Arquivo do mês: julho 2010

o sabor dos anos 80

Você nem imagina – Pra começar bem a sexta-feira, aqui vai a música “Teu Inglês” que fechou o show da banda Fellini ontem. Não resisti e acabei comprando, no final do show, o vinil do segundo álbum da banda, “Fellini só vive 2 vezes”, que eu cultuava aos 19 anos lá pelos meados dos anos 80. Aliás, Fellini acabou de gravar novo disco, que se chamará “Você nem imagina”, a ser lançado entre final de agosto e começo de setembro com capa do truta Fábio Spavieri. A banda está ensaiando há algum tempinho e Thomas Pappon largou Londres e está direto em São Paulo com esse novo projeto da banda.

E tenho dito – Antes do show foi jantar no delicioso Dalva e Dito. Como sempre, comida e atendimento de primeiríssima qualidade, tudo regido pelo chef Alex Atala. Na outra vez que estive lá comi um delicioso pirarucu e ontem fui de camarões com creme de mandioquinha. Esse foi o prato principal, antes provei uma salada de tomates com cebola e cavaquinha (peixe) num molho delicioso, e de sobremesa foram três bolas de sorvetes bem brasileiros – tapioca, umbu e papaya com pitanga!!! Tudo divino, maravilhoso! Aliás, o cardápio do Dalva e Dito faz a linha feijão-com-arroz, ingredientes brasileiríssimos de todas as regiões do país muito bem combinados e apresentados. Tem desde frango assado de televisão até moqueca de camarão, de polvo pururuca a salada de palmito com camarão. Com toques regionalistas, Atala criou um cardápio que inclui alimentos triviais nacionais com sabor de feito-lá-em-casa. O site ainda não está pronto, então segue o endereço do restaurante Dalva e Dito: Rua Padre João Manuel, 1115 – Jardins – São Paulo; telefone 3062-0238. E é bom frisar que os preços são honestos para o bom serviço que o restaurante presta.

As gostosas e brasileiríssimas pimentas do Dalva e Dito

Minha sobremesa: sorbets de sabores nacionais

Street pop art – Inaugura amanhã a super exposição “Selected Works” do artista norteamericano Keith Haring na Caixa Cultural, na Avenida Paulista. Haring é um dos ícones da pop art dos anos 80, frequentador da Factory de Andy Warhol, amigo de Basquiat e ativista da causa da Aids (como pode-se ver na imagem acima), que vitimou sua morte em 1990. Haring esteve no Brasil algumas vezes e pintou por aqui também, como dois painéis em Salvador.

Basquiat e Haring, em 1987

A mostra terá 94 obras nunca vistas no país e diversos itens pessoais do artista. O período expositivo em São Paulo é de 31 de julho a 5 de setembro na Caixa Cultural Paulista (no Conjunto Nacional). Depois, a exposição segue para a Caixa Cultural do Rio de Janeiro, entre 28 de setembro a 14 de novembro. Há chance da exposição chegar a Salvador, onde existem dois raros painéis de Haring, um deles necessita de restauro, plano que consta do programa da exposição.

Haring elaborou muitos murais públicos em prol dos direitos civis, caridade, hospitais, creches e orfanatos. Em 1989, foi diagnosticado com HIV e fundou a Keith Haring Foundation no ano seguinte para apoiar campanhas de prevenção do HIV e programas infantis. No Brasil, a Fundação está organizando programas educacionais sobre prevenção do HIV em parceria com a ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e APTA (Associação para Prevenção e Tratamento da Aids).

Warhol e Haring

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philip glass em são paulo

Abro mensagem de um amigo carioca e ele me diz que está vindo pra São Paulo pra ver Philip Glass num vernissage na Pinacoteca. PHILIP GLASS???!!! Claro que fiquei maluco e corri atrás da informação. O site da Pinacoteca não tem muita informação sobre ingressos e horários, mas tem um video bacana aqui. Descobri que Glass vem à América do Sul pra apresentações amanhã (30/7) em Quito, Equador, e no dia seguinte na abertura da instalação “A Soma dos Dias”, que fez em dupla com o artista plástico Carlito Carvalhosa.

O público em geral poderá conferir duas apresentações de Philip Glass nos dias 2 e 3 de agosto – segunda e terça. Na segunda ele toca piano solo e na terça é acompanhado por alunos da Escola de Música de São Paulo Tom Jobim.

Philip Glass é um dos compositores mais influentes no fim do Século XX, um ícone do pós-modernismo e principalmente pelas composições minimalistas. Na Wikipedia ainda tem umas curiosidades que eu nem imaginava: “Entre as óperas produzidas por Glass podemos citar Satyagraha (1980) baseada na vida de Mahatma Gandhi que inclui diversos mantras. Compôs também a ópera “Itaipu” (1989) referindo-se a usina de mesmo nome que possui texto em guarani. Também é dele “Days and Nights in Rocinha” (1997) que foi escrita após uma visita de Glass a favela da Rocinha.” Glass também compôs trilhas famosas como a da sequência de filmes de Godfrey Reggio, a começar por Koyaanisqatsi.

IMPERDÍVEL!

Pra terminar, o Lísias do blog DeepBeep aparece com três fitas K7 com sets do Marquinhos MS. Com direito a letra do falecido e estimado DJ na capa das fitas. Em breve no ar!!!

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o dogma da ikebana

Acompanhe esse post ouvindo a música acima – “Porrada” (Titãs)

Milhares de imigrantes ilegais estão deixando o Arizona antes que a nova lei anti-imigração entre em vigor na quinta-feira. União Européia diz que o Kosovo é  problema dela e se a Sérvia quiser entrar na UE vai ter de viver em paz com os kosovares e aceitá-los como nação independente. Fernando Collor está na frente na campanha ao governo de Alagoas. Por enquanto, Paulo Maluf terá sua candidatura impugnada através da lei “Ficha Limpa”. PT pede à Folha de S.Paulo que tire do ar – censura? – página com vídeo no qual o candidato a vice do Serra diz que o partido de Lula tem ligações com as FARC e narcotráfico. WikiLeaks detona guerra americana no Afeganistão divulgando mais de 90 mil documentos que mostram a verdade bem mais crua e terrível.

Esses foram algumas das manchetes que me chamaram a atenção hoje pelo noticiário diurno. Mas vamos às amenidades porque de complicada já basta nossa vidinha cotidiana.

Dogma 95 – Lembro da náusea que senti ao assistir “Os Idiotas”, de Lars von Trier. Me esforcei para continuar vendo aquele filme com câmera-na-mão balançando sem parar. A náusea é aliviada por um breve momento, logo no início do filme, quando se descobre o golpe que um bando de amigos dá no status quo da sociedade dinamarquesa explorando a idiotice para sobreviver. Um riso rápido e irônico e o navio de von Trier continua a navegar e a nos jogar contra nossas hipocrisias.

E pra rever essa saga cinematográfica que começou em 1995 com o movimento Dogma, rola entre hoje 27/7 e 3/8 a mostra “Dogma 95 – 15 Anos Depois” na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Estão em cartaz os títulos “Os Idiotas”, “Corações Livres”, “Mifune” e “Nas Suas Mãos”. Como diz Inácio Araújo na Folha de S.Paulo hoje, é uma pena que o ótimo “Festa de Família”, de Thomas Vinterberg, não esteja na mostra; é um soco no estômago. No último dia – terça 3/8 – acontece projeção de “Os Idiotas” seguida de palestra de Bodil Marie S. Thomsen, professora associada de Cultura e Mídia no Departmento para Estudos Escandinavos da Universidade Aarhus, Dinamarca.

Ikebana – Toda vez que vou à estação do metrô Liberdade dou uma olhada na ikebana (ou kado) exposta na vitrine perto das bilheterias. O arranjo floral é uma das mais belas artes japonesas, ao meu ver. E a partir de hoje até quinta-feira tem uma exposição de 60 arranjos florais no Centro Cultural São Paulo. A mostra é comemorativa dos 50 anos de fundação da Associação Floral Kado Iemoto Ikenobo da América da Sul.

Na Wikipedia consegui um bom texto sobre essa arte nipônica: “Ikebana (em japonês: 生け花, “flores vivas”) é a arte japonesa de arranjos florais, também conhecida como Kado (em japonês: 華道 ou 花道, Kado) — a via das flores.

Ikebana é uma arte floral que originou na Índia onde os arranjos eram destinados a Buda, e personalizada na cultura nipônica, pela qual é mais conhecida. Em contraste com a forma decorativa de arranjos florais que prevalece nos países ocidentais, o arranjo floral japonês cria uma harmonia de construção linear, ritmo e cor. Enquanto que os ocidentais tendem a pôr ênfase na quantidade e colorido das cores, dedicando a maior parte da sua atenção à beleza das corolas, os japoneses enfatizam os aspectos lineares do arranjo. A arte foi desenvolvida de modo a incluir o vaso, caules, folhas e ramos, além das flores. A estrutura de um arranjo floral japonês está baseada em três pontos principais que simbolizam o céu, a terra e a humanidade, embora outras estruturas sejam adaptadas em função do estilo e da Escola.”

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Pra quem ainda não viu o vídeo com o Sr. Indio da Costa, candidato a vice-presidente da chapa de José Serra, falando que o PT tem ligação com narcotráfico e FARC, ei-lo abaixo.

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viagem marcada; visibilidade na blogsfera

Começo a semana com viagem marcada pra Floripa no fim de agosto pra rever a família e amigos, e descansar um pouco da loucurama de São Paulo, comer uma tainha assada e curtir a praia com o bom e velho Vento Sul que sopra na Ilha de Santa Catarina . E ainda ver como anda o livro “Schwanke – a seriação iluminada” sobre o artista joinvilense Luiz Henrique Schwanke, que deve ser lançado em setembro.

O primeiro livro sobre o artista que foi o mais importante da Geração 80 em Santa Catarina será distribuído para bibliotecas municipais, escolares, de universidades e museus catarinenses, já que o projeto tem apoio cultural do Prêmio Edital Elisabeth Anderle (do Governo de SC). O Instituto Schwanke também está apoiando o projeto que tem como linha de investigação a repetição ou seriação em diferentes aspectos na obra do artista. A coordenação editorial é da Kátia Klock, que assina a edição comigo e a com a editora de arte Vanessa Schultz. O livro terá encartado dvd com o documentário “À Luz de Schwanke” que co-dirigi em 2008 com produção também da Contraponto.

Esperamos fazer um lançamento em São Paulo também, na época da Bienal, já que temos texto de Agnaldo Farias, um dos curadores da mostra na qual Schwanke participou em 1991. Os críticos de arte Fabio Magalhães e Frederico Morais e a jornalista Néri Pedroso também terão textos publicados no livro, que contará com croquis, anotações, bilhetes, projetos, fotos e reproduções de obras de Schwanke, como o famoso “Cubo de Luz” montado na 21ª Bienal de São Paulo, em 1991.

Cubo de Luz, na 21ª Bienal de São Paulo, 1991

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Blogsfera – Não é que pra minha total surpresa o +1teko é destaque hoje no blog SuaVerdade, da marca de jeans Iódice!? Fico superlisonjeado com o texto elogioso. Você leu aqui sobre a nova coleção da Iódice, eu garanto que o jeans é muito bom. E recentemente recebi em primeira mão algumas fotos do making off do editorial da nova coleção de verão da marca. O tema ‘água’ inspirou o fotógrafo Jacques Dequeker, o o stylist Giovani Frasson e o maquiador Max Weber. Os modelos são gente como a gente, segundo a assessoria da grife: as gêmeas Bia e Branca Feres, Lucas Corduro, Taina Barrionuevo e Camila Fremder. Não sei se são tão assim parecidos com outros mortais, mas é gente que faz e aparece.

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Blogsfera 2 – O ótimo DeepBeep publica hoje página com Johnny Luxo, lendária figura clubber, na seção Mixtape. O set da fofa tá babadu!!! Texto e entrevista minhas. A Johnny dá um xoxo na moda brasileira e elege “A Roda”, da Sarajane, como novo velho hit de verão!!! Adoro colaborar com o DB, um dos blogs mais bacanas sobre música no país.

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live music acts: dexterz

Amon + Junior + Julio = Dexterz

Tem dias que eu não aguento e falo mesmo, e hoje… Meu Deus! Tem cada coisa que a gente vê e ouve e que não quer acreditar! Acabo de ler a notícia que Júnior, o irmão da Sandy, resolveu enveredar pela live performance eletrônica no projeto Dexterz ao lado do DJ Julio Torres e do violinista Amon Lima, que anteriormente se intitulavam Crossover. Valha-me, Deus! A mistura não podia ser mais explosiva! Ótima para animar cruzeiros e festas como as do Big Brother Brasil 10 (veja vídeos abaixo).

Junior não sabia o que fazer depois da infância marcada como par de sua irmãzinha na dupla pop-sertaneja Sandy & Junior e foi tocar bateria com uma rapeize sem maiores perspectivas na banda Nove Mil Anjos. Não sobrou um querubim pra contar como foi a descida ao inferno. Agora ele está seduzido pela eletrônica, quer dizer, pela mistureba de violino brega com electronic prog dance music. No final das contas, a bateria dele é um dos pontos altos do show do tal trio Dexterz. (De onde tiraram esse nome?) Enfim, os shows mais recentes aconteceram na Disney, em Orlando, e não tenho notícias se Mickey, Pateta e Pluto foram ver esse petardo da e-music (esse termo é uma das pérolas do vocabulário da música eletrônica que muita gente gosta de usar, como a tal ‘ música eletrônica de qualidade’).

Esses projetos de live acts me deixam perplexo, na maioria das vezes são muito chatos e tendem a uma batida à la progressive house ou comercial dance music, mas conseguem arrebatar corações e mentes nas pistas de dança. Falta de informação dos DJs/músicos ou do público? Pasteurização da música eletrônica? Fórmula de sucesso e dinheiro fácil? Entre as muitas duplas eletrônicas que lembro estão Leozinho & Parcionik, que não é dupla sertaneja, mas de e-music. Vácuo Live não é nenhum invento da Nasa, mas uma dupla de e-music curitibana com uma fofa no microfone – “projeto pioneiro de live vocal house no Brasil”. Tem as Famele Angels que tocam “sexy house music” pra derreter os bofes. Mais recentemente Max e Iggor Cavalera voltaram às boas e também fundaram um live act Cavalera Conspiracy, mas aqui a palavra de ordem é rock’n’roll pesado!

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kiriDJinha 7 – o retorno

kiriDJinha retorna ao bar Volt!

A festa agora é na quartas-feiras quinzenalmente, e a primeira é nessa semana!
Atum e eu adoramos tomar o primeiro drink da noite no Volt. E o staff da casa é a melhor companhia ever! Então pra fazer clima “lá em casa”, nós chamamos pra volta da kiriDJinha ao bar dos neons com os top DJs in da house – Celda, Tamara, Fábio, Marcinho e Farelo. Diz que eles vão tocar seus sets mais kiridjinhos. #Happyhourfeelings
kiriDJinha 7 – O Retorno
Bar Volt
Rua Haddock Lobo, 40
Quarta 21/7 – 21h às 02h
Consumação mínima: R$ 15
DJs: Atum, Ivi Brasil, Celda, Fábio, Tamara, Farelo, Marcinho

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my essencial clubbing weekend in berlin (2007)

Esse texto foi publicado originalmente na revista DJ Mag brasileira em janeiro 2008, e foi escrito em dezembro de 2007. Estou republicando agora porque o número de acessos a outro texto sobre o club Berghain está com muitos acessos aqui, então aqui vai mais um pouco sobre clubbing em Berlim.

A contracultura da Berlim ocidental, cultuada por David Bowie e Wim Wenders, mudou-se para o leste. Lá onde o comunismo era encoberto pela cortina de ferro política e pelo muro físico que dividiu a capital alemã, instalam-se modelos da cultura globalizada. Galerias de arte, produtoras musicais, bares, cafés, ateliês, estúdios, selos fonográficos, brechós e a imaterialidade da internet; estão todos lá entre os distritos de Mitte, Friedrichshain e Kreuzberg. A parada obrigatória do metrô agora é Alexanderplatz com sua imponente torre de comunicação, e não mais a ocidental Zoologischer Garten (ou apenas Zoo) onde Christiane F se drogava e se prostituía nos anos 1970. Desde que os 47 quilômetros do muro que separavam capitalistas e comunistas desabaram em 1989, a cidade vem experimentando uma reviravolta cultural que culmina nos primeiros anos do novo milênio e que deve durar até o começo dos anos 10 do século 21. Centenas e centenas de artistas – principalmente DJs e produtores – migraram para a cidade, que hoje é conhecida como capital mundial da música eletrônica.

Numa quinta-feira à noite cheguei a Berlim. Zero grau com certeza. Vinha de Bremen com DJ Atum que havia se apresentado em Amsterdã dias antes. Fomos direto para Friedrischshain encontrar Ferri Borbás, produtor e manager do selo digital Autist e nosso anfitrião. Conheci Ferri via Skype, coisas da aldeia global. Poucas horas depois da nossa apresentação presencial já estávamos fervendo no moderno bar Sanatorium, um dos preferidos do povo da região oriental e atual trendy da capital alemã. O primeiro convite nessa essential clubbing trip foi para conferir Anja Schneider no club Weekend no sábado. Seria o início da residência mensal do selo Mobilee, da própria Anja, no Weekend. Antes de dormir recebo mensagem de Holger Zilske, o homem por trás do projeto Smash TV que tocou no Brasil duas vezes. O convite era para ir ao club Watergate conferir a performance de Ellen Allien no dia seguinte. Dormi com os anjos.

Ir a Berlim para ouvir, dançar e entender o techno criado lá não é só ficar na jogação. Na sexta-feira pela manhã já estava na mítica Alexanderplatz, ponto nevrálgico da cidade que fica no antigo lado oriental. Na saída do metrô, ergue-se a fantástica torre de comunicação de mais de 300 metros de altura e com um imenso globo espelhado espetado no centro. Alexanderplatz é uma imensa pista de dança! Daí vale um passeio em direção ao Portão de Brandemburgo, passando antes por uma série de museus, avenidas e palácios até o Tiergarten. A grandeza urbanística equipara-se ao poder econômico-científico-artístico germânico. Entendi ali um pouco mais sobre o povo alemão. O néon com a frase “All art has been contemporary”, que está atualmente na fachada do Altes Museum (Museu Velho), polemiza com o conteúdo da casa, um valioso tesouro de peças egípcias da antiguidade. Novo e velho são um só em Berlim, neon-art e arte egípcia, igrejas góticas e prédios modernos, jovens dançando ao som de minimal techno em antigos redutos comunistas.

Party people – Sexta-feira à noite. Em Friedrischshain começa a agitação atrás das festas mais badaladas. Cada um fala uma coisa, mas o convite já tinha sido feito: Ellen Allien @ Watergate. Dentro do club encontramos Holger Zilske já contando novidades sobre o novo álbum de Ellen, que estão produzindo em parceria e deve sair em abril. Pouca coisa tinha sido feita e Holger já estava participando de outros projetos e (tentando) compor suas próprias tracks. O club Watergate fica na beira do Rio Spree, a pista inferior está na altura da água e uma imensa ponte medieval se ergue bem em frente. No andar de cima, a iluminação movimenta milhares de leds e os ansiosos pela chegada da musa do minimal e dona do selo BPitch Control. Ellen não demorou a aparecer com dois roadies carregando pesados cases, pediu licença ao DJ Daniel Bell (que fez um set correto para aquecer o povo) e começou a esmerilhar pérolas do tão elogiado estilo minimalista do BPitch Control. A DJ se divertia em sua terra natal, homenageada por ela nos álbuns Berlinette e Stadtkind. O que ela tocou? Não sei dizer títulos de músicas ou rótulos de gêneros, mas meu corpo e meu espírito agradeceram por estarmos lá.

A jaca berlinense rola mesmo é de sábado para domingo. O vento frio cortava a noite e a gente ía se aquecendo pelos bares esfumaçados do Mitte até chegar ao Weekend, no topo de um edifício de 15 andares em Alexanderplatz. Era a primeira festa mensal do selo Mobilee no Weekend e a convidada não poderia ser ninguém menos que Anja Schneider, dona do Mobilee e de um sorriso simpaticíssimo. Ela fez um set animado, o povo gritou, a DJ acelerava no minimal indo cada vez mais para o techno sem perder o rebolado e o charme, e inserindo pitadas housy. Noutro dia, Anja me confessaria – “acho que meu som passou de algo housy para um lado mais techno, mas não gosto dessas definições de estilos, afinal é tudo house”. Mas nem todos concordam ou concordariam com ela, como o produtor Paul Brtschitsch que tocou ao vivo, logo depois dela, um techno mais pesado e energético, porém não menos minimalista. Guarde bem esse nome estranho, Paul Brtschitsch. Em Berlim ele é considerado um novo prodígio da eletrônica. Depois de parcerias com André Galluzzi e alguns EPs elogiados, Paul está atualmente compondo com Holger Zilske para um novo live p.a. e produzindo o álbum de Anja Schneider.

Mobilee / Autist – “Não gosto de decidir tudo sozinha. É ótimo que o Paul esteja comigo produzindo meu primeiro álbum”, confessa Anja Scheneider. “Sempre preciso de alguém ao lado quando estou produzindo, primeiro porque não tenho tempo para saber os segredos e truques da parte técnica, e também porque preciso de alguém para dizer se devo continuar ou parar tudo. Preciso de opiniões diferentes para decidir em conjunto”, explica. A grande jogada de Anja nesse empreendimento é o retorno pessoal. “A melhor coisa em trabalhar com jovens talentos é poder vê-los crescer e então receber de volta uma energia fundamental”, filosofa a DJ.

Uma das crias mais queridas do Mobilee é a dupla Pan-Pot que lançou em outubro o álbum “Pan-o-rama”, primeiro álbum da dupla e do selo. Tassilo Ippenberger e Thomas Benedix são muito bem-tratados por Anja na nova sede do Mobilee, no meio do moderno e descolado distrito Mitte. No estúdio, a dupla tem tudo o que precisa para criar climas pesados e dançantes, como para o remix do primeiro single do primeiro álbum da patroa, que tive o privilégio de ouvir em primeira mão. O single deve sair entre janeiro e fevereiro, e o álbum chega ao público em maio. Outros nomes que lançam no Mobilee e no subselo Leena são Jennifer Cardini, Sebo K, Exercise One, GummiHz, Holger Zilske e Marco Ressman.

Enquanto o Mobilee tem sede com estúdio e lança vinis (e alguns CDs e mp3) todos os meses, o selo Autist existe apenas na rede lançando faixas digitais. “Os arquivos digitais são o suporte mais apropriado para o século 21, e no mundo do techno é tudo muito rápido e não dá pra ficar esperando meses pela prensagem de um disco”, argumenta Ferri Borbás, manager do Autist. O selo se sustenta linkado a comunidades virtuais para divulgar os EPs virtuais que são vendidos em vários sites. Colaborações com videoartistas e cineastas também é boa moeda de troca. “Gastasse pouquíssimo e o resultado é garantido”, afirma.

O destaque do Autist é o produtor Boris Brejcha de apenas 22 anos e que vive isolado em uma pequena cidade no sudoeste da Alemanha. Sem contato direto com a eletricidade clubbing de Berlim, Boris cria o seu “freak modern electro techno” em casa e faz dancinhas malucas (procure no MySpace!) para testar se a música é boa para a pista. Em janeiro ele vem ao Brasil para algumas apresentações! Uma boa maneira de fugir do inverno europeu.

A neve – Lá do alto do Weekend a vista é incrível e para meu deleite a neve começou a cair pouco antes de Anja terminar seu set. Estupefato pela neve, pelo drink de vodca com pepino e pelo som, não podia ainda imaginar o que seria o Berghain / Panorama Bar. A neve caía silenciosamente sobre Alexanderplatz quando pegamos um táxi para o Berghain, templo do techno e da loucurama berlinense. Na neve, o povo gritava para entrar enquanto enfrentava uma longa fila às 5h matina. Todos migram para o Berghain nessa hora, quando os outros clubs fecham. Lá dentro a principal regra, estampada bem na entrada, é: “cameras are not allowed”. Melhor assim!

O Berghain e o Panorama Bar ficam em uma velha usina de energia elétrica, em Friedrischshain. Berghain é a pista principal, o techno é o som, Ben Klock é o DJ residente, o pé direito é imenso e em várias darkrooms se faz exatamente tudo em termos de sexo. O Panorama Bar fica na parte superior do prédio e o clima é mais relaxado, em termos musicais é claro. Batidas mais minimalistas e mesmo houseadas movimentam uma turba em constante jogação. Ferveção pouca é bobagem! O mix de estilos e comportamentos é absurdo, parece que todos os grupos sexuais, raciais, musicais, fashionistas estão ali representados. Ecletismo democrático, liberdade desenfreada, hardcore sexmachine, fucking techno.

Naquela noite/manhã os franceses Joakim (dono do selo Tigersushi) e Chateau Flight mais o canadense radicado em Berlim Konrad Black se revezaram na cabine de som do Panorama. Como parar de dançar? Todos corriam entre um techno minimalista e dançante, grooves tímidos e trechos mais experimentais. Uma levada mais house à francesa complementava o ambiente. O Berghain / Panorama é onde o povo que estava em outros clubs se encontra, é onde se comenta das festas, bebe-se pencas e dança-se até domingo à tarde. O Berghain fervia ao meio-dia quando da pista brindamos com Ben Klock suas últimas tracks. Logo estávamos conversando e ele me olhava serenamente enquanto eu confessava que aquele era afinal o club mais incrível do mundo no qual já estive.

P.S.: Só pra lembrar, o bafo é tão forte no Berghain / Panorama que nem o club tem fotos de divulgação. Só mesmo na minha memória…

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mixer audiovisual + technodelic + fim das sacolas plásticas no rio

A chuva e o frio são os principais destaques dessa semana no centro-sul do país e aqui em São Paulo a coisa começou na terça-feira cedo e vai se estender, dizem os meteorologistas, até domingo. Mas não tem frio certo e a gente precisa sair e tocar a vida. Ontem fiz isso, saí. Passei no Sonique pra ver uma demonstração de um mixer, fui pro Volt beber e rir com o staff amigo e  terminei com os animadinhos dus infernus no bar Dex.

Mixer Pioneer SVM-1000 entre CDJs

Mistura boa – Cheguei cedo ao Sonique para conhecer o novo mixer Pioneer SVM-1000, que mixa som e vídeo. O DJ Júnior C é o cara que destrinchou a nova mesa que tem como novidade uma tela 11” touchscreen de LCD no centro do aparelho. O DJ mostrou as possibilidades de fazer DJing e VJing ao mesmo tempo, mas me confessou que às vezes é difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Em alguns momentos o vídeo fica um pouco de lado para ele conseguir mixar as músicas, então deixa a parte visual ligada no automático passando efeitos visuais do próprio equipamento. Perguntei se poderia usar um laptop com Traktor ao invés de CDJs ou toca-discos, Junior C me respondeu que sim e que se pode dar mais atenção ao vídeo deixando o Traktor mixar automaticamente as músicas. Ele fez aquela cara torta pra essa possibilidade, afinal deixar a máquina mixar sem erro é coisa pra quem “ataca de DJ” (as aspas são minhas).

Esse mixer foi lançado em 2007 e exitem apenas dois no Brasil, um deles é o que o Junior C usa nas festas patrocinadas pela marca Bacardi, que começaram nova temporada ontem no Sonique. É claro que eu perguntei quanto custa o mixer! “Custa 24 mil reais aqui no Brasil, no exterior está na faixa de 7500 dólares”. O mixer tem quatro canais de áudio e vídeo, permite efeitos como fade, wipe, chroma-key, solarização e outros que há bastante tempo estão disponíveis nos equipamentos profissionais de pós-produção de TV e vídeo. O legal é que o mixer sincroniza as imagens com a batida da música, com o toque do dedo na tela pode-se criar alguns efeitos na imagem, e ainda dá pra conectar uma câmera e ir passando o video em tempo real com as várias possibiliades de efeitos. Aliás, dá pra tocar (vídeo e som) um DVD de um show mixando com uma música em CD ou vinil, por exemplo. Junior C disse que o bacana mesmo é criar vídeos – com ou sem áudio – e então criar um roteiro para um set. Gostei muito dessa ideia!

Apesar de estar no mercado há algum tempo, o mixer da Pioneer encontra dificuldades de se difundir porque os DJs/VJs precisam investir pesado no equipo e treinar bastante. Junior C disse que mesmo no exterior são poucos os clubes que dispõem desse mixer. Pra quem quiser saber muito mais sobre o SVM-1000 sugiro o texto no site da escola de produção musical DJ Ban.

kiriDJinhas – Meu passeio notúrnico continuou sob chuva fraca até o iluminado bar Volt. Ontem, estava meio vazio, mas sempre animado pelo staff querido. Bebi uma espécie de dry-martini, mas feito com vodca, uma pitada de bitter (aho que foi isso) e suco de aloe vera (ou babosa) com uma casquinha de limão siciliano dando um aroma. E está confirmado o line up do retorno da festa kiriDJinha ao Volt na QUARTA 21 DE JULHO: as garçonetes Celda e Tamara, o gerente Fábio, o barman Farelo e o ex-garçon da casa que animou muito nas primeiras kiriDJinhas Marcinho. Além de mim e do Atum, é claro. Vai ser babado! Misturinhas de estilos, conversinhas paralelas, DJs tocando no sofá… Vou levar meus vinis pra um set de new wave brasileira; rock Brasil 80, sabe? E teremos o drink da noite kiriDJinha que é uma delícia!!! A festa começa cedo, a partir das 21h.

Terminei a noitada descendo até o Dex bar onde o Atum estava tocando uma série de coisinhas gostosas pra dançar dos anos 80 aos 90 – pós-punk, acid house, disco… E o povo estava pra lá de animado! A porta foi baixada mas ninguém arredava pé.

Techno no Centro-Oeste – E pra quem estiver em Cuiabá nesse final de semana, recomendo o festival Technodelic, que rola no Espaço Lagoa das Conchas na Chapada dos Guimarães. Os shows acontecem hoje e amanhã e também rola live performance do grafiteiro paulista Jay Govinda. Hoje, dia 16/7, a atração principal é Zegon e seus scratchs e mixagens incríveis. Também tocam Rod Novaes, a dupla Rodrigo Faraz (DJ)  & Danilo Bareiro (guitarrista) e mais dois DJs escolhidos por internautas.

No sábado 17/7, tem DJs gringos no line up: o bigodón David Carretta, que está em mini-turnê pelo país, e a cantora-DJ Xenia Beliayeva. Soube pelo Gabriel Scardini Barros, da organização da Technodelic e cabeça do blog Factóide, que “a Xenia é muito bacana e ela já desenvolveu uma relação muito legal com o público daqui. Ano passado, ela se emocionou ao ouvir a galera cantando “Momentan”, e também foi eleita a melhor DJ estrangeira a tocar no estado (Mato Grosso) em 2009. Vamos entregar o prêmio para ela lá na festa.” E eu logo lembro da primeira e emocionante vez da Xenia no Brasil, quando cantou acompanhada pelo marido Oliver Huntemann nos toca-discos lá no D-Edge. E na Technodelic desse sábado também tocam os DJs Jay C, Titto, Biancardi e Fábio Serra e os live acts Attik e Faisão. Aliás, Carretta também tocará em formato live, o que vai ser bem bacana. Gostaria de estar por lá…

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Não às sacolas plásticas – E pra terminar esse post enorme na sexta à noite, mais uma boa notícia – hoje é primeiro dia aa lei que proíbe a distribuição de sacolas plásticas em supermercados no estado do Rio de Janeiro. Fiscais da Secretaria Estadual do Ambiente fluminense notificou apenas um estabelecimento na cidade do Rio hoje, mas os fiscais estavam apenas verificando como os supermercados estão se virando pra tirar de circulação as superpoluidoras sacolinhas plásticas. Sobre esse tema e a troca das sacolas de plástico descartáveis pelas chamadas “ecobags” você leu aqui no +1teko.

O UOL Notícias diz: “Aprovada em julho de 2009, a lei obriga os estabelecimentos comerciais de médio e grande porte do Estado a substituírem e recolherem sacolas plásticas, compostas por polietilenos, polipropilenos e outras substâncias altamente poluentes. Segundo a lei, o prazo para a substituição destas sacolas é de dois a três anos para microempresas e empresas de pequeno porte. Para as empresas de médio e grande porte, o prazo é de um ano.” Consumidores podem denunciar quem descumpre a lei pelo telefone (21) 2334-4604.

Mas é claro que os supermercadistas contra-atacaram e querem mais tempo para se adaptar à nova lei. O valor máximo da multa a quem desobecer é de mais de R$ 106.

Quando teremos uma lei assim em todo o Brasil? Troque as sacolas plásticas pela sua própria bolsa reutilizável! Isso sim é estar na moda, ser moderno e ecológico. Eu acho!

P.S.: vejo no Jornal Nacional que um projeto como este do Rio de Janeiro foi vetado em São Paulo pelo prefeito Gilberto Kassab!!! Um absurdo! Eu nem sabia que houve um projeto de lei como esse aqui na cidade!!!

Precisa mesmo sacola plástica se tem carrinho?

No lixão, as sacolas plásticas demoram mais 100 anos para se deteriorar

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papo sério: aborto e “church drive thru”

Continua rendendo muitos acessos o texto “After Maria Cheia de Graça”, aqui do +1teko, sobre os after hours. Não sei se tem muita gente querendo saber sobre o Panorama Bar, me Berlim, antes de viajar ou se estão interessados em saber sobre o segundo fim do after Hell’s Club ou ainda sobre a lotação que o after Paradise tem conseguido nos últimos tempos. Mas enfim, obrigado pelos cliques – continuem assim! – e para essa quinta-feira fria e úmida (em São Paulo) o papo é mais sério.

Comecei lendo os editoriais da Folha da S.Paulo e me deparei com texto de Eliane Catanhêde sobre legalização do aborto. Ontem havia lido sobre os dados levantados pelo Instituto do Coração sobre cirurgias. A jornalista da Folha coloca a questão do aborto relacionada a essa pesquisa, que comprovou que foram feitas 3,1 milhões de curetagens pós-aborto no Brasil entre 1995 e 2007. Como a curetagem é feita apenas depois de abortos intencionais e que em abortos expontâneos não há necessidade do procedimento, leva-se a entender que as mulheres não respeitam a lei que criminaliza o aborto no país. Hipocrisia do governo e das igrejas acharem que não se deve descriminalizar o aborto e dar assistência médica e psicológica às mulheres que interropem gravidez indesejada.

Destaco parte do texto da Folha: “Por mais que José Serra e Dilma Rousseff sejam favoráveis à descriminalização, ao contrário da evangélica Marina Silva, eles não admitem, pois o que vale não é o avanço do debate, mas o pragmatismo e o… voto. Não querem se indispor com o forte eleitorado conservador da sociedade, muito menos com setores religiosos que têm cada vez mais poder financeiro, midiático e sobre os votos dos seus rebanhos.” O texto cita Ana Costa, sanitarista, doutora em ciências da saúde e autora do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher: “A clandestinidade atinge a ambas, pobres e ricas, mas o risco de adoecer ou morrer fica na conta das pobres. E são milhares que passam por essa situação, caracterizando mesmo um problema para a saúde pública. Por isso a necessidade de legalizar para garantir o direito de as mulheres sobreviverem ao aborto, adotado como uma solução terminal para uma gravidez indesejada”. O editorial de Eliane Catanhêde termina com: “O aborto é uma questão pública, o SUS é um serviço público, Serra e Dilma disputam o principal cargo público do país. Têm o dever de assumir uma posição clara e firme.”

Minha amiga grávida Emy Pimenta comentou e complementou sobre o assunto no facebook: “o Serra pra mim tá sepultadíssimo. Na propaganda ele anunciou “parto agendado” acessível para todas!!!! O cara foi ministro da saúde e acha cesárea lindo? Senão bastasse a estupidez ainda é mais caro para o dinheirinho público, quer dizer, sai do nosso bolsinho. Está cientificamente provado que a capacidade de amar se desenvolve nas primeiras horas após o parto no contato entre mãe e bebê. Após uma cesárea, não tem a menor chance deste contato acontecer. Quanto mais cesáreas em uma sociedade, mais violência, menos civilidade, menos amor… Para se criar mais bons sujeitos, não basta os pais serem bacanas. Para uma sociedade melhor, para mais amor neste mundo, só começando pelo começo, com mais partos normais e naturais! Precisa falar que o Brasil é o campeão mundial no índice de cesáreas?”

Fecho com comentário no facebook do amigo Fabio Lusvarghi: “Acho que a gente tá é lascado com qualquer um desses três (Serra, Dilma e Marina).”

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Drive thru da oração em São Paulo: bênção em 5 minutos

Fast grace – Que tal rezar pra ver se a situação do país melhora? Não tem tempo de ir à igreja? Não tem problema, agora a Igreja Universal lançou o sistema “drive thru” para os sem tempo para orar. Nessa fast church, o motorista entra, pede uma bênção ou oração para afligir seus pecados ou um apoio espiritual de emergência que é dado por um pastor, que faz a oração, entrega um folheto com horários dos cultos e faz um pedido de oferta à igreja. “Coisa de cinco minutos”, como descreve o blog Paulopes Weblog que tem publicidades cristãs, como da coreana The New Life Mission e da capixaba Escola de Teologia do Espírito Santo. Matéria semelhante foi publicada hoje (15/7) no JB Online e outros blogs e sites evangélicos ou não. Procurei no site Arca Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, fonte dos sites que citei, mas o mecanismo de busca sempre retorna sem achar nada. Por que será?

Ficou interessado? O drive thru funciona diariamente na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, na rua Domingos de Moraes que tem sempre grandes congestionamentos principalmente no fim do dia. O atendimento passará a ser durante todo o dia a partir da próxima semana. O pastor Osvaldo Volpini disse que se inspirou em serviço semelhante à disposição dos fiéis de Universal em Houston, nos Estados Unidos. O site Arca Universal diz que até mesmo motociclistas e pedestres têm usado o serviço rápido e conta o caso de uma costureira que depois de passar no drive thru, receber a bênção e pagar a oferenda recebeu o pagamento de todos os seus devedores. Como dizia o saudoso Jack Palance: Acredite, se quiser!

Assista a seguir vídeo do site Terra TV sobre o drive thru da oração e oferta:

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terça-feira gorda – musix, dzi croquettes, caligrafia mau dita

A semana começou com calor e sol em São Paulo, mas a chuva veio refrescar a terça-feira e a semana cheia de movimentações culturais. Claro que vou começar pela minha festa MUSIX que estréia hoje no clube Alberta#3.

O projeto MUSIX foi bolado junto com os DJs Atum, Tahira e Benjamin Ferreira e vai pelo viés chique das noitadas nas discotecas dos anos 60, 70 e 80, com muito funk, soul, disco e outras sonoridades que sacudiram o meio mundo com muito groove. As inspirações vêm de diversas referências estéticas: West End Records, Studio 54, Motown, Soul Train, Horse Meat Disco. Aliás, o Benjamin está na Europa (e não vai tocar hoje na Musix, é óbvio) e esteve na festa Horse Meat Disco no final de semana! Não tive o privilégio de conhecer in loco essa festa londrina que faz alguns anos que deu uma boa reviravolta na cena clubbing recuperando o espírito das festas disco dos anos 1970, os primórdios da dance music. Um dos frequentadores da HMD é o italiano Hard Ton, que você leu com exclusividade antes aqui, e que se inspira na levada ítalo-black-disco. Um álbum duplo da festa foi lançado em 2009 e recebeu muitas críticas elogiosas da grande imprensa europeia.

Um pouco mais cedo, vou conferir o vernissage da exposição “Caligrafia Mau Dita” na Matilha Cultural, bem pertinho do Alberta#3. Faz tempo que as pixações – ou pichações – passaram à categoria street art como forma de interferência político-social-artística. O pixo já atacou a Bienal de São Paulo sem ser convidado e agora participará oficialmente da Bienal que abre em setembro. No exterior os pixadores paulistanos são bastante conhecidos e já ouvi que o design dos pixos é copiado no exterior. A iniciativa da exposição partiu de Manulo e  Pingüim e  teve apoio dos convidados Thatha (Zona Sul), Tatei (Zona Oeste), Rash (Zona Norte), Taylor e Vagabundo (Zona Leste), Zé (ABC) e Ivan (Centro). Estarão expostas as ‘folhinhas’ com desenhos caligráficos, que costumam ser trocadas entre os pixadores, mantendo viva a caligrafia de cada grupo e ganhando caráter de peça colecionável.

Outros  destaques da programação dessa mostra são o lançamento do documentário “Caligrafia Mau Dita” (20 min) dirigido por Jey (Flávio Ferraz), exposição de fotos de João Wainer e Victor Moryama que contextualizam artisticamente a pixação em São Paulo e ilustrações de Paulo Ito que aborda o pixo em linguagem de HQ. Também está programado  um ciclo de conversas sobre as diversas facetas do pixo, com nomes como Claudio Rocha (da publicação Tupigrafia), Jaime Prades e Celso Gitahy. Confira a programação no site da Matilha Cultural.

Cartaz do filme

Hoje também acontece a pré-estreia do documentário “Dzi Croquettes” no cinema Reserva Cultural, na Av. Paulista. Terei de ir na estreia, na sexta-feira, e estou curioso em saber mais sobre esse emblemático grupo de performance/teatro que na década de 1970 escrachou com todos e com tudo. O documentário é dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez e tem entrevistas com Liza Minnelli, Gilberto Gil, Nelson Motta, Marília Pêra, Ney Matogrosso, Ron Lewis, Betty Faria, José Possi Neto, Miéle, Jorge Fernando, César Camargo Mariano, Cláudia Raia, Miguel Falabella, Pedro Cardoso e Norma Bengell. Todos vão relembrando ao curso dos 110 minutos de projeção a trajetória irreverente do grupo carioca Dzi Croquettes, que contestava a ditadura por meio do deboche e da ironia. O grupo defendia a quebra de tabus sociais e sexuais.

Dzi Croquettes em ação

O filme ganhou os prêmios Itamarati e do público de melhor documentário da última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e prêmios de júri e público de melhor documentário no Festival de Cinema do Rio.

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