o pastelão de palmito da bienal

[A FOTO SOME TODA HORA ENTÃO VAI FICAR ASSIM MESMO]

foto da intervenção do grupo avaf no encerramento da 28a Bienal de São Paulo

Continua a novela da pichadora presa depois de atacar a Bienal. Pelo visto esse é o único trunfo e triunfo de uma curadoria que favelizou a mostra com espaços expositivos feitos de compensado e autorizou que o amigo artista da curadora pudesse invadir o segundo andar destinado ao vazio. Outros “invasores” pediram autorização pra usar o segundo andar com medo de serem execrados do mundo artístico pela curadoria de vassalagem, como bem disse o Vitor no blog dus infernus. Vazio curatorial, eu digo. Nada se discutiu sobre o papel da Bienal e das artes, quer dizer, pode ser que discutiram a portas fechadas e sem a interferência da sociedade. A crítica deu um bom malho na exposição, artistas reclamaram da falta de verba e de organização, outros artistas reclamaram da postura silenciosa da curadoria, o público se decepcionou com a favelização e a pouco inspiradora Bienal de 2008. A exposição terminou no sábado passado, mas a repercussão (negativa) da prisão da pichadora continua nas páginas dos noticiários. Não sou a favor do picho e da destruição do patrimônio coletivo, mas sou contra a falta de bom-senso e de discussão dos reais valores da arte. Como eu escrevi aqui anteriormente, as manifestações no tal vazio da Bienal poderiam servir de baliza para discussões e novas investidas (e investimentos) no mundo da arte brasileira e mundial. A oportunidade infelizmente foi perdida… E a performance de maior impacto do evento foi justamente a que um grupo nada oficial fez ao reclamar espaço para todos cirarem. Seguem alguns trechos da reportagem de hoje no portal UOL, da Folha de S.Paulo, relatando a saga da mãe da pichadora para libertá-la da prisão.

“Caroline foi presa no primeiro dia da tradicional exposição de artes, que se encerrou no último sábado. Vários artistas já se manifestaram pela libertação da garota, e pichadores fizeram grafites no centro paulistano e até na fachada da casa do ex-prefeito Celso Pitta, que está solto graças a um habeas corpus do TJ-SP (Tribunal de Justiça), após ter tido prisão decretada por não pagar pensão alimentícia a ex-mulher, Nicéa.”

“A organização da Bienal soltou uma declaração oficial no dia seguinte do incidente classificando de atitude dos jovens de “autoritária” – essa palavra deriva de autoridade, que, no caso, está do lado oficial, com a Bienal prestando queixa, a polícia prendendo e da Justiça mantendo detida uma garota cujo crime foi pintar uma parede branca dentro de uma mostra de arte. De lá para cá, os curadores e responsáveis pela Bienal não quiseram mais abordar o tema.”

“O irônico é que Caroline tem a palavra “liberdade” tatuada no peito, mas ela não experimentou a liberdade de expressão na Bienal e hoje vivencia a total falta dela na penitenciária.”


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1 comentário

Arquivado em artes plásticas, sem categoria

Uma resposta para “o pastelão de palmito da bienal

  1. o pior não são as respostas fascistas que acham que ela deve continuar presa, mas a pseudo-modernidade que acha que uma parcela da clsse média pedir sua liberação é um papel ridículo.
    nada pior que gente cool filhas do jornalismo de ignorância dos anos 80.

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