Arquivo da categoria: cinema

josé e pilar – documentário comovente

Adorei o documentário José e Pilar. Emocional, profundo, forte… a história do escritor convicto do seu papel no mundo e todas essas coisas poesias. Como bom leitor de Saramago, fiquei mesmo emocionado com o tom do filme, dirigido pelo português Miguel Gonçalves Mendes, de 32 anos e cabeça da produtora Jumpcut, e produzido por Fernando Meirelles (O2) e Almodóvar (El Deseo). A trilha sonora é muito, muito boa. Aliás, soube há algumas semanas que o amigo Bruno Palazzo (ex-Multiplex) tem duas músicas na trilha, que inclui Adriana Calcanhoto, Pedro Granato e outros compositores/músicos portugueses. Mas presta atenção na trilah incidental também! Belíssima fotografia, belíssima ilha Lanzarote.

O filme José e Pilar acompanha a realização do romance A Viagem do Elefante. No filme, Saramago explica de onde vieram as tantas metáforas da ida de um elefante de Lisboa a Viena. Uma linda reflexão de Saramago sobre as intermitências da morte, o sentido da vida, o amor por Pilar del Rio, sua incansável companheira. Ao meu ver, o texto de Saramago é um dos melhores da língua portuguesa; tem aquela viagem dele com orações longas e diálogos emendados e sem pontuação, que no primeiro livro que li me incomodou um pouco, mas nos livros seguintes aquilo soa a poesia; muito interessante a construção formal. O documentário consegue narrar imagens na tela como as que os livros de Saramago deixam na nossa cabeça. Foram 4 anos de filmagens e muitas viagens com o Nobel de literatura. O filme termina quando Saramago retorno do Rio para Lisboa e tem a ideia para o seu último livro, “Caim”.

Aqui em São Paulo, o filme está em dois cinemas: Belas Artes e Livraria Cultura (nas quartas ingresso inteiro a 10 reais).

*******

Um som bacana pra terminar a quarta-feira com a  2pastime – Mr Gil e Mimi – com o ótimo vídeo para a música “Folgado”. No vídeo a versão remixada por Mr Gil. Dica do grande DJ Renato Lopes hoje no facebook. É pra se jogar, tá?

3 Comentários

Arquivado em Artes, cinema, lançamento, literatura, Música

wim wenders em são paulo

Mais um dos meus astros oitentista está em São Paulo. Depois da performática Laurie Anderson, agora é a vez do cineasta alemão Wim Wenders. Filmes como “O Estado das Coisas”, “Paris, Texas”, “Tão Longe, Tão Perto”, “Alice nas Cidades” e tantos outros ainda povoam minha cabeça com imagens etéreas e desoladoras, trilhas sonoras tristes e diálogos econômicos porém fortes o suficiente para impressionar minha educação visual/cinematográfica na universidade nos anos 80.

Wenders está em São Paulo para a inauguração mundial da sua exposição fotográfica “Lugares, Estranhos e Quietos”, composta por 23 imagens inéditas que devem ser tão inquietantes quanto seus filmes, haja vista a imagem do cartaz da exposição. O vernisage é hoje (terça 19) no Masp onde fica em cartaz até 16 de janeiro e o serviço está no final desse post. Mas Wenders fica por aqui até o fim da semana para a abertura da 34ª Mostra Internacional de Cinema, da qual é um dos homenageados. Aliás, outra foto feita pelo diretor ilustra o cartaz oficial da Mostra de Cinema e é dele também a vinheta de abertura que rodará na abertura de todas as sessões.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anote as sessões dos filmes de Wim Wenders na 34ª Mostra Internacional de Cinema:

“Tão Longe Tão Perto” – Cinemateca (Sáb 23/10 20h20); Cine Livraria Cultura2 (Dom 24/10 14h); Unibanco Artplex6 (Qua 27/10 14h30)

“Até o Fim do Mundo” (Director’s Cut) – Cine Livraria Cultura2 (Seg 25/10 16h)

“Paris, Texas” – Cine Livraria Cultura2 (Dom 24/10 18h50)

Anti-pedofilia – Depois dos muitos relatos de abuso sexual feito por padres católicos, Wenders se engajou na campanha ‘Break The Silence’. Ele dirigiu dois filmes curtos para a TV alemã que encorajam vítimas de abusos sexuais a falar sobre os abusos sofridos e assim “facilitar o processo de cura e quebrar o domínio dos pedófilos sobre suas vítimas”. Os filmes falados em alemão estão aqui. A tradução é a seguinte:

mulher / homem:
“Isso vai continuar a ser um segredo entre nós”, disse ele, depois que ele havia abusado de mim. Esse silêncio me fez uma vítima toda a minha vida.

voz em off:
Quem rompe o silêncio, quebra o poder do perpetrador. Nunca é tarde demais para falar sobre abuso sexual. Por favor, ligue para nós!

*

WIM WENDERS – Lugares, Estranhos e Quietos

MASP – Avenida Paulista 1578 – Tel: 3251 5644

De 21 de outubro de 2010 a 16 de janeiro de 2011
De terça a domingo: das 11h às 18h (bilheteria aberta até  17h30)
Terça-feira: entrada gratuita
Quinta-feira: das 11h às 20h (bilheteria até 19h30).
Ingressos: R$15,00 (inteira) e R$7,00 (meia) / Menores de 10 e maiores de 60 anos não pagam

1 comentário

Arquivado em Artes, cinema, Entretenimento, festival, fotografia

floripando; sganzerla, paradigma

Ilha de Santa Catarina vista a partir do sul

Há alguns dias na Ilha de Santa Catarina e já não sinto muitas saudades de São Paulo. Depois de voltinhas pela Lagoa da Conceição, peixes assados, delícias da mamãe e reencontro com velhos amigos, hoje tem muita coisa acontecendo na Universidade Federal de SC e terei de me desdobrar pra ir a tudo.

A jornalista Sônia Bridi, ex-colega de bancos escolares, faz palestra hoje à noite no lançamento da terceira edição da Semana Revista. Na verdade é um aperitivo do que virá na IX Semana de Jornalismo da UFSC, que rola entre 13 e 17 de setembro.

* * *

Também começa hoje na UFSC a Semana Sganzerla, com mostra de filmes do cineasta catarinense, lançamentos de livros e debates no Teatro do DAC (Igrejinha). Hoje tem projeção de “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) e a programação segue com os filmes “Nem Tudo é Verdade” (1986) e “Copacabana Mon Amour” (1970). O evento também marca o lançamento lançamento da caixa-livro “Edifício Rogério”, coletânea de ensaios sobre cultura brasileira publicado pela Editora da UFSC. A musa do diretor, a atriz Helena Ignez está na cidade e falará em diversas ocasiões dessa semana de cinema. Mais informações aqui nesse link.

O joaçabense Rogério Sganzerla é um dos expoentes do Cinema Marginal que misturou gêneros, fundiu o erudito e o pop, foi inconformado e transgressor mantendo um pé fincado na tradição clássica. Em 1992, Sganzerla esteve em Florianópolis e o entrevistei para meu vídeo projeto de conclusão do curso de Jornalismo. Em breve digitalizarei o vídeo, que ainda tem entrevistas com Décio Pignatari e outros sobre globalização.

* * *

E fica aqui mais uma dica de cinema em Florianópolis. O Paradigma Cine Arte traz – nas sextas e sábados às 19h e 21h30min – filmes para todos os gostos e que não passaram pelo circuito comercial de Santa Catarina. Já foram feitas sessões de Doce de Coco, Gigante, Pachamama, EUA Vs. John Lennon, Goodbye Solo, entre outros. A nova sala de cinema fica na SC-401, ligação entre Centro e Norte da Ilha, no trevo de Santo Antônio de Lisboa, no Centro Empresarial Corporate Park. Uma excelente opção para os órfãos do cinema do CIC (Centro Integrado de Cultura), em obras há quase 2 anos!!! E boa dica para os turistas que chegam a Floripa e não têm muitos espaços culturais com boa programação.

1 comentário

Arquivado em cinema, cinema, jornalismo, literatura, viagem

o dogma da ikebana

Acompanhe esse post ouvindo a música acima – “Porrada” (Titãs)

Milhares de imigrantes ilegais estão deixando o Arizona antes que a nova lei anti-imigração entre em vigor na quinta-feira. União Européia diz que o Kosovo é  problema dela e se a Sérvia quiser entrar na UE vai ter de viver em paz com os kosovares e aceitá-los como nação independente. Fernando Collor está na frente na campanha ao governo de Alagoas. Por enquanto, Paulo Maluf terá sua candidatura impugnada através da lei “Ficha Limpa”. PT pede à Folha de S.Paulo que tire do ar – censura? – página com vídeo no qual o candidato a vice do Serra diz que o partido de Lula tem ligações com as FARC e narcotráfico. WikiLeaks detona guerra americana no Afeganistão divulgando mais de 90 mil documentos que mostram a verdade bem mais crua e terrível.

Esses foram algumas das manchetes que me chamaram a atenção hoje pelo noticiário diurno. Mas vamos às amenidades porque de complicada já basta nossa vidinha cotidiana.

Dogma 95 – Lembro da náusea que senti ao assistir “Os Idiotas”, de Lars von Trier. Me esforcei para continuar vendo aquele filme com câmera-na-mão balançando sem parar. A náusea é aliviada por um breve momento, logo no início do filme, quando se descobre o golpe que um bando de amigos dá no status quo da sociedade dinamarquesa explorando a idiotice para sobreviver. Um riso rápido e irônico e o navio de von Trier continua a navegar e a nos jogar contra nossas hipocrisias.

E pra rever essa saga cinematográfica que começou em 1995 com o movimento Dogma, rola entre hoje 27/7 e 3/8 a mostra “Dogma 95 – 15 Anos Depois” na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Estão em cartaz os títulos “Os Idiotas”, “Corações Livres”, “Mifune” e “Nas Suas Mãos”. Como diz Inácio Araújo na Folha de S.Paulo hoje, é uma pena que o ótimo “Festa de Família”, de Thomas Vinterberg, não esteja na mostra; é um soco no estômago. No último dia – terça 3/8 – acontece projeção de “Os Idiotas” seguida de palestra de Bodil Marie S. Thomsen, professora associada de Cultura e Mídia no Departmento para Estudos Escandinavos da Universidade Aarhus, Dinamarca.

Ikebana – Toda vez que vou à estação do metrô Liberdade dou uma olhada na ikebana (ou kado) exposta na vitrine perto das bilheterias. O arranjo floral é uma das mais belas artes japonesas, ao meu ver. E a partir de hoje até quinta-feira tem uma exposição de 60 arranjos florais no Centro Cultural São Paulo. A mostra é comemorativa dos 50 anos de fundação da Associação Floral Kado Iemoto Ikenobo da América da Sul.

Na Wikipedia consegui um bom texto sobre essa arte nipônica: “Ikebana (em japonês: 生け花, “flores vivas”) é a arte japonesa de arranjos florais, também conhecida como Kado (em japonês: 華道 ou 花道, Kado) — a via das flores.

Ikebana é uma arte floral que originou na Índia onde os arranjos eram destinados a Buda, e personalizada na cultura nipônica, pela qual é mais conhecida. Em contraste com a forma decorativa de arranjos florais que prevalece nos países ocidentais, o arranjo floral japonês cria uma harmonia de construção linear, ritmo e cor. Enquanto que os ocidentais tendem a pôr ênfase na quantidade e colorido das cores, dedicando a maior parte da sua atenção à beleza das corolas, os japoneses enfatizam os aspectos lineares do arranjo. A arte foi desenvolvida de modo a incluir o vaso, caules, folhas e ramos, além das flores. A estrutura de um arranjo floral japonês está baseada em três pontos principais que simbolizam o céu, a terra e a humanidade, embora outras estruturas sejam adaptadas em função do estilo e da Escola.”

* * * * * * * *

Pra quem ainda não viu o vídeo com o Sr. Indio da Costa, candidato a vice-presidente da chapa de José Serra, falando que o PT tem ligação com narcotráfico e FARC, ei-lo abaixo.

1 comentário

Arquivado em cinema, design, Música

terça-feira gorda – musix, dzi croquettes, caligrafia mau dita

A semana começou com calor e sol em São Paulo, mas a chuva veio refrescar a terça-feira e a semana cheia de movimentações culturais. Claro que vou começar pela minha festa MUSIX que estréia hoje no clube Alberta#3.

O projeto MUSIX foi bolado junto com os DJs Atum, Tahira e Benjamin Ferreira e vai pelo viés chique das noitadas nas discotecas dos anos 60, 70 e 80, com muito funk, soul, disco e outras sonoridades que sacudiram o meio mundo com muito groove. As inspirações vêm de diversas referências estéticas: West End Records, Studio 54, Motown, Soul Train, Horse Meat Disco. Aliás, o Benjamin está na Europa (e não vai tocar hoje na Musix, é óbvio) e esteve na festa Horse Meat Disco no final de semana! Não tive o privilégio de conhecer in loco essa festa londrina que faz alguns anos que deu uma boa reviravolta na cena clubbing recuperando o espírito das festas disco dos anos 1970, os primórdios da dance music. Um dos frequentadores da HMD é o italiano Hard Ton, que você leu com exclusividade antes aqui, e que se inspira na levada ítalo-black-disco. Um álbum duplo da festa foi lançado em 2009 e recebeu muitas críticas elogiosas da grande imprensa europeia.

Um pouco mais cedo, vou conferir o vernissage da exposição “Caligrafia Mau Dita” na Matilha Cultural, bem pertinho do Alberta#3. Faz tempo que as pixações – ou pichações – passaram à categoria street art como forma de interferência político-social-artística. O pixo já atacou a Bienal de São Paulo sem ser convidado e agora participará oficialmente da Bienal que abre em setembro. No exterior os pixadores paulistanos são bastante conhecidos e já ouvi que o design dos pixos é copiado no exterior. A iniciativa da exposição partiu de Manulo e  Pingüim e  teve apoio dos convidados Thatha (Zona Sul), Tatei (Zona Oeste), Rash (Zona Norte), Taylor e Vagabundo (Zona Leste), Zé (ABC) e Ivan (Centro). Estarão expostas as ‘folhinhas’ com desenhos caligráficos, que costumam ser trocadas entre os pixadores, mantendo viva a caligrafia de cada grupo e ganhando caráter de peça colecionável.

Outros  destaques da programação dessa mostra são o lançamento do documentário “Caligrafia Mau Dita” (20 min) dirigido por Jey (Flávio Ferraz), exposição de fotos de João Wainer e Victor Moryama que contextualizam artisticamente a pixação em São Paulo e ilustrações de Paulo Ito que aborda o pixo em linguagem de HQ. Também está programado  um ciclo de conversas sobre as diversas facetas do pixo, com nomes como Claudio Rocha (da publicação Tupigrafia), Jaime Prades e Celso Gitahy. Confira a programação no site da Matilha Cultural.

Cartaz do filme

Hoje também acontece a pré-estreia do documentário “Dzi Croquettes” no cinema Reserva Cultural, na Av. Paulista. Terei de ir na estreia, na sexta-feira, e estou curioso em saber mais sobre esse emblemático grupo de performance/teatro que na década de 1970 escrachou com todos e com tudo. O documentário é dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez e tem entrevistas com Liza Minnelli, Gilberto Gil, Nelson Motta, Marília Pêra, Ney Matogrosso, Ron Lewis, Betty Faria, José Possi Neto, Miéle, Jorge Fernando, César Camargo Mariano, Cláudia Raia, Miguel Falabella, Pedro Cardoso e Norma Bengell. Todos vão relembrando ao curso dos 110 minutos de projeção a trajetória irreverente do grupo carioca Dzi Croquettes, que contestava a ditadura por meio do deboche e da ironia. O grupo defendia a quebra de tabus sociais e sexuais.

Dzi Croquettes em ação

O filme ganhou os prêmios Itamarati e do público de melhor documentário da última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e prêmios de júri e público de melhor documentário no Festival de Cinema do Rio.

1 comentário

Arquivado em artes plásticas, cidade, cinema, club, fotografia, história em quadrinhos, Música, vídeo

Amour Imagination Rêve (amor, imaginação, sonho) – Air no Brasil

Já não era sem tempo. Finalmente o duo francês Air tocará no país – em outubro nas cidades de São Paulo (16, Natura Nós About Us Festival), Belo Horizonte (15, Chevrolet Hall) e Rio de Janeiro (14, Circo Voador). Os shows são parte da turnê do último disco ‘Love 2’, mas com certeza Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel terão de tocar seus grandes sucessos para o público brasileiro, afinal lá se vão 15 anos desde que o grupo começou em Versalhes, na França. Li a notícia da vinda do Air ontem à tarde em primeira mão via twiiter do Fabiano Melato, editor no jornal Diário Catarinense; depois a notícia se espalhou por diversos sites. Ainda sobre os shows por aqui, não foram divulgadas informações sobre venda e preços dos ingressos. A banda também toca no Chile e na Colômbia no mesmo período. A gravadora EMI não emitiu nenhum aviso oficial dos shows.

Esse último disco do Air, ‘Love 2’, continua com as melodias delicadas, vocais etéreos, os flertes com a chanson françoise e o rock psicodélico, ítens que fizeram a fama da dupla em 1997 quando o primeiro álbum ‘Moon Safari’ estourou com “Sexy Boy”, “All I Need” e “Kelly Watch the Stars”. Ouvi muito esse CD e não havia como desligar-se do Air na época, hoje ele é citado como um clássico do gênero chillout no livro “1001 Albums You Must Hear Before You Die”. Depois seguiram-se vários álbuns, mas nenhum com a força de ‘Moon Safari’ a não ser a badalada trilha sonora do filme “As Virgens Suicidas” (1999) da então estreante diretora Sofia Copolla. ‘Love 2’ recolocou as dupla em evidência

Nesse ano saiu o single com quatro remixes da faixa ‘So Light Is Her Footfall’, que faz parte de ‘Love 2’. A versão orginal está no belo videoclipe abaixo. E seguem vídeos de outros sucessos do Air.

A seguir “La Femme D’Argent” do disco ‘Love 2’.

“Kelly Watch the Stars” do álbum ‘Moon Safari’.

A seguir, trailer do filme “As Virgens Suicidas”, de Sofia Coppola, onde um grupo de garotos fica fixado em misteriosas e lindas irmãs loiras, até que uma delas se mata.

3 Comentários

Arquivado em cinema, festival, Música

shows de rock e livros portugueses; 2plus?

Segundona de noite e tô aqui vendo o que vai rolar na semana. A programação geral dos clubs não tem nada de muito instigante; aliás, faz um tempinho que sair de casa pra ver DJ gringo ou pra exibicinismo fashionista tá bem sem graça. Sábado toquei no Astronete e a casa não estava tão bombada como de costume, e me disseram que sexta e sábado foi meio fraco no D-Edge. Claro que noutros lugares bombou, como sexta no Alberta#3 com fila gigante. Bom, mas vamos falar dessa nova semana, e a gente tem de garimpar pra descobrir algumas pérolas na noite, e tudo depende do gosto de cada um, claro. Tô dando uma viajada aqui numas festas, exposições, filmes, livros e tals que pretendo dar uma conferida nessa semana, se estiver afim pode me seguir… 😉

Faz poucos dias que abriu o club/casa de show/restaurante/bar Comitê, bem ao lado do Studio SP, no baixo Augusta. Nessa quarta tem  o festival Popload – na versão Gig Cult – do Lúcio Ribeiro por lá, com o compositor Mark Lanegan, que vem da cena grunge de Seatle. Lanegan começou no grupo Screaming Trees, foi amigo de Kurt Cobain e se insere naquela lista de guitarristas indie cult norteamericanos, algo pós-Dylan. Estou conhecendo o trabalho do cara agora – vejam o vídeo abaixo. Fiquei com vontade de ir no show porque o cara parece interessante e também curioso pela nova casa noturna, irmã do Studio SP – é dos mesmos sócios Ale Youssef e Maurizio Longobardi. O show é na quarta-feira 24 às 22h, por R$ 90.

Lanegan com Isobel Campbell, da banda escocesa Belle & Sebastian.

Mais uma da dupla, dessa vez no Café do Sundance Film Festival. E, tá bom! Eu acho que às vezes esse som é meio chato… mas quem sabe ao vivo.

Mais uma de rock’nroll – Hugh Cornwell, ninguém menos que um dos homens por trás da banda punk inglesa Stranglers, toca sábado no bar CB, na Barra Funda. Vai rolar aniversário de 24 anos da loja London Calling, um dos musts das galerias de rock do centrão de São Paulo. A dica foi do Sérgio Barbo, enquanto ele discotecava no Astronete no sábado passado, e como ele saca tudo de rock, e porque ando numas de rock mesmo, já tô achando uma das melhores no final dessa semana. Faz tempo que não vou ao CB, e lá é legal, aquele galpão grande e o palco… É a primeira, e será a única, apresentação de Cornwell no Brasil!!! Se liga! Sábado 23h30, no CB por R$ 35. No site dele dá pra baixar seu último álbum, Hooverdam, lançado em 2008. Tô baixando, vamos ver se gosto…

Aqui tem uma gravação ao vivo não tá muito boa,tá meio Dogma 95, mas o registro vale!

Livros

Fiquei passado com a morte do José Saramago na semana passada. Adoro os textos dele, e sei que tem um monte de gente que não consegue entrar na onda dele, mas acho normal porque não é um texto muito fácil. No começo resisti, mas consegui ir em frente e passei a adorar a forma como ele pontua as frases e parágrafos, a metalinguagem, o poema na prosa, os versos brancos na prosa… mil coisas! Daí saí caçando nos sebos e lojas virtuais alguns títulos que não tenho na estante. Hoje chegaram “Caim” – último romance de Saramago e que gerou mais disse-me-disses com Portugal e Vaticano – e “A Maior Flor do Mundo” – única incursão do autor na literatura infantil. As ilustrações de “A Maior Flor…” são de João Caetano, pintor moçambicano que também ilustra livros e faz histórias em quadrinhos, e por aí dá sentir as experimentações com colagens que ele criou pro livro. E realmente, o narrador – o próprio Saramago – não tem muito jeito com o mundo dos miúdos. A história é uma justificativa do autor por não saber escrever pras crianças.

Aqui vai o filme de animação espanhol “A Flor Máis Grande do Mundo” dirigido por Juan Pablo Etcheverry. O narrador é José Saramago – que lê o texto do livro em espanhol com forte sotaque português. “Um relato para niños (y adultos) escrito y narrado por José Saramago. Un corto colmado de símbolos y enigmas, destinado a una infancia que crece en un mundo quebrado por el individualismo, la desesperanza y la falta de ideales. Cortometraje de animación intervalométrica combinada con dos dimensiones.”

Em “Caim”, Saramago reporta-se ao Velho Testamento para “reler” a história do filho mal de Adão e Eva, Caim. A narrativa deve ir nos moldes de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, best seller que narrava uma história do Novo Testamento. Ambos geraram muita polêmica com a Igraja Católica. Achei uma resenha legal desse título no site Verbo 21.

Amanhã eu volto e dou mais umas dicas, ok? Tem DJ novo na praça, tem umas exposições bacanas rolando…

Logo cedo tenho um brunch da inauguração da loja Sample Central – um lance de loja onde não se paga pelas mercadorias, mas é preciso responder pesquisas. Enfim, uma forma nova, e me parece, mais barata, fácil e espontânea de fazer pesquisa de consumo. Depois conto mais sobre essa novidade em terra brasilis.

2Plus?

E-mail enviado no começo da noite da segunda-feira anunciou a saída de Paulinho Silveira da agência 3Plus, que reunia ainda Edo van Duyn e Luiz Eurico Klotz. A 3Plus continua tocada por estes dois últimos e mantém o nome, segundo o jornalista Camilo Rocha via twitter. Não se sabe (ainda) o motivo da separação do trio que fez entre outras a fama de Djs como Marky, Renato Cohen, Gui Boratto, Patife etc. e comandou o festival SkolBeats.

3 Comentários

Arquivado em cinema, club, festival, literatura, Música, mercado, sem categoria