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don’t forget your sunglasses

Era 1994, depois de passar três meses rodando a Europa, de Portugal à Grécia, não consegui mais suportar o clima provinciano da minha querida Florianópolis. Mudei para São Paulo e muitas portas se abriram diante dos meus olhos – e ouvidos. No começo de 1995 descobri o club Latino e o bar Gourmet, lá onde a rua da Consolação fervia nos finais de semana. Logo veio o Mercado Mundo Mix e o after hours Hell’s Club. Isso tudo pra dizer que ontem comemorou-se 15 anos de Hell’s Club com lançamento de DVD assinado por Daniel Zanardi, com trilha de Pil Marques e Thiago Salvione – em breve à venda nas melhores casas do gênero.

O tempo passou e de repente (1996) me deparei com DJ Mau Mau, conheci o cara no MMM e comprei seu primeiro CD (que ainda está na minha discoteca). Ouvi aquilo e pensei: vou descobrir o telefone dele e sugerir de fazermos um videoclipe. Nesse momento me joguei de cabeça na “cena eletrônica paulistana”.

Lembro dos chill ins no Gourmet e The Cube e depois a loucurinha pra conseguir entrar no Hell’s. As meninas – Adriana Recchi e Ana (posteriormente PetDuo) – eram implacáveis pra deixar o povo adentrar no lugar mais desejado da noite em São Paulo. Com alguns amigos, conseguia me jogar no porão do Columbia e ficar por lá ouvindo techno nas manhãs de domingo. O banheiro ficava invariavelmente inundado; muita confusão na chapelaria; eu não conhecia ainda os top clubbers e era um mero frequentador. Quando a luz verde inundava tudo e a fumaça me cegava, aí sim o techno assumia o controle da minha mente e do meu corpo. Os flyers grandes do Hell’s eram muito bons e sempre tinham aquela frase perfeita pra ocasião: “don’t forget your sunglasses”.

Mas voltando ao videoclipe, consegui o telefone do Mau Mau e sugeri de fazermo o tal videoclipe. Ele adorou a ideia e sugeriu a música “Noise3”, uma das duas de sua autoria no tal primeiro CD. Seria o primeiro videoclipe de um DJ! Mau também sugeriu que a amiga Marcelona fizesse parte do vídeo, e fez! Com a amiga de muitos vídeos Cláudia Erthal, parti para a produção. Marcelona logo indicou Alexandre Herchcovitch pra nos emprestar o figurino. Fomos ao depósito do Alexandre, na antiga loja na Alameda Franca, e nos deliciamos com as criações dele – tinha os tais vestidos de látex maravilhosos. Gravamos parte no meu apartamento no Copan, parte na Paulista e na frente no Hell’s, na rua Estados Unidos. Entramos com uma câmera Beta enorme e outra pequena Hi-8 no Hell’s. Lembro da Vivi Flaksbaun reunindo um povo pra aparecer no clipe – Marcelo Otaviano, Paulinho Silveira, Grace Lesada, Ana (& David) e outros – fizeram caras e bocas em frente a um banner com o símbolo do Hell’s. O Mau mal aparece no videoclipe, por incrível que pareça. Ele está bem desfocado no fim do filme vestindo uma camiseta amarela de plush do Alexandre. Mais umas cenas pela cidade – o indefectível túnel Ayrton Senna – e estava pronto o vídeo. O resultado tosquinho – mas sincero – do nosso olhar sobre aquela nova música está aí pra quem quiser conferir.

O tempo foi passando e fui conhecendo a tal “nação Hell’s”. Já me permitia dar uma passada na cabine pra falar com Mau Mau; sempre avistava a Paula (Chalup) e seus dreadlocks; o Pil na porta salvando a gente que não tinha carteirinha; a bicha das castanholas; Alma Smith gritando “tu é gay, tu é gay que eu sei”; Ana e David eram meus vizinhos no Copan e voltávmaos juntos de ônibus cruzando a rua Augusta ao meio-dia de domingo. Vestíamos roupas de nylon da Slam, óculos cyber, tênis supercoloridos e toda aquela loucura na cabeça. São essas as imagens mais bacanas que ficaram na minha cabeça dequela balbúrdia que mudou minha cabeça pra sempre.

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comunidades digitais

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Hoje a Marcelona Antiga tava reclamando que o Facebook tem gente demais e está meio difícil de navegar e encontrar os amigos de verdade. Parece que logo logo o Facebook vai virar o mesmo fenômeno do Fotolog, há alguns anos. Muita gente voou do Fotolog, que chegou a ser motivo de festa entre o povo que se acha hype. Ainda não fizeram nenhuma pro Facebook, mas tem muitas do Myspace. Mas o caso do Myspace é diferente porque os próprios “donos” do negócio sacaram o poder da ferramente digital e trataram de inventar festas secretas divulgadas apenas para os usuários do Myspace.

Esse lance do Myspace, é claro, foi e é uma saída para as grandes gravadoras que podem finalmente serem incluídas digitalmente no mundo. Mas têm de se adequar a novas regras, inclusive o download de graça. Mas nós usuários já estamos com tédio do Myspace, bem como do Fotolog. Gostaria de saber quantas pessoas abandonaram esses sites comunitários. Sobre o Orkut eu não posso falar porque quando a onda começou, há uns 5 anos, me inscreve mas deletei depois de dois meses porque não parava de receber mensagens absurdas que atolavam minhas contas de e-mails.

Hoje, a Net acusou problemas na sua rede de tv a cabo, telefonia voip e internet e eu fiquei passado porque não conseguia conversar com o povo do Facebook, nem mesmo enviar e-mails, conectar o messenger ou atualizar esse blog. Uma mensagem robótica da Net diz que não se sabe qual é o problema e que a previsão de conserto é pra até amanhã de tarde. Será que posso atrasar o pagamento da Net sem pagar juros?

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