Lembranças de Belo Horizonte, uai!

Demorou mas saiu o texto sobre minha primeira visita às Minas Gerais. Belo Horizonte foi o epicentro de 10 dias de “uai rave” no bairro Savassi.

O primeiro final de semana em Belo Horizonte começou na sexta-feira 13/6 com umas cervejas no bar La Tosqueria do Robinho, um dos DJs mais emblemáticos de BH. Meu anfitrião e cicerone é Daniel (ou Danihell), uma das metades do agora duo eletrônico Digitaria. Pastel de angu com recheio de couve e torresmo!!! Você não imagina o que é isso!!! O bairro Savassi é onde tudo acontece na capital mineira, é onde estão algumas lojas, bares e restaurantes descolados da cidade, e também a maioria dos clubes. Comecei a peregrinação pelo Mary’n’Hell, que hoje concentra um público jovem que curte misturas de rock, funk e hip hop. Externamente, o velho casarão preto é todo grafitado e anuncia o que se vê no interior escuro, que no andar de baixo tem a pista de dança e uma área de bar com várias cadeiras e pôsteres de cinema colados pelas paredes de maneira irregular. Bebi alguns drinks de graça pois era uma noite de open bar das 22h às 2h, o que não atraiu muito público. Dizem que o Mary’n’Hell se transformou em local de encontro de estudantes prontos para muitas loucurinhas em festas temáticas (de gosto duvidoso, como com sorteio de pessoas e com cabines reservadas para beijos e amaços por cinco minutos).

No caminho para o clube Roxy, onde o DJ brasiliense Komka tocaria, Daniel me convida para entrarmos nA Obra. O lugar reunia e reúne todo tipo de gente pronta para dançar e se jogar em noites regadas a rock. Parece que hoje o porão mais underground de BH perdeu muito do charme. Dois minutos bastaram para ver o pequeno A Obra, agora embalado por velhos hits de rock para alguns poucos desavisados. Hora de ir para o Roxy… O clube mais bem decorado de BH tem duas pistas e projeto arquitetônico do Fred Mafra, que também ataca de DJ. O promoter da noite de sexta-feira Bitt me levou pra conhecer a pista menor que tem vista para o restante do clube. Ela já estava fechada mas deu pra sacar que o lugar mais bacana do Roxy. Na pista, conheci alguns dos top clubbers de BH ao som dos DJs Jota (residente do clube), Komka (de Brasília) e Spark (florianopolitano radicado no Rio). Muito minimal e a gente se jogou pra casa, afinal tanto Daniel quanto eu já tínhamos nos detonado na noite anterior cada em sua cidade.

Sábadão quente em Belo Horizonte e fui conhecer um parque que tem vista pra cidade e que fica aos pés da Serra do Curral, no sul da capital mineira. À noite fui conhecer o Velvet, um clubinho no porão de um edifício no bairro Savassi, foco da efervescência cultural e musical de BH e passarela pras descoladas da classe média alta, mais conhecidas como “Patty Savassi”. Aliás, isso é invencionice minha, do Daniel e da Daniela (os Digitaria www.myspace.com/digitaria) e rendeu muitas gargalhadas. O Velvet é com certeza o novo point da capital mineira e reúne gente de diferentes estilos e foi o lugar mais gay friendly que fui lá. Na noite de sábado 14/6 o convidado foi o jornalista Lúcio Ribeiro que fez um set beeeem irregular; começou bem mas se perdeu na qualidade das tracks em mp3 irregulares na qualidade sonora mesmo. O Velvet tem essa coisa de DJs popstars, o que é um perigo! De qualquer forma Daniel, Nest (ex-Digitaria, residente das quintas no Velvet e descolado de plantão de BH) e eu varremos o salão até às 6 e meia!

Os dias se passaram na ensolarada, seca e cheia de ladeiras Belo Horizonte. A Lua cheia aparecia todas as noites! Fui conhecer o lindo Palácio das Artes, um centro cultural movimentado, com salas de cinema, teatro, galerias… só não tem wi-fi! Na quarta-feira 25/6, depois de passar o dia no sobe-e-desce das ladeiras de Ouro Preto vendo as maravilhas do rococó mineiro, fui finalmente conhecer o clube Deputamadre; era aniversário do Lelê, dono do lugar. O Deputa, como é conhecido, fica fora do roteiro do Savassi. Sem placa, a entrada do clube é uma porta entre um boteco (com ótimo cachorro-quente a dois reais!) e a oficina mecânica Ligeirinho. O espaço é uma espécie de garagem cheia de grades e por terminar. Tudo bem ao contrário dos clubes Roxy e Velvet. No fundo do Deputa são projetados vídeos nas paredes e o povo dança lá também, além da pistinha em frente a cabine de som; atrás dela fica o bar. O único problema é que não aceitam cartões de crédito e débito. O Lelê é outra figura, um metaleiro (tem pencas deles lá na cidade natal do Sepultura) que adotou a eletrônica como estilo de vida e ganha-pão. O DJ Robinho tocou a noite toda velhos hits de acid house, EBM e house. Foi muito bom!!!

Na noite de quinta-feira 26/6 retornei ao Deputa, dessa vez para ver o show do Digitaria. Eles abriram para o italiano Dust Kid, que entrou com uma lenha para um clube semi-vazio. Pude sentir que o som atual do Digitaria tem uma mistura de techno, electro, acid e uma pegada mais dançante no final do set. Agora Daniel (aka Danihell) e Daniela apuram o som com a mixagem das novas faixas, que saem em breve em forma de álbum. Já estão mudando alguns equipamentos para obterem novas sonoridades e esperam que a mixagem de Xerxes para as faixas dê uma cara nova ao som. Xerxes é aquele mesmo do drum’n’bass e parceiro de Marky, Patife e Fernanda Porto. Agora ele vive em BH, não tem mais ligações com o prodígio Marky e continua apostando no dnb, mesmo o ritmo tendo perdido muito espaço no meio eletrônico. O primeiro álbum do Digitaria saiu em 2006 pelo selo alemão International Deejays Gigolo, quando ainda eram um quarteto com Fabiano e Nest. Desde o começo de 2008 viraram um duo e ficaram mais eletrônicos; agora preparam o segundo álbum.

O resto do final de semana em Belo Horizonte teve passeio pelo Savassi, loja do Ronaldo Fraga, hamburguer no MacDonald’s 24h (point no Savassi) e mais uma noitada no Velvet na sexta-feira 27/6. Sábado fiquei passeando com Daniela e Daniel pela cidade e fomos ver a vista de BH do alto do vigésimo-quinto andar do Hotel Othon. À noite partimos para o Deputamadre mais uma vez para uma segunda apresentação do Digitaria, dessa vez dentro de uma versão tipo exportação da festa paulistana Crew, que teve ainda a dupla de maximal Killers on the Dance Floor e o DJ Gil Barbara. Muito mash up, uai!

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