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we love; we love; bpitch control

Texto publicado originalmente na revista Mixmag n˚ 6. O álbum sai no começo de outubro.

We Love: design e afeto

O amor está no ar

Dupla italiana We Love estreia com performance audiovisual e canções raras

Sopra da Itália a próxima aposta musical do selo berlinense BPitch Control. A novidade vem embalada com roupas futuristas, máscaras, vídeos, atitude e música extra cool, bem ao gosto de Ellen Allien, a dona da gravadora. Será que você já se deparou com o nome We Love? Atualmente, a dupla é febre na Europa e excursiona pelos principais festivais – quem se arrisca a trazê-la ainda fresca ao país?We Love é Piero Fragola e Giorgia Angiuli, italianos baseados em Florença que criam belíssimas canções. Cada vez mais a  eletrônica, o rock, o pop e a dance em geral se aproximam, reformulando nossa audição (again and again and again). Parece que o purismo vai cedendo, e assim alargam-se as intersecções musicais e artísticas. É exatamento o que We Love quer e faz neste primeiro álbum e nos shows performáticos que incluem teclados desenhados por eles e projeções de vídeo.
“Give me the sounds of your skin”, cantam Giorgia e Piero  na bela, singela e profunda canção ‘Ice Lips’, com base pós-punk (vide The Cure, Durutti Column, Felt). A leveza percorre todo o álbum, sempre com ótima marcação na base e linhas de synths voando aqui e ali. Às vezes nos perdemos e lembramos de Goldfrapp, Lali Puna e Massive Attack, noutro momento nos aproximamos de trabalhos recentes da madrinha Ellen Allien, que privilegiam a voz em experimentos sonoros. ‘Even If’, ‘Don’t Cross’ e ‘Underwater’ são bons exemplos desse nu-dark, se me permitem. ‘Hide Me’ tem uma pegada única e sincopada, um mantra com ar de electro/techno. Blips, sininhos, bumbo pesado, synth melódico, vocoder e parece que Björk está na excelente e grandiosa ‘No Train No Plane’. O timbre pop assume a partir daqui com as dançantes ‘Our Shapes’, ‘Escape Destination’ e ‘White March’. Um disco empolgante! E nos shows? “No palco, somos como dois soldados do amor: dois rostos atrás de um visor, dois corpos atrás de uma armadura preto e branco”, conta a dupla. Ivi Brasil

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my essencial clubbing weekend in berlin (2007)

Esse texto foi publicado originalmente na revista DJ Mag brasileira em janeiro 2008, e foi escrito em dezembro de 2007. Estou republicando agora porque o número de acessos a outro texto sobre o club Berghain está com muitos acessos aqui, então aqui vai mais um pouco sobre clubbing em Berlim.

A contracultura da Berlim ocidental, cultuada por David Bowie e Wim Wenders, mudou-se para o leste. Lá onde o comunismo era encoberto pela cortina de ferro política e pelo muro físico que dividiu a capital alemã, instalam-se modelos da cultura globalizada. Galerias de arte, produtoras musicais, bares, cafés, ateliês, estúdios, selos fonográficos, brechós e a imaterialidade da internet; estão todos lá entre os distritos de Mitte, Friedrichshain e Kreuzberg. A parada obrigatória do metrô agora é Alexanderplatz com sua imponente torre de comunicação, e não mais a ocidental Zoologischer Garten (ou apenas Zoo) onde Christiane F se drogava e se prostituía nos anos 1970. Desde que os 47 quilômetros do muro que separavam capitalistas e comunistas desabaram em 1989, a cidade vem experimentando uma reviravolta cultural que culmina nos primeiros anos do novo milênio e que deve durar até o começo dos anos 10 do século 21. Centenas e centenas de artistas – principalmente DJs e produtores – migraram para a cidade, que hoje é conhecida como capital mundial da música eletrônica.

Numa quinta-feira à noite cheguei a Berlim. Zero grau com certeza. Vinha de Bremen com DJ Atum que havia se apresentado em Amsterdã dias antes. Fomos direto para Friedrischshain encontrar Ferri Borbás, produtor e manager do selo digital Autist e nosso anfitrião. Conheci Ferri via Skype, coisas da aldeia global. Poucas horas depois da nossa apresentação presencial já estávamos fervendo no moderno bar Sanatorium, um dos preferidos do povo da região oriental e atual trendy da capital alemã. O primeiro convite nessa essential clubbing trip foi para conferir Anja Schneider no club Weekend no sábado. Seria o início da residência mensal do selo Mobilee, da própria Anja, no Weekend. Antes de dormir recebo mensagem de Holger Zilske, o homem por trás do projeto Smash TV que tocou no Brasil duas vezes. O convite era para ir ao club Watergate conferir a performance de Ellen Allien no dia seguinte. Dormi com os anjos.

Ir a Berlim para ouvir, dançar e entender o techno criado lá não é só ficar na jogação. Na sexta-feira pela manhã já estava na mítica Alexanderplatz, ponto nevrálgico da cidade que fica no antigo lado oriental. Na saída do metrô, ergue-se a fantástica torre de comunicação de mais de 300 metros de altura e com um imenso globo espelhado espetado no centro. Alexanderplatz é uma imensa pista de dança! Daí vale um passeio em direção ao Portão de Brandemburgo, passando antes por uma série de museus, avenidas e palácios até o Tiergarten. A grandeza urbanística equipara-se ao poder econômico-científico-artístico germânico. Entendi ali um pouco mais sobre o povo alemão. O néon com a frase “All art has been contemporary”, que está atualmente na fachada do Altes Museum (Museu Velho), polemiza com o conteúdo da casa, um valioso tesouro de peças egípcias da antiguidade. Novo e velho são um só em Berlim, neon-art e arte egípcia, igrejas góticas e prédios modernos, jovens dançando ao som de minimal techno em antigos redutos comunistas.

Party people – Sexta-feira à noite. Em Friedrischshain começa a agitação atrás das festas mais badaladas. Cada um fala uma coisa, mas o convite já tinha sido feito: Ellen Allien @ Watergate. Dentro do club encontramos Holger Zilske já contando novidades sobre o novo álbum de Ellen, que estão produzindo em parceria e deve sair em abril. Pouca coisa tinha sido feita e Holger já estava participando de outros projetos e (tentando) compor suas próprias tracks. O club Watergate fica na beira do Rio Spree, a pista inferior está na altura da água e uma imensa ponte medieval se ergue bem em frente. No andar de cima, a iluminação movimenta milhares de leds e os ansiosos pela chegada da musa do minimal e dona do selo BPitch Control. Ellen não demorou a aparecer com dois roadies carregando pesados cases, pediu licença ao DJ Daniel Bell (que fez um set correto para aquecer o povo) e começou a esmerilhar pérolas do tão elogiado estilo minimalista do BPitch Control. A DJ se divertia em sua terra natal, homenageada por ela nos álbuns Berlinette e Stadtkind. O que ela tocou? Não sei dizer títulos de músicas ou rótulos de gêneros, mas meu corpo e meu espírito agradeceram por estarmos lá.

A jaca berlinense rola mesmo é de sábado para domingo. O vento frio cortava a noite e a gente ía se aquecendo pelos bares esfumaçados do Mitte até chegar ao Weekend, no topo de um edifício de 15 andares em Alexanderplatz. Era a primeira festa mensal do selo Mobilee no Weekend e a convidada não poderia ser ninguém menos que Anja Schneider, dona do Mobilee e de um sorriso simpaticíssimo. Ela fez um set animado, o povo gritou, a DJ acelerava no minimal indo cada vez mais para o techno sem perder o rebolado e o charme, e inserindo pitadas housy. Noutro dia, Anja me confessaria – “acho que meu som passou de algo housy para um lado mais techno, mas não gosto dessas definições de estilos, afinal é tudo house”. Mas nem todos concordam ou concordariam com ela, como o produtor Paul Brtschitsch que tocou ao vivo, logo depois dela, um techno mais pesado e energético, porém não menos minimalista. Guarde bem esse nome estranho, Paul Brtschitsch. Em Berlim ele é considerado um novo prodígio da eletrônica. Depois de parcerias com André Galluzzi e alguns EPs elogiados, Paul está atualmente compondo com Holger Zilske para um novo live p.a. e produzindo o álbum de Anja Schneider.

Mobilee / Autist – “Não gosto de decidir tudo sozinha. É ótimo que o Paul esteja comigo produzindo meu primeiro álbum”, confessa Anja Scheneider. “Sempre preciso de alguém ao lado quando estou produzindo, primeiro porque não tenho tempo para saber os segredos e truques da parte técnica, e também porque preciso de alguém para dizer se devo continuar ou parar tudo. Preciso de opiniões diferentes para decidir em conjunto”, explica. A grande jogada de Anja nesse empreendimento é o retorno pessoal. “A melhor coisa em trabalhar com jovens talentos é poder vê-los crescer e então receber de volta uma energia fundamental”, filosofa a DJ.

Uma das crias mais queridas do Mobilee é a dupla Pan-Pot que lançou em outubro o álbum “Pan-o-rama”, primeiro álbum da dupla e do selo. Tassilo Ippenberger e Thomas Benedix são muito bem-tratados por Anja na nova sede do Mobilee, no meio do moderno e descolado distrito Mitte. No estúdio, a dupla tem tudo o que precisa para criar climas pesados e dançantes, como para o remix do primeiro single do primeiro álbum da patroa, que tive o privilégio de ouvir em primeira mão. O single deve sair entre janeiro e fevereiro, e o álbum chega ao público em maio. Outros nomes que lançam no Mobilee e no subselo Leena são Jennifer Cardini, Sebo K, Exercise One, GummiHz, Holger Zilske e Marco Ressman.

Enquanto o Mobilee tem sede com estúdio e lança vinis (e alguns CDs e mp3) todos os meses, o selo Autist existe apenas na rede lançando faixas digitais. “Os arquivos digitais são o suporte mais apropriado para o século 21, e no mundo do techno é tudo muito rápido e não dá pra ficar esperando meses pela prensagem de um disco”, argumenta Ferri Borbás, manager do Autist. O selo se sustenta linkado a comunidades virtuais para divulgar os EPs virtuais que são vendidos em vários sites. Colaborações com videoartistas e cineastas também é boa moeda de troca. “Gastasse pouquíssimo e o resultado é garantido”, afirma.

O destaque do Autist é o produtor Boris Brejcha de apenas 22 anos e que vive isolado em uma pequena cidade no sudoeste da Alemanha. Sem contato direto com a eletricidade clubbing de Berlim, Boris cria o seu “freak modern electro techno” em casa e faz dancinhas malucas (procure no MySpace!) para testar se a música é boa para a pista. Em janeiro ele vem ao Brasil para algumas apresentações! Uma boa maneira de fugir do inverno europeu.

A neve – Lá do alto do Weekend a vista é incrível e para meu deleite a neve começou a cair pouco antes de Anja terminar seu set. Estupefato pela neve, pelo drink de vodca com pepino e pelo som, não podia ainda imaginar o que seria o Berghain / Panorama Bar. A neve caía silenciosamente sobre Alexanderplatz quando pegamos um táxi para o Berghain, templo do techno e da loucurama berlinense. Na neve, o povo gritava para entrar enquanto enfrentava uma longa fila às 5h matina. Todos migram para o Berghain nessa hora, quando os outros clubs fecham. Lá dentro a principal regra, estampada bem na entrada, é: “cameras are not allowed”. Melhor assim!

O Berghain e o Panorama Bar ficam em uma velha usina de energia elétrica, em Friedrischshain. Berghain é a pista principal, o techno é o som, Ben Klock é o DJ residente, o pé direito é imenso e em várias darkrooms se faz exatamente tudo em termos de sexo. O Panorama Bar fica na parte superior do prédio e o clima é mais relaxado, em termos musicais é claro. Batidas mais minimalistas e mesmo houseadas movimentam uma turba em constante jogação. Ferveção pouca é bobagem! O mix de estilos e comportamentos é absurdo, parece que todos os grupos sexuais, raciais, musicais, fashionistas estão ali representados. Ecletismo democrático, liberdade desenfreada, hardcore sexmachine, fucking techno.

Naquela noite/manhã os franceses Joakim (dono do selo Tigersushi) e Chateau Flight mais o canadense radicado em Berlim Konrad Black se revezaram na cabine de som do Panorama. Como parar de dançar? Todos corriam entre um techno minimalista e dançante, grooves tímidos e trechos mais experimentais. Uma levada mais house à francesa complementava o ambiente. O Berghain / Panorama é onde o povo que estava em outros clubs se encontra, é onde se comenta das festas, bebe-se pencas e dança-se até domingo à tarde. O Berghain fervia ao meio-dia quando da pista brindamos com Ben Klock suas últimas tracks. Logo estávamos conversando e ele me olhava serenamente enquanto eu confessava que aquele era afinal o club mais incrível do mundo no qual já estive.

P.S.: Só pra lembrar, o bafo é tão forte no Berghain / Panorama que nem o club tem fotos de divulgação. Só mesmo na minha memória…

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mamma mia! i love we love

O selo alemão BPitch Control mandou ontem newsletter sobre seu novo lançamento. A dupla italiana We Love é bem mais que um “projeto” de ótima música dançante. Giorgia Angiuli e Piero Fragola gostam mesmo é de uma boa performance na cabine de som. Vestem roupas ‘performáticas’, projetam vídeos e ainda sobra tempo pra tocarem instrumentos absurdinhos e máquinas analógicas e digitais. As batidas combinam disco 80’s e eletrônica (electro, minimal e tech house), o mesmo tom minimalista dos artistas do BPitch Control (de Ellen Allien), mas os dois italianos vestem o techno berlinense com adornos musicais – lances de ítalo e disco – de sua terra natal. A fusão é tão saborosa quanto uma macarronada da mamma.

O primeiro álbum, que também se chamará ‘We Love’, sairá na segunda semana de outubro – daqui quase quatro meses! Vou dar uma procurada se já rola algum link pirata pro álbum, mas a gravadora mandou um medley – faz tempo que não vejo essa palavra! – com trechos das dez faixas do disco que dá pra ouvir nesse link aqui. ‘We Love’ tem como tema visões e viagens – “when the window of a train takes you somewhere”, explica o duo italiano. O start da produção do disco aconteceu quando encontraram por acaso o produtor musical e remixer Marco Palazzo (aka Keith) numa estação ferroviária e logo fizeram a primeira faixa, ‘Escape Destination’. As outras nove faixas seguiram os trilhos dessa inspiração.

We Love nasceu no meio do ano passado, quando Georgia e Piero gravaram um CD para ouvir durante uma viagem. Ela escreveu no disco ‘WE’ com caneta de tinta branca; logo depois ele rabiscou ‘LOVE’ com tinta preta. A dupla nascia aí, em preto e branco, e tendo o amor como guia para suas incursões musicais. Bem antes disso tudo, Giorgia andava envolvida com moda, no projeto Metúo com a francesa Amelie Labarthe. Mas bem antes disso, na adolescência, Giorgia tocava guitarra clássica até ganhar uma elétrica e passar a tocar hardocre e black metal. Piero é designer, VJ e professor universitário, trabalhou com músicos, grupos teatrais e diretores de cinema. Ele descobriu a música eletrônica através da cult band inglesa pós-industrial Coil. E diz que a Giogia deu como presente de aniversário o disco ‘Berlinette’, da Ellen Allien, para uns amigos faz algum tempo. “Senti um lance revolucionário nele, e então comprei meu primeiro sound card e um laptop novo. Descobri e ainda estou descobrindo o charme incrível da música eletrônica”, conta a ragazza inspirada em sua atual chefinha Ellen Allien. Aliás, o último disco de Ellen, ‘Dust’, que você leu e ouviu aqui, tem tudo a ver com o som de We Love.

Nos shows, a dupla We Love veste roupas e máscaras boladas por eles mesmos e usa uma velha guitarra em forma de coração, uma drum machine, dois teclados e um controlador midi (cujo design foi elaborado por eles mesmos e patrocinado pela marca italiana de roupas e mobiliários I&S). Piero e Giorgia também projetam imagens em preto e branco num telão e cantam. O objetivo é explorar as relações entre as diversas formas de expressão estética, como som, arte visual, moda e design.

No link a seguir tem vídeo do We Love tocando ao vivo em Barcelona > We Love live

capa we love

ARTIST: WE LOVE
TITLE: WE LOVE
RELEASE GER: 10.09.2010
RELEASE WORLD: 13.09.2010
FORMAT: CD / Digital
CAT NR.: BPC225CD
EAN CD: 880319480522
LC: 11753

01. Ice Lips
02. Don’t Cross
03. Cruise Control
04. Hide Me
05. Even If
06. Underwater
07. No Train No Plane
08. Our Shapes
09. Escape Destination
10. White March

P.S.: Assim que acabar o upload de um mini set do We Love eu coloco aqui!!!

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ellen allien; “dust”; bpitch control

Vamos ter de esperar até o final do ano pra constatar in loco a nova incursão musical de Ellen Allien. Por enquanto a América do Sul não consta dos planos de viagem de Ellen e seu novo álbum “Dust”. Mas eis que o disco pousou na minha caixa postal no dia 1˚ de abril junto com o kit com novas imagens de Ellen, a capa do CD, textos, cronogramas e – o mais importante – as 11 faixas! O disco tem co-produção de Tobias Freund – conhecido como Pink Elln e parte do projeto Sieg Über Die Sone, que se não me engano se apresentou no D-Edge há uns 2 anos. O lançamento é  em 21 de maio e vai ter uma superfesta em Berlim – dia 22 de maio no Panorama Bar com Kiki, Chaim, Mr Statik, dOP (live) e a própria Ellen Allien. Entrada a 12 euros!

Ellen parece se render aos poucos a disco music e ao sabor das músicas com letras pra ela própria cantar. Microloops criam atmosferas dançantes, um som intenso e mínimo, vozes soprando aqui e ali, detalhes delicados, experimentações.  A sonoridade robótica do Kraftwerk que Ellen coloca em “Dust” denuncia que o minimal nasceu bem antes nos laboratórios alemães nos anos 60/70. Uma boa síntese do disco é a faixa “Sun the Rain”, um synth pop frágil como um cristal, com Ellen cantando (e eu lembrando de Stop Play Moon e a voz da Geanine Marques).

Na mesma levada tem a ótima “You”, também com vocais de Ellen. E tem músicas pra pirar na pista de dança como “Flashy Flashy” e “Ever”, ambas numa linha minimal techno que Ellen segue há bastante tempo tanto para si como para seu selo BPitch Control. “Dream” traz lembranças sonoras de Krafwerk, parecem samples de “Autobahn”. A vertente mais experimental, Ellen pira o cabeção em “Should We Go Home” e introduz as sutilezas sonoras do álbum com “Our Utopie”. Adorei!

Capa do disco "Dust", de Ellen Allien

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lá vem o brasil descendo a ladeira

O mundo tá vindo abaixo aqui em casa. Tenho de ouvir ao mesmo tempo new wave, minimal techno, nu-house e electrinhusssss… Primeira coisa é tirar da frente o texto sobre o novo disco do B-52’s pro site www.rraurl.com. Nem vou falar mais nada porque você confere amanhã lá no rraurl mesmo, né? Prometi resenhar os primeiros álbuns de Anja Schneider e Martin Eyerer aqui no +1 teko em primeira mão… já, já! Péra um pouquinho…

 smash-tv.jpg Smash TV

Semanas atrás recebi as duas faixas do EP Locomotive Breath do Smash TV, ou Holger Zilske (excelente host de baladas em Berlim!). Ele me enviou também as faixas de outros dois EPs que comentarei por aqui em breve. E agorinha chegou a newsletter do BPitch Control anunciando o lançamento do disco hoje segunda-feira 17/3. As faixas são Locomotive Breath e Breath Me. Esmiuçando rapidamente… Aquela sonoridade de Autobahn (Kraftwerk) que faz a gente viajar é a propulsão de Locomotive Breath. Só faltou o piuíííííí pra sair correndo atrás do trem, porque a sensação da música é realmente das lufadas da maria-fumaça. Existe uma continuidade que se estende nas notas até sair em fade. É como se o som passasse e ficássemos ouvindo o zunido. Mas a faixa tem quebras também, o que facilita a vida do DJ, já que faixas como essa são pensadas assim, para o DJ experimentar pontos diferentes para mixar. Em Breath Me, Holger é esperto ao usar a mesma sonoridade de locomotiva em movimento no começo da música. Menos fluída, a faixa tem momentos de suspense e suspensão. A respiração humana não é como a da máquina. As camadas graves e agudas ganham intensidade e sobrepõem-se. Ou deslizam lado-a-lado… A sensação é de um techno que ganha diversidade ao beber no minimal e em Detroit, e ainda andar pelos trilhos do Kling Klang (o estúdio do Kraftwerk de Düsseldorf).   

 cover_at061_700x700.jpg capa de Sao Paulo do Oblivion

Outro que parou aqui na estação foi o segundo EP da dupla brazuca Oblivion pelo selo Autist Records, de Berlim. Sobre ambos já falei aqui no +1 teko. Na DJ Mag Brasil atual tem matéria sobre Berlim na qual conto do Autist e dos caras por trás do selo, e no próximo número que sai ainda em março tem matéria sobre Oblivion. Vamos ao EP Sao Paulo do Oblivion. O manager Ferri Borbás foi bem esperto em usar o nome do Estado e as cores da bandeira pra forçar a mão no live act de Vitão e Bruno, de Americana (SP). Assim o selo ganha outro continente e sotaque, mesmo que esse esteja na linha minimalista bem à moda alemã. [Mas já sei que um produtor de Brasília também lança em breve pelo Autist. Confirmarei aqui!]

Sao Paulo traz cinco faixas, duas são remixes – Bones, FadetoMarche nas versões original, Boris Brejcha Remix e Michael Knoop Remix. A primeira faixa vai pelo lado techno quadrado mesmo, sem muitas concessões. Fadeto é mais dinâmica e tem um ótimo grave e pedaços de voz que parecem dizer “oblivion” e “techno”. Infelizmente a faixa é bastante longa e não foi ela a eleita para os remixes, que poderiam dar cortes mais precisos. A música Marche é da linha diagonal absurda, cheia de climas e suspenses e quebradas e camadas. Pesada na versão original, ganha leveza no ótimo remix de Boris Brejcha, também conhecido pelo pseudônimo ANNA e que toca com Oblivion entre abril e maio no Brasil! Boris dá uma arredondada na melodia com linhas instrumentais mais agudas, o que deixa a faixa click-dançante. E o remix esquema techno pop de Micheal Knoop não inspira maiores comentários.

Cansei de inventar adjetivos e adjetivações pra tanta música…. pausa para meditação e o retorno ao B-52’s… que aterrissa amanhã no Rraurl. Bon voyage!      

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