em São Paulo. Estou movendo meus pauzinhos pra me credenciar. No ano passado entrevistei Cindy Wilson para a DJ Mag e ela foi uma fofa. (E eu fiquei passado por conversar com ela!)
Abaixo segue a entrevista com a ruiva do quarteto mais festeiro do planeta. E no domingo sábado quero dançar muitas dancinhas da lagosta e do salmão!!!

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O avião B-52’s volta a disparar uma nova carga de hits para as pistas de dança mundo afora. Fred Schneider, Kate Pierson, Cindy Wilson e Keith Strickland pilotam essa aventura intitulada Funplex, que ganha roupagem sonora mais moderna com o uso de equipamentos digitais e a produção apurada de Steve Osborne (Happy Mondays, New Order e Paul Oakenfold). As onze faixas do álbum não trazem grandes surpresas, mas ter de volta a maior e melhor banda de festa do mundo é sempre um alento para nossos ouvidos.
De Nova York, Kate Pierson conversou com a DJ Mag Brasil e contou um pouco do que se passou e do que se passa agora com o B-52’s, que está em turnê pelos Estados Unidos.


1- Quando ouvimos B-52’s logo lembramos de new wave, old school rock, pós-punk e outras tantas referências do grupo. E elas também estão nesse novo álbum. Mudou alguma coisa para o B-52’s com Funplex?
– É fácil de reconhecer o som do B-52’s, né? Em Funplex o que está diferente é que estamos mais digitais que analógicos, tem mais efeitos e programações que dão outra sonoridade, como alguns loops. Keith (Strickland) trabalhou duro na produção, ele se influenciou pela música eletrônica.
2- Por que resolveram voltar a gravar depois de 16 anos (desde o álbum Good Stuff de 1992)?
– Nós nunca paramos de tocar juntos. Demos algumas paradas, mas fizemos duas compilações do B-52’s nesse meio tempo. É uma vida dura e muito divertida (risos). Há quatro anos, enquanto nos apresentávamos, fomos compondo as músicas desse novo álbum em hotéis. Nesse período fizemos várias sessões para compor as letras e de gravação.
3- Como foi retornar a Athens, a cidade de onde o grupo saiu, para gravar algumas faixas?
– Foi muito legal voltarmos a gravar juntos em Athens, isso aconteceu depois de 30 anos desde que gravamos “Rock Lobster”. Lá tem uma energia única para a gente. Você nunca imagina que vai retornar aonde começou depois de tanto tempo, né?
4- O B-52’s veio ao Brasil para o Rock in Rio, em 1984. Você lembra desse tempo? E o Brasil está no mapa da nova turnê da banda?
– Eu realmente adorei a nossa apresentação no Rock in Rio, tinha um público tão legal! Uns amigos estiveram no Brasil durante o carnaval e me contaram um pouco da festa, acho que seria legal o B-52’s voltar ao Brasil durante o carnaval! Estamos excursionando pela América do Norte agora e em agosto vamos para a Europa, ainda não temos datas na América do Sul e Ásia, mas seria muito bom tocar no Brasil no carnaval!
5- A música “Funplex” recebeu remixes de CSS, Peaches e Scissor Sisters. Por que remixar músicas da maior banda festeira do mundo? O B-52’s precisa ser ainda mais dançante?
– Os remixes de Funplex são muito mais dançantes e são um tipo de bonus tracks também. Eu gosto de sacar como outras pessoas fariam nosso som. Adoro a Peaches! Também gosto do humor de Scissor Sisters e CSS. Gosto de ouvir rock’n’roll de diferentes países e o CSS tem essa característica brasileira de ‘open air’, de carnaval, e eles são divertidos e engraçados.
6- Afinal, o que significa Funplex?
Funplex é uma área de diversão para crianças em shopping centers americanos, e na música Fred, Cindy e eu interpretamos personagens meio bizarros e consumistas. Em Funplex falamos mais uma vez sobre a cultura americana.

zzz004089-pp Em 1979, antes de gravar o primeiro disco



Vídeo de um dos primeiros shows da banda

Vídeo de apresentação no Rock in Rio, em 1985

Leda Nagle apresenta “a noite mais new wave” do Rock in Rio

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nuovo fascismo – nuovo apartheid

Gamberi alla Foggia (penne e camarões)

Gamberi alla Foggia (penne e camarões)

Em janeiro assisti ao filme Gomorra, de Matteo Garrone, e fiquei estarrecido com a estética documental, mas fiquei mais surpreso com as condições em que as pessoas viviam naquele subúrbio italiano, provavelmente perto de Nápoles. Uma mega estrutura habitacional é na verdade um favelão de primeiro mundo que a gente nunca vê quando está lá – porque como os gringos aqui no Brasil, não se aventura fora das cercanias turísticas. Mas se a máfia impera no filme, vejo que o xenofobismo está cada vez maior na Itália, a começar pelo primeiro-ministro bilionário e dono de canais de TV Silvio Berlusconi. Logo que Barak Obama foi anunciado presidente dos Estados Unidos, o capo Berlusconi saiu com um comentário jocoso e preconceituoso sobre o tom de pele bronzeado do presidente negro. E depois repetiu a dose fascista sobre o Barak Obama.

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Agora leio no diário espanhol El Pais a notícia que o prefeito da cidade de Foggia (nas fotos acima), no sul da Itália e às margens do Mar Adriático, colocou à disposição dos 800 imigrantes africanos negros que ficam numa espécie de campo de refugiados, uma linha de ónibus exclusiva. Notícia boa, né? Parece que agora eles tem um serviço especial. Foi uma boa medida para separar os imigrantes negros – que atravessam o Mar Mediterrâneo constantemente em busca da riqueza italiana/européia – dos italianos nativos brancos – que se desdobram para enfrentar a estagnação econômica de seu país. Quem decidiu pelo nuovo apartheid foi o chefe de polícia, que depende do Ministério do Interior. “Para a empresa local de ônibus e para o prefeito, de centro-esquerda, pareceu uma medida razoável”, diz a reportagem.

Uma voz se levantou contra, o governador da Puglia, região admnistrativa onde está Foggia. O governador Nichi Vendola disse que a medida lhe parece um “apartheid intolerável” e pediu ao prefeito que se os serviços atuais são insuficientes então que sejam reforçados “para todos”. “A linha para extracomunitários tem todo o sabor de separação, deve ser abolida o mais cedo possível”, disse. O tunisiano Habib Ben Sghaier, presidente da Associação de Comunidades Estrangeiras de Foggia, considerou a medida “puro racismo” e disse que fica difícil acreditar que tenha sido aprovada pela delegação de governo. Já a ONU… Através de sua agência para refugiados na Itália, defendeu o serviço e considera que não é discriminatório. A porta-voz da agência disse que “o ônibus que conecta o Cara de Borgo Mezzanone (centor de refugiados africanos que esperam regularizar a situação na Itália) com a estação de Foggia está ativo há vários anos. Se a linha fosse a única utilizável e fosse proibido aos imigrantes utilizar outros meios públicos, seria um fato gravíssimo. Mas segundo a informação que temos, não é essa a situação.”

Para esclarecer, as linhas para brancos e negros foram feitas porque havia superlotação dos ônibus e uns acusavam os outros de furtos.

Do outro lado da península itálica, no verdejante Mar da Ligúria perto da ensolarada ilha da Sardenha, Berlusconi e seus comparsas preparam a próxima reunião do G20 que acontecerá em julho. No alto verão europeu, os líderes dos países mais ricos – incluindo o presidente Lula – vão se reunir em um navio atracado na ilha de Santo Estefano. O bilionário italiano Gianluigi Aponte, proprietário da linha de cruzeiros MSC, ofereceu de graça o maior cruzeiro de luxo da Europa, o La Fantasia, do tamanho de três campos de futebol, para cerca de 1.300 VIPs. Irão à festança os africanos Hosni Mubarak, ditador egípcio, e Muamar Gadafi, ditador líbio, que não precisarão usar um navio extra como os imigrantes africanos do Foggia. Eles são bem-vindos porque têm petróleo e gás pra abastecer a Europa (no caso, a Líbia) e estão envolvidos nas estratégias políticas com o Oriente Médio.

Berlusconi está ansioso em oferecer ao menos um jantar em sua Villa Certosa, a cerca de 30 km da ilha Maddalena, perto da Sardenha. Uma autoridade descartou essa possibilidade. Diplomatas disseram que ainda é uma possibilidade. Alguns diplomatas disseram que sua maior preocupação era a ostentação de Berlusconi, famoso por suas piadas estranhas e travessuras. Nesta semana em Londres, Berlusconi  inseriu-se entre Obama e Dmitry Medvedev, da Rússia, para a foto grupal, demonstrando novamente sua ambição. Os italianos oscilaram entre divertidos e chocados pelas cenas que capturaram Berlusconi gritando “Senhor Obama!”, após a fotografia no Palácio de Buckingham, levando a Rainha Elizabeth II a virar-se e perguntar: “Por que ele tem que gritar?”

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Acima, o jornalista Roberto Saviano e cena do filme Gomorra

E ainda quero ler o livro Gomorra que deu origem ao filme. O jornalista Roberto Saviano, autor do best seller, está escondido e sob proteção da polícia desde 2006. A Camorra italiana, organização criminosa sediada em Nápoles com ramificações em todo o mundo, prometeu matá-lo até o Natal de 2008, mas não conseguiu cumprir a promesse. O nome do livro, Gomorra, se aproxima a cidade bíblica dos pecadores da Camorra italiana.

E quando visitei Milão no final de 2007 encontrei alguns brasileiros que moravam no albergue da juventude porque, segundo eles, mesmo com passaporte italiano era descrimiandos e não estava nada fácil conseguir um trabalho. Meses depois, li sobre a decadência da sociedade italiano, sobre os trintões que não conseguem sair da casa de seus pais porque os alugueis são caros, porque não têm bons empregos, porque ficam mamando no governo fazendo infinitos cursos de pós-graduação que no final não valem nada, por puro comodismo, porque a sociedade italiana parece não ter para onde se expandir. Uma verdadeira falta de esperança para com o futuro.

No domingão, coma sua macarronada e reflita sobre os problemas da Itália e do mundo, que são muitos… Bom final de semana.

P.S.: Leio agora no site da Editora Abril:

O ator italiano Giovanni Venosa, 31 anos, foi detido na Itália acusado de extorsão, informou a agência Ansa. Venosa atuou no filme Gomorra como um chefe da máfia e agora é associado a ela na vida real. Além dele, outros atores que participaram do longa já haviam sido presos por suspeita de envolvimento com a máfia. Salvatore Fabbricino é acusado de tráfico de drogas e Bernardino Terracciano, de chefiar operações mafiosas.

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