fast forward

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Música e moda andando juntas não é novidade alguma, nem mesmo nessa inédita reunião de sons e roupas que vai rolar no Rio no final deste mês. O que é preciso dizer é que moda e música sempre (?) estiveram linkadas pela dinheirama dos ricos e pela sede fashions dos músicos em usar peles, brocados e paetês. É claro que os estilistas e seus marketeiros também vislumbram o poder midiático da música pop pra se exporem mais (e venderem mais, afinal quem não quer o modelita das estrelas do pop?).

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O tal Oi Fashion Rocks que passa pelo Rio nos dias 23 e 24 de outubro (Copacabana Palace Hotel e Jockey Club) parece querer popularizar o link moda-música, mas com ingressos entre 700 reais e 1400 reais. Pode ser pop, mas não é popular, convenhamos. Primeiro lote de ingressos foi disponibilizado para insiders da moda/música e agora estão à venda para todos. Esse modelo de ‘união artística’ já foi provado (não sei se aprovado) na Europa e Estados Unidos, de onde copiamos tudo, de música a moda. Claro que lá também deve ser um evento para poucos, afinal nem todos são ricos nos países ricos. Mas o Fashion Rocks vai colocar no palco/passarela gente cult e gente brega: Grace Jones, Mariah Carey, Estelle, Pharrel Williamns, Lulu Santos, Daniela Mercury e Wanessa (Camargo) e Ja Rule; Donatela Versace, Marc Jacobs, Calvin Klein, Givenchy, Alexandre Herchcovitch, André Lima, Lenny Niemeyer e Lino Villaventura. Nada contra as grifes selecionadas, mas Mariah Carey e Wanessa Camargo me dão arrepios!

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Enquanto tentam se popularizar mais, as grandes grifes de luxo perdem dinheiro e espaço. A Folha de S.Paulo noticia hoje: “A empresa do estilista japonês Yohji Yamamoto entrou ontem com pedido de concordata em Tóquio. O pedido ocorreu dois dias depois de a marca italiana Versace fechar suas lojas no Japão.” Por outro lado, ontem li no site brasileiro da Marie Claire que a edição americana colocou na capa uma modelo usando roupas de 49 dólares da H&M, fast fashion sueco que vende roupas baratas e com bom design (e que ainda não aportou no Brasil). A marca espanhola Zara, principal concorrente da H&M, assumiu a liderança entre as redes de fast fashion mundiais, segundo o Business Week. O segredo para ganhar o primeiro lugar é a velocidade: “the company says it can take a design from drawing board to store shelf in just two weeks. That lets Zara introduce new items every week, which keeps customers coming back again and again to check out the latest styles.” Em contrapartida, a H&M aposta em grandes nomes da moda – Stella McCartney e Karl Lagerfeld, por exemplo – criando para consumidores ‘pobres’.

Essa velocidade e associção com nomes famosos também se expande no mundo música. Alguém consegue acompanhar os lançamentos musicais? O acesso fácil às tecnologias imprime um ritmo vertiginoso de novos produtos no mercado, e quanto mais novos forem, mais apelo para o consumidor comprar mais e mais. Música e moda vão pelo mesmo raciocínio, como carros e tudo mais.

Depois disso tudo ficou aquela pergunta no ar: por que nos países desenvolvidos (digamos assim) os patrocinadores não associam diretamente suas marcas ao nome dos eventos como no Brasil? Você já viu o Nokia Sonar? Não, né? E aquelas festas Sensation que coemçaram na Holanda e chegaram ao Brasil (em abril passado), mas como Skol Sensation. Na Europa a festa também tem patrocinador, mas ele não aparece explicitamente no título do evento. Por que será? Bom, isso é papo pra outra hora.

6 Comentários

Arquivado em festival, Música, mercado, Moda

6 Respostas para “fast forward

  1. Ivi, super pertinente esse post, adorei!
    beijos

  2. OOPS! Sobre nomes de patrocinadores no título do evento, lembrei que a semana de moda de Nova York se chama Mercedes Benz Fashion Week. Coisa de americano?

  3. adorei o post também e nunca tinha feito essa comparação das marcas & eventos. Alias, vc vai no tal Oi Fashion Rocks? Eu fui convidada e vou lá dar uma bisbilhotada… vamos ver

  4. Daniel

    Oi Ivi,
    Acabei de descobrir o +1Teko. Seguinte: No Brasil tem um troço chamado Lei de incentivo a Cultura.
    Skol Sensation, Nokia Trends e afins, em tese, nem precisam de público. Já tão pagos. E o patrocinador põe o nome no evento porque acha que o dinheiro do imposto é dele. Você já viu algum filme do Woody Allen exibir a logomarca da Shell, ou do Nani Moretti exibir a da Fiat antes de começar um filme. Pois é. Pro resto da “cultura”é a mesma coisa.

  5. Os eventos no Brasil, demandam a venda da próprio nome para poder pagar a conta, dado os custos acima dos praticados no mercado externo. A venda do title sponsor é uma necessidade, e na ótica do marketing das empresas vale a pena.
    Abraço

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